Apesar do valor alto, troca por Matthew Stafford coloca os Rams como um dos favoritos em 2021

Técnico Sean McVay paga caro, mas encontra o novo QB da franquia de Los Angeles

(Arte: André Martins)

O Los Angeles Rams chocou a NFL na noite de sábado (30) quando Adam Schefter, repórter da ESPN, anunciou que a franquia iria adquirir o quarterback do Detroit Lions, Matthew Stafford. Tentando solucionar o problema na posição, os Rams enviaram duas escolhas de primeira rodada (2022 e 2023), o seu antigo QB titular Jared Goff e uma escolha de terceira rodada no Draft de 2021 para Detroit. Inicialmente, o pacote parece extremamente caro por Stafford, que terá 33 anos no início da próxima temporada (ainda mais quando Goff tem apenas 26), mas a movimentação coloca os Rams no grupo de favoritos para 2021. 

A troca parece uma mudança desesperada porque, de fato, assim foi. O general manager dos Rams, Les Snead, e o técnico Sean McVay possuem nas mãos um time capaz de ganhar um Super Bowl. No entanto,  o futuro estava ameaçado pelas fracas performances de Jared Goff e a extensão de contrato desastrosa que deram para o QB – um contrato de US$ 134 milhões em quatro anos, tendo um bônus de 25 milhões e 110 milhões garantidos. 

A ideia da troca é que foi necessário uma escolha de primeira rodada para conseguir o “upgrade” de Goff para Stafford. A outra escolha seria um “pagamento” para se livrar de um contrato desastroso. O resultado final será este: o acordo será processado no dia 7 de março, os Rams terão 22,2 milhões de dólares presos, se livram de US$ 25 milhões no Cap Space e herdam um salário de US$ 43 milhões em dois anos de Stafford (US$ 20 milhões em 2021 e US$ 23 milhões em 2022). No lado de Detroit, os Lions terão que arcar com um Cap Hit de 17 milhões e assumem um contrato de quatro anos e US$ 106 milhões com o novo QB. 

A temporada de 2020 serviu para mostrar como Los Angeles tinha em mãos um ataque produtivo, mas limitado por atuações medianas de seu quarterback. A franquia só foi capaz de chegar aos Playoffs, terminando com um recorde 10-6 na temporada regular, após uma atuação magnífica de sua defesa. 

Os Rams impediram a menor marca de jardas dos seus adversários, 4.551, das quais 3.051 foram áreas (1º) e 1.460 jardas terrestres (3º). Ao todo, liderou a NFL em menos TDs permitidos de passe (17) e a quarta melhor marca contra a corrida (12), o que permitiu que a defesa segurasse os adversários para a menor quantidade de pontos na liga (18,5). 

Além disso, apenas 27,9% das campanhas adversárias terminaram com uma pontuação (adivinha, isso mesmo, a menor marca da NFL em 2020). O esperado era que a defesa colocasse o time em uma condição de candidato a chegar ao Super Bowl, mas os problemas de execução ofensiva provocaram uma extrema queda de rendimento. 

O ataque foi responsável por apenas 23,3 pontos por jogo, o décimo pior da NFL. O interessante é que o jogo corrido era o décimo com maior jardas, mas a alta quantidade de turnovers e as limitações de Goff impediram que o sistema de Sean McVay atingisse o nível da elite. Apesar do ótimo esquema ofensivo em mãos, Goff se mostrou um fardo, registrando 20 TDs e 13 interceptações em 2020. 

Proteger a bola sempre foi um gigantesco problema para o QB, que é o segundo com mais turnovers nos últimos dois anos, com 29 interceptações e 17 fumbles (38, uma a menos que Daniel Jones do New York Giants). A diferença de performance entre Jared Goff e Matthew Stafford são enormes. Nas últimas duas temporadas, foram apenas 15 interceptações e sete fumbles para o novo quarterback dos Rams. Segundo estatísticas da ESPN, na última temporada, Jared Goff terminou com um quarterback rating de 58,4 (23º), enquanto Stafford registrou 68,4 (15º). A nota do PFF revela a diferença de forma mais gritante, com Stafford subindo para 13º (82.0), enquanto Goff permanece na 23ª posição (71,3).

A expectativa é que Matthew Stafford seja capaz de liderar o time ao sucesso, até porque o QB conseguiu manter um bom nível no desastre de Detroit, onde não contava com um bom esquema e muito menos um jogo corrido top-10 da NFL. A diferença de talento fica muito evidente no nível da linha ofensiva. Em 2020, Stafford soltava a bola mais rápido que Goff (2,65 segundos para o lançamento, enquanto Jared soltava a bola em 2,76), mas, ainda assim, sofreu muito mais sacks (38 contra 23). 

Stafford nunca encontrou nos Lions um time estável e sim uma franquia que falhou em reunir talento ao seu redor. Logo, criou-se uma narrativa que ele não era capaz de ganhar durante a temporada e nos Playoffs. Em 2020, foram 5 vitórias apenas para a franquia de Detroit, mas o QB era obrigado a enfrentar a própria defesa, que permitia a maior marca de pontos da NFL (32,4). Algo muito diferente do que ele encontrará na nova casa.

O talento do braço de Stafford, capaz de acertar com precisão passes de 40/50 jardas, deixará as defesas adversárias em situações complicadas, já que o sistema de Sean McVay costuma utilizar muito bem o jogo corrido e é capaz de vender de forma primorosa o play-action. O QB é muito perigoso nesse tipo de jogada, registrando uma nota da PFF de 91,9 (11ª maior marca da NFL) e acertando um total de 660 passes, a sétima maior marca de 2009 a 2020. Nesse mesmo período de tempo, ele contabilizou para um total de 42 touchdowns em play-action (13º).

As movimentações pré-snap também servirão para ajudar o QB, que conseguirá aproveitar mais as janelas dos WRs, que costumam a ficar mais livres em Los Angeles do que em Detroit. Ainda, Sean McVay estudou de forma detalhada Stafford e chegou à conclusão que ele encaixaria como uma luva em seu esquema. 

Stafford não é um quarterback perfeito, mas está facilmente entre os 15 melhores da NFL e, isso, por si só, já coloca os Rams entre os favoritos, pois a franquia seguirá com uma das melhores defesas da liga e também terá um ataque prolífico em mãos. A troca, apesar de cara para Los Angeles, deu ao time o que merecia: um QB capaz de vencer jogos em momentos decisivos. Por sua vez, Stafford finalmente terá um time no topo da NFL, algo que Detroit não foi capaz de fazer nos 12 anos que contou com o jogador. 

Os Rams deixaram claro que não se importam com o futuro ao jogar fora mais duas escolhas de primeira rodada. A franquia quer vencer agora porque tem em mãos um time capaz de fazer isso. A única peça que faltava no tabuleiro era um quarterback, que eles encontraram em Matthew Stafford. A pressão agora está no campo San Francisco 49ers, Seattle Seahawks e Arizona Cardinals, os rivais de divisão, que precisam evoluir na offseason porque Los Angeles Rams deu um grande passo para o favoritismo.

Autor: Bruno Nossig

Sou aluno da ECA-USP, graduando em jornalismo. Joguei basquete quando menino e agora escrevo neste site. Meu twitter é @brunonossig.

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