Secundária dos Browns, dinheiro torrado pelos Patriots e ineficiência dos Packers: perdedores e vencedores da Free Agency de 2021

Tampa Bay volta com força máxima e Las Vegas Raiders se perde no caminho

(Arte: André Martins)

A diminuição no Cap Space (teto salarial), que caiu de US$198 milhões para US$182 causou um impacto nunca visto, com diversos cortes e trocas, implicando em uma das offseason mais movimentadas da história da NFL. Ainda existem bons Free Agents disponíveis no mercado da NFL, como Melvin Ingram, Alejandro Villanueva, Russell Okung e outros nomes, mas as grandes personalidades da liga têm o futuro definido. 

Muitas franquias se movimentaram, com o New England Patriots liderando os gastos, abrindo US$156 milhões do cofre e garantindo mais de US$ 100 milhões nos contratos. Por outro lado, outras diretorias pareciam perdidas, não souberam operar e abriram buracos desnecessários no elenco. Em meio a tudo isso, o Intervalo em 5 elegeu os principais vencedores e perdedores da Free Agency de 2021 da NFL. 

VENCEDORES:

Cleveland Browns

Destaque: John Johnson III, S

Os Browns tinham uma missão: melhorar a secundária e garantir profundidade em todos os setores da defesa. Foi exatamente o que Cleveland fez. A contratação de John Johnson foi uma das melhores de toda a FA. Johnson se tornou o melhor safety disponível com sobra, após o Denver Broncos e o New Orleans Saints colocarem a franchise tag em Justin Simmons e Marcus Williams respectivamente. Os Browns ainda conseguiram contratar o jogador a um preço excelente (US$ 33,75 milhões em três anos), valor muito abaixo da extensão de Simmons nos Broncos (US$ 61 milhões em quatro anos). 

Cleveland conseguiu um “home run” após contratar outro ex-jogador do Rams: Troy Hill. O cornerback interceptou sete passes nas últimas duas temporadas e formará uma grande dupla ao lado de Denzel Ward. Hill vem de duas grandes temporadas em Los Angeles, permitindo um passer rating de 61,3 (2019) e 89,3 (2020), quando o QB adversário lançou a bola em sua direção. 

Além da evolução na secundária, o front seven dos Browns teve duas boas adições. O DT Malik Jackson e o DE Takkarist McKinney chegam em contratos de um ano em um valor baixo e garantem ajuda imediata para a linha defensiva que foi carregada pela ótima performance de Myles Garrett em 2020. 

Com a melhor dupla de RBs da NFL e uma das melhores linhas ofensivas da liga, a franquia não tinha nenhuma necessidade no ataque. Garantir o retorno do WR Rashard Higgins foi mais do que suficiente para manter o bom desempenho ofensivo em 2021.

As boas adições na Free Agency afunilam as necessidades no Draft e a franquia pode focar em adicionar um LB e um DE. Cleveland fez muito bem a lição de casa, melhorando muito o elenco como um todo e sabendo a hora de abrir o cofre. A offseason se tornou ainda melhor com os rivais de divisão, Pittsburgh Steelers e Baltimore Ravens tendo uma Free Agency abaixo da média. 

Arizona Cardinals

Destaque: J.J Watt, DE

Os Cardinals eram um dos times mais promissores em 2020, mas acabaram sucumbindo ao longo da temporada, principalmente depois que Kyler Murray aparentou ter problemas no ombro. A chegada de Matthew Stafford nos Rams ainda colocou pressão nos times da NFC Oeste. Era necessário se movimentar, caso não o fizessem, Los Angeles ficaria muito à frente. Steve Keim, GM de Arizona, não decepcionou. 

A primeira movimentação dos Cardinals foi muito promissora: J.J Watt. O Defensive End é capaz de mudar completamente o grupo e o sistema defensivo. Arizona, que terminou como a 4ª defesa com maior quantidade de sacks em 2020, terá uma das melhores duplas de edge rushers da NFL: Watt e Chandler Jones, que retorna após não jogar na última temporada por conta da pandemia de Covid-19. 

A grande sacada, porém, foi a chegada de Rodney Hudson. Las Vegas Raiders inexplicavelmente quis trocar o jogador e Arizona conseguiu um ótimo negócio, enviando a escolha de 3ª rodada do Draft. Hudson é um dos melhores centers da NFL, com uma nota média de 93,6 na PFF desde 2015 (melhor marca da posição). A chegada de A.J Green, que vem de sua pior temporada na NFL, ainda é controversa, mas ele ainda torna o grupo de recebedores melhor e diminui a necessidade de escolher um WR no Draft.

É quase impossível terminar sem nenhuma grande perda na FA e a saída de Patrick Peterson será sentida. A 16ª escolha de 2021, que pertence aos Cardinals, deve ser usada para escolher um cornerback, que se torna o grande problema do elenco. No geral, a franquia limitou suas necessidades e melhorou muito a linha defensiva e ofensiva.

New England Patriots

Destaque: Jonnu Smith, TE

A grande atuação dos Bills em 2020, o crescimento do Dolphins e a movimentação dos Jets de contratar Robert Saleh surgiram como ameaça para New England que vem de uma das piores temporadas recentes: um recorde 7-9 longe dos Playoffs. Os Patriots acreditaram que era a hora de mudar o curso, deixar de apostar no desenvolvimento do Draft e abrir o cofre na Free Agency. Ao todo, foram mais de US$156 milhões em contratos, trazendo grandes nomes e reforços para o ataque e a defesa. 

Cam Newton segue como uma aposta a curto prazo e a intenção dos Patriots foi garantir que ele teria peças no ataque. A dupla de tight ends foi um strike. Jonnu Smith e Hunter Henry ainda são promissores e eram os melhores jogadores da posição na Free Agency. Ambos encaixam de imediato no sistema de dois TEs que New England pretende usar. Vale lembrar, nas últimas duas temporadas, os Pats lançaram apenas três passes para TEs na end zone. Só em 2020, Jonnu Smith marcou 8 TDs. 

Matt Judon saiu mais caro do que deveria, mas é um jogador que deve ser muito produtivo com Bill Belichick. O mesmo pode ser dito sobre o DB Jalen Mills, que não merecia os cerca de US$ 8 milhões anuais do seu contrato de quatro temporadas. Ainda assim, foi na quantidade de negócios que New England obteve sucesso, principalmente ao repatriar Kyle Van Noy e trazer bons defensive tackles (Davon Goudchaux e Henry Anderson).

De fato, nem tudo foi perfeito. Joe Thuney, um dos melhores guards da NFL, foi para os Chiefs. Belichick sempre soube desenvolver jogadores de linha e uma das 10 escolhas do Draft devem ser usadas para trazer um IOL. Por outro lado, New England soube usar o desespero dos Raiders e adquiriu o offensive tackle Trent Brown em um valor abaixo do previsto. O pior, realmente, foi o contrato de US$ 26 milhões em 2 anos oferecido a Nelson Agholor. Apesar de diminuir a necessidade por um WR, o valor ficou muito acima de  outros recebedores melhores que Agholor, como por exemplo: Will Fuller (US$ 10 M) e Juju Smith-Schuster (US$ 8 M).

Por fim vale fazer uma ressalva. New England se tornou o 6º time da história a oferecer mais de US$ 100 milhões em dinheiro garantido. Nenhum dos outros cinco ganhou um jogo de Playoffs após investir tal quantia, e apenas dois times chegaram à pós-temporada. Em 2022  será possível afirmar se a nova “Patriot Way” deu certo.

Tampa Bay Buccaneers

Destaque: Saquil Barrett, EDGE

Parecia surreal que Tampa Bay conseguiria manter todas as estrelas que iriam para a FA, mas aconteceu. Após dar a franchise tag para o wide receiver  Chris Godwin, os Bucs renovaram com os grandes pilares defensivos da franquia: o LB Lavonte David (US$ 25 milhões/2 anos) e o EDGE Saquil Barrett (US$ 68 milhões/4 anos). Pensando que Bud Dupree recebeu US$ 85 M em seu contrato nos Titans, o acordo de Barrett parece uma barganha. 

A manutenção de Robert Gronkowski era previsível (se Tom Brady segue em Tampa, Gronk também ficaria), mas além dele, os Bucs contam com o retorno dos experientes Jason Pierre-Paul e Ndamukong Suh. A linha defensiva de Tampa Bay segue como uma das melhores da NFL. Todos os principais jogadores de 2020 estão de volta e famintos em busca de outro Super Bowl.

PS: Sim, Leonard Fournette ainda não renovou, mas isso era a menor das prioridades. A franquia tinha que ter alguma necessidade no Draft e um running back pode ser escolhido nas três primeiras rodadas. 

PERDEDORES:

Green Bay Packers

Destaque: Aaron Jones, RB

Aaron Rodgers. Tudo em Green Bay deveria girar em torno do MVP de 2020, mas a diretoria segue relutante em apostar todas as fichas no seu QB. Além de não fechar um novo acordo de reestruturação com o seu quarterback para abrir espaço no teto salarial, a franquia não fez esforços para adquirir outro wide receiver. A falta de comprometimento com Rodgers levanta questionamentos de quanto tempo o “namoro” entre as duas partes vai durar. 

Além de não conseguir grandes peças defensivas e ofensivas, o torcedor do Packers ainda viu o center Corey Linsley se mudar para o Los Angeles Charges, o que piora consideravelmente a proteção a Rodgers e aumenta as necessidades do Draft. A esperança era de que, pelo menos, a franquia fosse capaz de achar um cornerback bom para atuar ao lado de Jaire Alexander (talvez, o melhor CB da liga). A ironia mais cruel para o torcedor foi ver uma completa inatividade do time terminar com o retorno confirmado de Kevin King (para quem não lembra, King teve uma das piores performances individuais dos Playoffs contra o Tampa Bay Buccaneers com destaque para o TD cedido para Scott Miller no final do primeiro tempo). 

A sorte de Rodgers foi que os Packers pagaram Aaron Jones. Muitos criticaram o acordo com o running back, já que pagar RB não é uma coisa popular nos anos recentes na liga (apenas Derrick Henry fez jûs a sua extensão e, vamos combinar, ele é o Thanos da NFL). Mas o contrato de Jones é excelente. Apesar de ser visualmente uma renovação de quatro anos e US$48 milhões, Green Bay pode cortar o jogador no terceiro ano caso o RB não performe como o esperado, o que torna o contrato de dois anos e US$20 milhões. 

Oficialmente, a renovação de Jones salvou a Free Agency dos Packers. Com as múltiplas saídas e nenhuma grande chegada, a manutenção do RB fez com que a offseason não fosse um completo fracasso. A única coisa que o torcedor pode esperar é que um WR venha na 1ª rodada do Draft. Se não, Aaron Rodgers precisa operar outro milagre em Green Bay. 

Las Vegas Raiders

Destaque: Yannick Ngakoue, DE

Derek Carr será trocado? Qual o plano dos Raiders? 

São as duas perguntas que restam da offseason de Las Vegas. Mike Mayock optou por abrir espaço no teto salarial desmantelando a linha ofensiva, a principal commodity do time na última temporada. Gabe Jackson (OG), Rodney Hudson (C) e Trent Brown (OT) foram trocados, o que não faz nenhum sentido para o time cujo QB não consegue atuar bem fora do pocket e que não lida bem com pressão. Pior ainda, a franquia não apresentou um plano para corrigir os furos na linha ofensiva.

O mais bizarro é que não houve uma boa administração do Cap Space. Se o problema era abrir espaço no teto salarial, por que a franquia optou por adquirir Kenyan Drake? RB não era uma necessidade (Josh Jacobs e Jalen Richard dão conta do recado) e US$5,5 milhões anuais é muito dinheiro para Drake, que vem de uma temporada ruim, na qual teve uma nota de 60,9 na temporada de 2020, segundo a PFF. 

A sorte para o torcedor é que a franquia assinou com Yannick Ngakoue, um dos melhores contratos dentre todos os Edges (26 milhões/2 anos), o que eliminou a sensação de completo desastre. Mas, em 2020, os Raiders pareciam destinados a brigar por uma vaga nos Playoffs e, apesar de terminar de forma melancólica, a sensação era que no final da temporada o time seria mais forte em 2021. Após a FA, Raiders parecem distantes do sonho da pós-temporada e viram os rivais de divisão Los Angeles Chargers e Denver Broncos se renovarem. Definitivamente, a FA foi um jogo de azar para Las Vegas.

Chicago Bears

Destaque: Damien Williams, RB

Eu não sei se Ryan Pace, GM dos Bears, conhece a trágica comédia grega de Ícaro, se conhece talvez teria feito uma Free Agency melhor para Chicago. Pace ficou tão focado em tentar trocar por Russell Wilson, chegando até a oferecer Khalil Mack em um acordo, que esqueceu de cuidar das outras partes do elenco. No final, as asas de Pace derreteram próximas ao sol. O Seattle Seahawks não trocou Russell Wilson e Chicago se viu na necessidade de contratar Andy Dalton. 

Obviamente, não dava para manter Mitchell Trubisky, mas Dalton está longe de ser uma evolução em relação ao que os Bears tinham em seu prédio. Talvez Pace esteja convencido de que consegue ganhar jogos com um jogador que perca menos a bola, mas as 8 interceptações e 2 fumbles em 11 jogos por Dallas não tornam Andy Dalton uma aposta promissora. 

O pior é que a melhor contratação dos Bears na Free Agency foi o RB Damien Williams. O herói do Super Bowl LIV preferiu não jogar em 2020 e será um bom reserva de David Montgomery. A franquia também perdeu Kyle Fuller, o melhor cornerback do time, viu o DT Roy Robertson-Harris sair e deve trocar o DT Akiem Hicks. 

Peças importantes saindo e ninguém chegando. O torcedor dos Bears não consegue dar risada dessa trágica comédia.

Pittsburgh Steelers

Destaque: Juju Smith-Schuster, WR

Os Steelers viram grandes nomes saírem na Free Agency. O linebacker Bud Dupree foi para os Titans, o cornerback Mike Hilton foi para o rival Bengals e o tackle Matt Feiler assinou com os Chargers. Os principais problemas vieram na linha ofensiva, que ainda pode contar com a saída de Alejandro Villanueva e teve a aposentadoria de Maurkice Pouncey. Big Ben terminou mal a temporada, mas a franquia seguiu acreditando no potencial do QB, reestruturando o acordo do jogador, o que, na teoria, impede que ele seja cortado. Os Steelers optaram por adiar mais um ano a decisão sobre o quarterback, ao mesmo tempo não conseguiram peças que garantam um pocket limpo para Roethlisberger em 2021. 

O cornerback Steve Nelson também deve ser trocado, o que vai causar uma grande baixa na secundária que já perdeu o slot corner Mike Hilton. A franquia não conseguiu trazer ninguém na FA para a secundária. Pittsburgh conseguiu apenas garantir profundidade no front seven, mas as novas peças não garantem que o nível será mantido. O único lado positivo foi o retorno de Juju Smith-Schuster, que limita a necessidade imediata de escolher um recebedor no Draft.

Em 2020, os Steelers brilharam com um elenco profundo, mas a temporada terminou de forma melancólica, após um péssimo desempenho contra os Browns nos Playoffs. O Draft é essencial para Pittsburgh. Cleveland deu um grande passo para vencer a divisão, os Steelers não podem mais errar se quiserem chegar à pós-temporada em 2021. 

Autor: Bruno Nossig

Sou aluno da ECA-USP, graduando em jornalismo. Joguei basquete quando menino e agora escrevo neste site. Meu twitter é @brunonossig.

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