O futuro de Aaron Rodgers e de Green Bay nunca foi tão incerto

Derrota para os Bucs por 31-26 levanta dúvidas sobre futuro dos Packers e Rodgers

A história se repetiu mais uma vez para Aaron Rodgers e o Green Bay Packers. Em 2019, após uma excelente primeira temporada sob o comando de Matt LeFleur, a equipe acabou caindo para o San Francisco 49ers por 37 a 20 na final da NFC, após começar perdendo por 27 a 0 no primeiro tempo. Em 2021 tudo parecia apontar para uma recuperação dos Packers, com a franquia repetindo 13 vitórias e 3 derrotas na temporada regular. 

Aaron Rodgers foi um homem em uma missão, renovou e evoluiu no novo sistema ofensivo, apresentando números brilhantes que o colocam como favorito para o prêmio de MVP. O resultado, porém, foi uma nova decepção. Apagões defensivos, problema de execução das jogadas e chamadas controversas fizeram com que o time perdesse novamente na final da NFC, dessa vez para o Tampa Bay Buccaneers, por 31 a 26.

Os últimos dois anos são apenas um resumo do que foi a Era Rodgers: um time que atropela durante a temporada regular, emociona o torcedor com performances magníficas, mas que bate na trave na tentativa de chegar à final – nas últimas sete temporadas, foram quatro derrotas no NFC Championship Game. 

A derrota para Tampa Bay foi muito dolorida, principalmente porque Green Bay era o grande favorito para chegar ao Super Bowl LV. Após o jogo, Rodgers afirmou que tinha uma “sensação de estripar em seu estômago”, mas não ficou evidente se ele falava da partida em si ou se era uma insatisfação maior sobre sua difícil trajetória em Green Bay.  Deixou a sua frustração ainda mais evidente ao gerar dúvida sobre o seu futuro com os Packers. 

“Existe muita incerteza entrando nesta offseason”, afirmou Aaron Rodgers na coletiva de imprensa. “Vou precisar tirar um tempo, esvaziar a minha cabeça e ver como tudo estará. Mas é muito difícil agora, especialmente pensando nas pessoas que poderão ou não poderão estar aqui. Mudança é a única coisa constante neste negócio. É muito difícil chegar neste ponto – realmente muito, muito difícil”.  O quarterback ainda fez questão de adicionar: “Os futuros de vários jogadores são incertos, inclusive o meu.” 

Quando o time mais precisava, Davante Adams não conseguiu ser dominante como foi ao longo da temporada. Valdez-Scantling fez um bom jogo, mas também não foi o suficiente para compensar a ausência de talento no corpo de recebedores e a eficiência dos Bucs em parar o jogo terrestre. 

O resultado dessa temporada parece ser um grande legado da derrota para o San Francisco 49ers em 2020, quando os Packers decidiram planejar o seu futuro, escolhendo dois projetos com as duas primeiras escolhas do Draft de 2020. 

Primeiro, subiram no Draft e escolheram Jordan Love, QB de Utah State, para ser o sucessor de Aaron Rodgers, algo semelhante ao que vimos quando os Packers selecionaram Rodgers com a 24ª escolha, mesmo ainda contando com o Hall da Fama Brett Favre. Na segunda rodada, mesmo tendo problemas no corpo de linebackers e WRs, o general manager Brian Gutekunst e companhia, optaram por escolher A.J Dillon, um running back pouco utilizado em 2020, mas que gera opções em 2021, já que os contratos de Aaron Jones e Jamaal Williams chegam ao fim nesta temporada. Deixaram muito evidente que a prioridade era o futuro da franquia e não o seu presente, ou seja, não era Aaron Rodgers.

Foi uma ironia do destino o time perder pela segunda vez seguida por muito pouco na final da NFC, após repetir o recorde de 13-3 na temporada regular. No final o time sentiu a ausência de algumas peças, mas durante a offseason a ideia não era investir tudo para tentar vencer o SB LV – vale lembrar também que Brian Gutekunst não quis trocar por um wide receiver antes da trade deadline, o que fez falta no jogo final da temporada. A maior ironia possível é que o tão criticado A.J Dillon parecia ser a esperança de evolução do jogo terrestre contra os Bucs. Ele foi mais efetivo que Jones e Williams quando teve a bola nas mãos, mas foi pouquíssimo utilizado por Matt LeFleur, que não deu uma chance para a tão sonhada redenção final do atleta e do Draft dos Packers. 

O grande problema é que a franquia pode ter perdido sua última oportunidade de vencer com Aaron Rodgers. Como o próprio QB evidenciou, muitos atletas vão deixar o time e os Packers possuem um Cap Space negativo de 28 milhões entrando em 2021. Será necessário ter uma postura totalmente oposta ao que foi a offseason de 2020 para que Green Bay possa competir por um Super Bowl, e quem sabe, finalmente, venha um recebedor para ficar ao lado de Davante Adams e servir como uma segunda peça para Rodgers. 

Independente de ser um projeto, Jordan Love põe pressão em Rodgers porque regride ele de QB da franquia para um jogador cujo futuro depende da sua performance ano a ano. Green Bay tem a opção de cortar Rodgers nesta offseason e apostar em Love, o que abriria 22 milhões no Cap, apesar deixar “preso” 17 milhões. A movimentação daria mais abertura para a manobra e investimento nesta intertemporada, mas não vai acontecer porque, bom….nenhuma franquia cortaria um QB que um ano antes brigou pelo MVP. 

O próprio CEO dos Packers, Mark Murphy, foi a público após os diversos rumores para garantir a torcida: “Não somos idiotas, Aaron Rodgers vai voltar, ele é o nosso líder”. O quarterback ainda participou do Pat McPhee Show e acalmou os torcedores afirmando: “Não encontro motivos para não estar de volta (a Green Bay)”. Ainda assim, fez questão de encerrar a sua fala com um certo enigma: “mas como sabemos não existe um absoluto neste negócio.”

O QB sabendo que o seu sucessor já se encontra em Green Bay, está interessado em receber um novo contrato. Será interessante ver o quão comprometida a franquia ainda está com ele e quanto dinheiro será colocado na mesa para manter um jogador de 37 anos, que vem de sua melhor temporada na NFL. Rodgers, assim como Brett Favre no passado, quer se sentir desejado e mostrou que ainda é um QB top-5 da NFL. Em 2020, ele acertou 70,1% dos passes e produziu 45 touchdowns, maiores marcas da carreira, além de registrar o segundo maior passer rating de sua passagem na liga (121,5). 

Matt LeFleur fez questão de falar depois do jogo que Rodgers é o QB dos Packers e que quer ter ele por mais tempo. Mas, um relacionamento que parecia ser tão perfeito entre o técnico e seu QB mostrou ter rachado um pouco, quando Rodgers se mostrou inquieto sobre a opção de chutar o Field Goal no final do jogo: “Não foi minha decisão.”

É ainda mais difícil acreditar que a franquia, enrolada em um Cap Space negativo, queira comprometer ainda mais o seu dinheiro em um jogador que se aproxima do final de sua carreira – sendo que a mesma franquia não investiu o suficiente em 2020 e optou por esquecer que tinham um time capaz de ganhar o SB LV. Por outro lado, não deixar Rodgers satisfeito pode fazer com que ele peça uma troca e se junte ao mercado que já conta com Deshaun Watson e Matthew Stafford.

É engraçado pensar que o futuro de Rodgers parece mais incerto na offseason de 2021 do que na offseason de 2020 – quando tinha números decepcionantes, não se mostrava confortável com o ataque de Matt LaFleur e Jordan Love havia acabado de chegar. Seria um resumo perfeito que a Era Rodgers acabasse novamente no “quase” e não com um título, com o QB deixando Green Bay com a sensação de que a franquia não tinha conseguido aproveitar todo o seu potencial. 

Autor: Bruno Nossig

Sou aluno da ECA-USP, graduando em jornalismo. Joguei basquete quando menino e agora escrevo neste site. Meu twitter é @brunonossig.

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