Além do top-5, quais são os QBs que vale conhecer antes do Draft de 2021 da NFL?

Kellen Mond, Kyle Trask e Davis Mills são cotados para o segundo dia do Draft

(Foto: Reprodução/Arte: André Martins)

Em meio à loucura da temporada do Draft da NFL, os grandes prospectos na posição de quarterback já são conhecidos, e o último Coletiva em 5 já trouxe um resumo dos principais jogadores. Trevor Lawrence é o nome de 2021, enquanto Zach Wilson decola nas boards das franquias e dos analistas. Justin Fields é um prospecto forte, mas que sofre uma queda inexplicável de projeção, enquanto Mac Jones foi o grande destaque do College de 2020. Para finalizar, Trey Lance é o mais intrigante entre os cotados para saírem na 1ª rodada, em um perfeito exemplo de estrela ou bust.  

Por mais que o hype exista e as escolhas de primeira rodada tenham extremo valor, é necessário enfatizar que o Draft é composto por três dias e QBs costumam a sair nas sete rodadas. Jalen Hurts é um grande exemplo, tornou-se titular do Philadelphia Eagles em 2020 após ser escolhido na 2ª rodada. Outros nomes são mais conhecidos, como Dak Prescott (escolha 135ª de 2017) e Tom Brady (escolha 199ª de 2000).

No Draft de 2021, são muitas as franquias que ainda buscam um novo quarterback. Tirando os que devem escolher um QB na 1ª rodada, ainda sobram vários times que estão de olho em opções depois do dia 29 de abril. Pittsburgh Steelers, Washington Football Team, Chicago Bears, New England Patriots e New Orleans Saints precisam de respostas de longo prazo para a posição. Em meio a isso, o Intervalo em 5 resumiu os QBs para ficar de olho no segundo e terceiro dia do Draft. 

Kellen Mond, Texas A&M

Kellen Mond é um dos QBs mais experientes entrando no Draft de 2021, com quatro anos em Texas A&M, sendo três como titular desde o início. Apesar de uma temporada brilhante quando ainda era um segundanista em 2018, com 3.107 jardas passadas, 24 TDs e 9 interceptações, ele nunca conseguiu alcançar o nível esperado. Em sua defesa, ele seguiu evoluindo, registrando números cada vez melhores, mas a expectativa ficou muito grande e Mond não conseguiu fazer jus a ela. Vale mencionar, o QB teve uma excelente carreira em Texas A&M e bateu o recorde de jardas totais na universidade (9.661), que antes era de Johnny Manziel. 

O grande questionamento do QB é a precisão. Sua maior marca na carreira aconteceu em 2020, quando acertou 63,3% dos passes. Entre os 13 principais prospectos da posição, ele é segundo que menos errou passes curtos (3,7%), mas a marca fica preocupante em passes mais longos. Quando buscou um WR de 11 a 20 jardas, Mond errou o alvo em 20% das vezes (11º), e quando o passe teve mais de 20 jardas, ele completou apenas 36,7% (11º) dos lançamentos, sendo que 50% dos passes foram considerados longe do alvo – maior marca entre os 13 QBs do Draft de 2021. A falta de jogadas profundas prejudica Mond, que teve apenas 3% dos passes em Texas A&M como big-time throw. Muitos analistas perguntam se ele é capaz de acertar algumas janelas da NFL com essa tendência em não assumir riscos em passes verticais.

No entanto, um ponto a seu favor é a tomada de decisão: Mond comete poucos erros de leituras pré-snap e de progressões ao longo das jogadas, sendo capaz de ferir os adversários constantemente. O QB encontra sua melhor forma fora do pocket, tendo o segundo melhor QBR entre todos os prospectos quando faz um lançamento em movimento (88,8). Apesar de ser um prospecto de segundo dia, Kellen Mond é um dos jogadores mais adaptados ao estilo de jogo da NFL, por conta da similaridade do ataque de Texas A&M ao plano de jogo da liga profissional.

Kyle Trask, Florida

Se Mac Jones foi o grande beneficiado da temporada 2020 do College Football, Kyle Trask não fica muito atrás. Apesar de  não ser titular no Manvel High School, no Texas (foi reserva de D’Eriq King no colegial), o QB assumiu a titularidade de Florida em 2019, após a lesão de Feleipe Franks, e jogou todos os jogos na temporada passada. 

Trask é um verdadeiro pocket passer, tendo total controle da situação nas trincheiras e tomando decisões inteligentes ao longo do jogo. A leitura pré-snap é sua principal aliada, sendo que ele registrou o terceiro melhor QBR dos 13 QBs do Draft em jogadas de blitz (86,9) ou quando foi pressionado (36,7). Entrando no Draft de 2021, Trask também é o jogador com mais TDs aéreos das últimas duas temporadas do College (68). 

Além de ter 23 anos, idade considerada avançada no Draft, o grande problema é a sua mobilidade. Ele não vai correr ou ampliar jogadas fora do pocket, simplesmente porque não é capaz. Em 24 jogos como titular, Trask registrou apenas 10 corridas que resultaram em mais de 10 jardas. Isso só o coloca à frente de Mac Jones e Davis Mills, que tiveram 7 e 13 jogos a menos, respectivamente. Se o pocket explodir e ele não tiver opção de passe, é muito capaz que ele só aceite o sack, o que nunca é bom na NFL moderna. 

Jamie Newman, Wake Forest

No multiverso do College Football, em um 2020 não afetado pela pandemia de Covid-19, Jamie Newman estaria na discussão de um QB escolhido na 1ª rodada do Draft de 2021. No final de 2019, o jogador anunciou que estava de saída do péssimo sistema ofensivo de Wake Forest e estava se mudando para Georgia, onde encontraria um ataque mais talentoso. Mas, com a pandemia, Newman optou por não jogar a temporada do College Football e viu seu stock despencar.

Newman é um talento especial. O jogador tem a mobilidade e o braço para ter sucesso na NFL. Na temporada de 2019, mesmo com um sistema ofensivo e jogadores que mais atrapalhavam do que ajudavam, Newman registrou a segunda maior nota em lançamentos de 20 jardas, de acordo com o PFF (ficou atrás apenas de Joe Burrow, a 1ª escolha do Draft de 2020).

Ao longo de sua carreira em Wake Forest, no entanto, ele sofreu com problemas de decisão. Muitos colocavam a culpa nos jogadores ao redor e no sistema, e o teste em Georgia seria uma forma dos analistas compreenderem melhor o QB. Infelizmente, não vivemos no multiverso da NFL, então ele não teve a oportunidade de provar o seu talento e de se tornar um prospecto de 1ª rodada. O pior é que o seu único jogo antes do Draft foi o Senior Bowl, onde ele segurou demais a bola, sofreu a maior quantidade de sacks no jogo e teve a maior quantidade de lançamentos com risco de interceptação. Newman tem potencial, mas de possível vencedor da loteria em 2020, tornou-se o principal perdedor e deve ser escolhido somente no terceiro dia do Draft de 2021.   

Davis Mills, Stanford

Se Trey Lance é a grande incógnita no começo do Draft, Davis Mills deve carregar o fardo nas escolhas de segundo e terceiro dia. Foram apenas 11 jogos como titular em Stanford, o que gera muitas incertezas ao redor da NFL. Ao todo, foram 18 TDs, 8 interceptações, 3.468 jardas e 65,8% dos passes certos. 

Mills cresce em decisões rápidas dentro do pocket, sendo capaz de ler as defesas e se livrar rápido da bola. Com um braço forte, a sensação é que ele pode evoluir como um pocket passer. Mills ainda tem intrigado vários analistas, com seu 1,92 metro e 102 quilos. Assim como Trask, Mills não é um atleta que vai obter muito sucesso fora do pocket. O QB demonstrou uma forte incapacidade de lançar a bola em movimento e, quando lançou fora do pocket, registrou a terceira pior marca de passes fora do alvo entre os 13 principais QBs do Draft de 2021.

Escolher Mills é um grande risco e também uma aposta. Com poucos jogos no currículo, ele ainda costuma a ter o seus minutos de Blake Bortles, com algumas decisões incompreensíveis. Desde 2019, entre os 10 principais QBs do Draft, Mills obteve a maior quantidade de jogadas com risco de turnover em passes de mais de 10 jardas. Essa é a principal diferença entre ele e Trey Lance, já que o QB de North Dakota State teve apenas uma interceptação em 17 jogos como titular na FCS. 

Sam Ehlinger, Texas

Sam Ehlinger fez uma aposta na temporada passada. O QB era cotado para entrar no Draft de 2020, mas optou por voltar ao College, na tentativa de ser escolhido em rodadas mais altas e fazer uma boa temporada com Texas, Quem sabe até chegar ao College Football Playoff. Mas não deu certo. Texas teve uma campanha 7-3, não brigou por nenhum grande Bowl e Ehlinger segue como um prospecto de 3º dia. 

Seu principal atributo é a liderança. Ehlinger é ainda um grande competidor, costuma a trazer energia e sempre colocou Texas em condições de ganhar os jogos.O jogador ainda teve uma ótima carreira, mostrando sua habilidade de criar jogadas com as pernas (33 TDs corridos em 4 anos), mas também lançando a bola, registrando 26 TDs e 5 Ints na última temporada.

A grande questão é o físico, já que Ehlinger não tem um braço extremamente forte e não é um jogador atlético para o mundo da NFL. Além disso, apesar de ser considerado um QB móvel e estender jogadas ao sair do pocket, Ehlinger não consegue se manter estável entre as trincheiras. Entre os 13 principais QBs do Draft, o jogador de Texas tem o terceiro pior QBR dentro do pocket, com 73,1. Por outro lado, é saindo dele que Ehlinger pode funcionar na NFL, obtendo o quinto melhor QBR quando estende jogadas (74).

Feleipe Franks, Arkansas

Quando alguém acredita que Feleipe Franks pode ter sucesso na NFL, a análise é baseada no potencial do jogador. Visto como um pocket passer, Franks é mais móvel do que muitos imaginam e possui o tamanho de um QB profissional (1,98 metros e 103 Kg). O braço potente é o que o torna um atleta tão interessante, o que ficou evidente quando ele conseguiu completar a hail-mary contra Tennessee para entrar de vez no mapa do College Football quando ainda era um redshirt freshman em 2017.

Mas, como a maioria dos prospectos desta lista, a evolução de Franks não aconteceu como o esperado. Em 2019, muitos analistas consideraram que ele poderia ser um candidato ao Heisman Trophy, mas uma lesão no segundo jogo acabou com a esperança. A vida do QB piorou de vez com a ascensão de Kyle Trask e ele se viu obrigado a mudar para um programa mais fraco, Arkansas. A ideia era se colocar no mapa para um possível Draft. Apesar de uma atuação decente, com 2,107 jardas, 17 TDs, 4 Ints e 68,5% dos passes certos, Franks segue sendo um QB cotado para o 3º dia do Draft.

Seu grande problema segue sendo a tomada de decisões, com o jogador perdendo recebedores fáceis, correndo riscos desnecessários e confiando muitas vezes no talento do seu braço, o que nem sempre dá certo. A idade também é um fator que caminha contra, com ele entrando no Draft de 2021 com 23 anos, sendo meses mais novo que Sam Darnold, que já está caminhando para o seu quarto ano na NFL. Ainda assim, Franks conseguiu mostrar todo o seu potencial em 2020. Entre os 13 QBs mais fortes do Draft, o QB de Arkansas é o segundo com maior precisão em passes de mais de 20 jardas (57,5%) e em rotas na lateral do campo em que a bola viajou entre 11 e 20 jardas (66,7%).

Autor: Bruno Nossig

Sou aluno da ECA-USP, graduando em jornalismo. Joguei basquete quando menino e agora escrevo neste site. Meu twitter é @brunonossig.

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