Por que Justin Fields é o quarterback ideal para o San Francisco 49ers

Apesar do rumor envolvendo Mac Jones, a terceira escolha do NFL Draft 2021 deve – ou deveria – estar reservada para a estrela de Ohio State

Arte: André Martins

No dia 29 de abril, o San Francisco 49ers terá a oportunidade de escolher o seu quarterback do futuro na terceira posição do Draft da NFL. A essa altura, o que podemos cravar é que a galinha dos ovos de ouro de Kyle Shanahan não será Trevor Lawrence ou Zach Wilson, praticamente fechados com Jacksonville Jaguars e New York Jets, respectivamente. Sobram Mac Jones, Trey Lance e Justin Fields.

Não há decisão mais certeira no horizonte que optar pelo ídolo de Ohio State. Em dois anos como titular nos Buckeyes, Fields acumulou 20 vitórias e duas derrotas e levou a equipe para a final nacional do College em 2020. Registrou 63 touchdowns aéreos, 15 touchdowns corridos e apenas nove interceptações em Ohio State, e seu filme também revela um arsenal de lances e recursos raros para um jovem da posição. Muitas boards – inclusive a deste que vos escreve – colocam-no como o 2º quarterback da classe, com larga vantagem.

Portanto, tente esquecer por um momento a onda de rumores a respeito de Mac Jones ser a bola da vez da Califórnia. Aqui, vamos mostrar com estatísticas e lances por que Fields é um atleta mais valioso que o rival de Alabama e um nome mais lógico para o futuro da franquia.

O que os dados dizem

Justin Fields tem uma precisão ajustada de 83,18%, de acordo com a análise de Derrik Klassen. Para se ter uma ideia, esta taxa é maior que a de Mac Jones (81,15%), Zach Wilson (78,53%) e qualquer outro QB desde 2016.

Nos filmes de Fields, a precisão é um ponto de destaque principalmente nos lançamentos longos. É notável a sua habilidade para identificar o momento certo de puxar o gatilho, proteger os seus alvos e esconder a bola dos defensores ao procurar não só zonas profundas, mas também as mais variadas áreas do campo.

As estatísticas desmentem uma crítica frequente sobre o astro de Ohio State: sua capacidade de progredir na leitura das jogadas. Ele tem a maior nota PFF da classe em lançamentos que não foram direcionados para a primeira leitura (90,6) e, de acordo com o The Draft Network, é líder na conversão deste tipo de passe (69,05%). Fields foi também aquele que mais tentou encontrar alvos secundários, em 19,09% das jogadas aéreas no College.

Neste quesito em específico, Mac Jones é o pior da classe em todas as estatísticas. Você pode interpretar, por exemplo, que o plano de jogo de Alabama facilitava a separação das primeiras leituras e que Jones se saiu melhor antecipando estas janelas. Os dados são interpretativos. Ainda assim, eles comprovam que Fields sabe progredir a leitura.

O cenário também aponta que o quarterback de Ohio State se adaptaria muito bem ao sistema de Kyle Shanahan. No College, ele liderou um ataque baseado em passes rápidos na formação shotgun, e 21,7% dos seus passes viajaram distâncias de 6 a 10 jardas (vice-líder da classe). No play action, um recurso sempre muito útil ao ataque dos 49ers, Fields acertou 83,71% dos lançamentos, um pouco abaixo somente de Zach Wilson. Ele também é líder da classe em precisão de passes de 11 a 15 jardas (78,85%).

Jogo corrido explosivo e lançamentos agressivos são marcas de Fields e potencializariam armas como George Kittle, Deebo Samuel e Brandon Aiyuk. Além disso, pensando que Jimmy Garoppolo é um quarterback que não puxa o gatilho com consistência, trazer o líder da classe em conversão de terceiras e quartas descidas (60,81%) seria um upgrade muito bem-vindo.

Ainda é importante ressaltar que Ohio State teve o calendário mais complicado do College, de acordo com o Ranking SP+, do Football Outsiders, que leva em conta uma série de métricas ofensivas e defensivas. Uma das piores partidas no filme, por exemplo, foi contra Northwestern, considerada a melhor defesa de 2020.

O que os filmes dizem

Assisti a dez partidas completas de Fields: FAU, Cincinnati, Michigan State, Michigan e Clemson (2019); Nebraska, Penn State, Indiana, Northwestern e Clemson (2020). Àqueles interessados em fazer uma análise por conta própria, destaco as tapes contra Michigan, Penn State e Clemson (2020). Os pontos negativos se concentram nos duelos com Indiana e Northwestern.

Este primeiro lance é do filme contra Michigan, e eu o considero o “suprassumo das habilidades de Justin Fields”. Primeiro, a boa leitura do colapso do pocket e a excelente movimentação para fugir da pressão e estender a jogada. Então, fora de plataforma, ele consegue lançar um passe perfeito no fundo da endzone por cima do defensor adversário, com precisão, força e toque.

Contra Penn State, Fields mostrou um ótimo lance de manipulação da defesa adversária. Antes de anotar o seu terceiro passe para touchdown no jogo, o quarterback faz um pump fake e, assim, vence a cobertura tripla sobre o wide receiver Chris Olave. O trabalho de pés é feito na medida para manter uma boa plataforma sem perder o timing do lançamento.

Há, porém, um grande problema no mesmo jogo. Com o placar em larga vantagem, Fields segura demais a bola nas mãos, exagera na previsibilidade e não tira o olho da primeira leitura da jogada. Ele praticamente não identifica e não reage à blitz no blindside e… bem, o lance fala por si só. Problema a se corrigir para evitar sacks e se preservar.

Essa interceptação contra Indiana, em 2020, é um bom exemplo de erro de processamento por parte do quarterback de Ohio State. Note que os olhos dele parecem estar direcionados para a rota do WR externo, Chris Olave (#2), no momento em que Garrett Wilson (#5), centralizado, fica extremamente livre na rota vertical. Até o lançamento sair das mãos de Fields, o safety leu a jogada como um livro.

Para finalizar, é impossível não citar o jogo épico de Fields contra Clemson, pelo Sugar Bowl da temporada de 2020. O quarterback lançou seis touchdowns e uma interceptação, mesmo depois de tomar uma pancada nas costelas, e levou Ohio State à final do College com heroísmo. O passe abaixo é um exemplo de excelente antecipação em uma janela bem curta. Lance de dificuldade da NFL.

O que os 49ers precisam fazer

Desde a rivalidade com Trevor Lawrence nos tempos de high school, na Georgia, Fields dá várias mostras de que seu potencial é enorme. Ele disputou com o próprio “Sunshine” o posto de melhor prospecto nos rankings da classe de 2018 do College Football. No Elite 11 de 2017, um evento para avaliar quarterbacks jovens, chegou a derrotá-lo em duas partidas de 7×7. Vitórias por 26 a 0 e 35 a 6.

Hoje, Lawrence evoluiu a ponto de tornar inquestionável a sua posição como melhor quarterback da classe de 2021 da NFL. No entanto, Fields vem logo atrás, com uma rara combinação de talento no braço, precisão e ferramentas físicas. Ele correu o sprint de 40 jardas em apenas 4,44 segundos no Pro Day, um tempo absurdo para um atleta do seu porte e da sua função.

Após preferir acompanhar Mac Jones em março, Shanahan compareceu ao segundo Pro Day do QB de Ohio State, na quarta-feira (14), junto com John Lynch e Rich Scangarello, treinador de quarterbacks dos 49ers. De acordo com o The Athletic, o head coach de San Francisco também está mantendo contato frequente com John Beck, treinador particular de Fields.

Há dúvidas? Claro, o Draft não é uma ciência exata. Há ajustes a se fazer? Muitos. Justin Fields tem muitos recursos, mas precisará de tempo para se adaptar às defesas da NFL. Mac Jones também tem muitos upsides? Sim, o seu processamento mental no ataque é impressionante. Porém, é impossível passar batido por um jogador do calibre de Fields na terceira escolha. Não há nada tão trivial aqui.

Vai que é tua, Kyle Shanahan!

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