Kyle Pitts não é só o melhor TE, ele também é o melhor recebedor do Draft da NFL de 2021

Sem considerar QBs, o tight end de Florida precisa ser visto como o melhor prospecto da classe 

(Arte: André Martins)

Não é exagero dizer que o Draft da NFL nunca viu um Kyle Pitts. O termo “geracional” é usado para um ou dois jogadores do Draft e, além dos QBs, o único que merece incontestavelmente essa terminologia é Pitts. O tight end de Florida, de apenas 20 anos (sim, ele é um millennial), colocou fogo na temporada 2020 do College Football com atuações absurdas em nível nunca visto para a posição. Com menos de uma semana para o Draft, está na hora de admitir: Kyle Pitts não é só o melhor TE em 2021, ele também é o melhor recebedor. 

Pensando em todos os tight ends draftados na primeira rodada nos últimos anos, nenhum se aproxima da qualidade de Pitts correndo rotas ou recebendo passes. Noah Fant (20ª escolha de 2019), O.J Howard (19ª escolha de 2017), Evan Engram (23ª escolha de 2017) e Eric Ebron (10ª escolha de 2014) são os melhores recebedores da posição no últimos anos, mas estão em um nível abaixo se comparados com a produção de Pitts no College. 

Além disso, Engram e Fant eram vistos como bloqueadores fracos. Enquanto não podemos dizer que Kyle é um bom bloqueador, ele está muito mais próximo de Ebron e Howard, sendo capaz de segurar o seu homem, como evidencia a sua nota de bloqueio na PFF (68,8). De fato, ele nunca vai ser o T.J. Hockenson (8ª escolha de 2019) bloqueando para passe ou corrida, mas o atual TE do Detroit Lions está anos luz de Pitts como um recebedor.

O tight end é um atleta híbrido. Assim como Isaiah Simmons (8ª escolha geral de 2020), que era visto como uma mistura de linebacker e safety, Kyle Pitts é um TE que se parece muito mais com um recebedor. O ponto é que, diferentemente de Simmons, que era visto como um híbrido porque não se encaixava perfeitamente em nenhuma das duas posições (apesar de conseguir executá-las em campo), Pitts é um prospecto de elite como um tight end (posição que ele já afirmou ter orgulho de exercer) ou quando alinha como WR.

A marca de 4,44 segundos no tiro de 40 jardas é impressionante e está próxima do WR1 deste ano, Ja’Marr Chase (4,38), e de Vernon Davis, em 2006 (4,38), este último é o recorde do Combine para a posição de TE. A velocidade é um diferencial para que ele tenha sucesso contra a defesa, mas o que torna ele um jogador tão atrativo é a sua capacidade de fazer recepções quando está contestado. O jogador é um óbvio candidato a frases como: “Joga no alto que Pitts resolve”, já que ele pode usar o seu 1,98 metros e a envergadura de 2,11m (um recorde para a posição de WR ou TE – ele quebrou a marca de Metcalf) para fazer a recepção. 

Mesmo com uma classe forte de WRs, que conta com Devonta Smith, Ja’Marr Chase e Jaylen Waddle, Kyle Pitts tem as mãos mais seguras do Draft. Em 2020, foram 66 targets, 45 recepções e nenhum drop. A marca fica ainda mais impressionante na end zone, onde ele foi visado 31 vezes ao longo da carreira e registrou 18 touchdowns, sem nunca ter derrubado um passe sequer.

Pitts devorou as defesas no College e teve performances absurdas, como as oito recepções em nove targets para 170 jardas contra Ole Miss, ou as 129 jardas no jogo do título da SEC contra Alabama. Foram ótimos momentos em marcações individuais contra cornerbacks, conseguindo recepções quando marcado por Jaycee Horn ou Patrick Surtain II. Como alvo preferido do Kyle Trask em Florida, o TE alinhou longe da linha ofensiva em 36% dos snaps. Ao todo, em 2020, ele foi visado em 24 passes quando marcado por um cornerback, recebendo 17 deles para 250 jardas. 

A melhor definição de Pitts não é recebedor ou tight end, mas sim um pesadelo para as defesas. O jogador não precisa ser rotulado porque a melhor forma de usá-lo na NFL é alinhá-lo em diversas situações. Sua nota geral na PFF de 96,1 foi a maior em todos os jogadores de College e continua alta quando ele esteve no slot (90,1) ou como um recebedor no X (92,8).

Quando foi deixado no um contra um, Kyle Pitts mostrou toda a sua habilidade de separação e recepções contestadas, registrando uma nota de 98,9, a maior marca entre todos os jogadores do College. Linebackers são muito pesados para lidar com a sua velocidade e CBs são muito baixos para lidar com sua altura (para muitos corners, a agilidade de Pitts também é um problema). Não à toa, ele se tornou o primeiro TE da história a ser finalista do Biletnikoff Award (prêmio dado ao melhor recebedor do College) e o primeiro tight end desde 1977 a ficar entre o top 10 finalistas do Heisman Trophy.

Não dá mais para fugir. Apenas 13 TEs foram draftados entre as primeiras dez escolhas gerais na história. Nos últimos 13 anos, apenas dois conseguiram a marca (T.J. Hockenson e Vernon Davis). Em 2021, veremos a história se repetir: Kyle Pitts não é só um talento do topo do Draft, ele é o melhor TE que o Draft já viu. 

Autor: Bruno Nossig

Sou aluno da ECA-USP, graduando em jornalismo. Joguei basquete quando menino e agora escrevo neste site. Meu twitter é @brunonossig.

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