Transferência da semana: Luis Suárez chega ao Atlético com muito gás no tanque

Atacante uruguaio leva pontaria de qualidade ao time de Diego Simeone e provará que o Barcelona errou ao descartá-lo com crueldade

Arte: André Martins

Seis anos de Barça, 198 gols, 97 assistências, 13 títulos conquistados – entre eles, a Liga dos Campeões de 2014/15 –, chuteira de ouro da La Liga 2015/16, peça-chave do emblemático trio MSN, terceiro maior artilheiro da história do clube e… dispensado com requintes de muita crueldade. A saída de Luis Suárez é mais um capítulo abominável da crise no clube catalão, que entrou em erupção após a derrota para o Bayern de Munique, por 8 a 2.

Os números do camisa 9 do Barcelona não explicam por que ele foi tratado com tamanho desdém pelo presidente Josep Bartomeu e pelo novo treinador da equipe, Ronald Koeman. Suárez entregou 21 gols e 12 assistências na temporada, teve média de 0,6 gol por jogo na La Liga de 2019/20, atrás apenas de Lionel Messi, e esteve envolvido em 28% dos tentos do time no torneio. A participação no ataque foi boa em um Barça com baixo volume ofensivo, graças a comandos irregulares de Ernesto Valverde e Quique Setién.

Fato é que, com contrato até 2021 e salário alto, El Pistolero virou carta fora do baralho. A Juventus o procurou para ser a dupla de Cristiano Ronaldo, mas quem levou foi o Atlético de Madrid, em transferência livre com bônus de 6 milhões de euros (R$ 38,8 mi). Se conseguir manter o nível físico, o uruguaio de 33 anos será a referência no time de Diego Simeone pelas próximas duas temporadas.

Durante boa parte de 2019/20, o Atlético jogou em uma espécie de 4-4-2, com João Félix de segundo atacante ao lado de um centroavante de ofício. Álvaro Morata, que foi para a Juventus, foi a principal peça nessa posição e fez 16 gols e 4 assistências. Diego Costa não vive boa fase e seguiu como opção no banco de reservas. São atacantes mais fixos, com pouca participação na criação.

El Pistolero adiciona muitas mais possibilidades ao jogo do Atleti, graças à sua mobilidade no ataque e qualidade com a bola no pé. Suárez teve média de 27,2 passes completos por jogo no Campeonato Espanhol contra 18,1 de Morata, por exemplo. Logo em sua estreia no domingo (27), contra o Granada, o uruguaio deu uma boa amostra do que vem por aí: dois gols e assistência em pouco mais de 20 minutos jogados.

Ter uma referência com facilidade para finalizar e ainda ajudar na criação é crucial para um time que busca – e precisa – ser mais propositivo, depois de temporadas apostando em um futebol reativo em competições europeias. É o que se espera de uma equipe que gastou mais de 250 milhões de euros em 2019 para reformular o plantel.

Ao Barcelona, resta a esperança de um futuro condizente com o tamanho da instituição que se diz més que un club. As imagens do 8 a 2, de Suárez chorando dentro do carro ao deixar a Ciudad Deportiva Joan Gamper pela última vez, de Messi desistindo de entrar em briga judicial com o clube são apenas sinais do despedaçamento de um projeto. Seria o último pedaço o inadiável adeus do maior ídolo da história?

“Você merecia uma despedida como o que é: um dos jogadores mais importantes da história do clube. […] Mas a verdade é que a esta altura já nada me surpreende”

Lionel Messi, sobre a saída de luis suárez

Edouard Mendy (Chelsea): Dai luvas a quem só possui alfaces, Roman Abramovich

Há pouco mais de dois anos, o Chelsea pagou 80 milhões de euros (R$ 348 milhões) ao Athletic Bilbao e transformou Kepa Arrizabalaga no goleiro mais caro da história. Hoje, ele disputa posição com o super contestado Willy Caballero.

O 2019/20 do arqueiro espanhol foi terrível na Premier League: média de 1,42 gols sofridos por 90 minutos, apenas 8 clean sheets, percentual de 54,5% de defesas e um saldo de gols esperados após o chute menos gols concedidos (Post Shot xG – goals allowed) de -9,6 – de acordo com esta métrica, ele tomou quase 10 gols a mais do que deveria. Foi o pior do campeonato nos últimos dois quesitos.

Arte: André Martins

Kepa mostrou logo na 1ª rodada da Premier League 2020/21, contra o Liverpool, que o problema deixou de ser meramente técnico: é psicológico. Assim, o Chelsea encontrou um espaço no orçamento para investir 25 milhões de euros (R$ 157 mi) em Edouard Mendy, goleiro de 28 anos ex-Rennes e titular da seleção de Senegal. Mendy entregou números muito superiores aos de Kepa na Ligue 1 2019/20: 0,8 gol concedido por 90 minutos (2º da liga), 9 clean sheets (em 24 jogos), percentual de 78,4% de defesas (3º da liga) e saldo positivo de +1,7 entre xG após o chute e gols concedidos.

A tendência é que Mendy assuma a titularidade e tenha uma competição pela vaga com Kepa, que ainda não é item de descarte. Adaptar-se à liga e à qualidade superior de finalização dos adversários é um desafio. No entanto, é possível que um pouco de mística ajude nesta transferência: o 1º goleiro a se transferir do Rennes para o Chelsea foi ninguém menos que Petr Čech.

Nélson Semedo (Wolverhampton): Mais um português para Nuno Espírito Santo

O badalado Wolves perdeu o ala Matt Doherty para o Tottenham nesta intertemporada. O irlandês sempre atuou aberto em um esquema 3-4-3 e criou uma excelente parceria com o ponta Adama Traoré pela direita, a ponto de marcar 14 gols e dar 12 assistências nas últimas duas temporadas. Para substituir uma peça-chave no ataque, nada melhor do que mais um português, o décimo a integrar o elenco laranja.

Arte: André Martins

Por um valor alto de 30 milhões de euros (R$ 194 mi), Semedo se junta à barca que deixa o Barcelona. Ele nunca caiu nas graças da torcida azul-grená, principalmente pela dificuldade na recomposição defensiva, mas terá mais liberdade para florescer sua criação no ataque como ala. Alguns números indicam que este é um aspecto do seu jogo em evolução. Ele deu 118 passes para o terço final do campo em 2019/20, contra apenas 54 em 2018/19, e realizou 1,42 ações que resultam em finalização a cada 90 minutos, contra 1,13 na temporada anterior.

Luís Henrique (Olympique de Marseille): Bom negócio para o Olympique, péssimo negócio para o Fogão

O êxodo de jovens talentos do futebol brasileiro nunca foi tão real e voltou a atingir um clube com muita dificuldade financeira. Luís Henrique, um ponta-esquerda de 18 anos de muito destaque no sub-20, deixa o Botafogo após pouco mais de 20 partidas na equipe principal. Seu destino será o mesmo de Jairzinho, ídolo alvinegro, na década de 1970: o Olympique de Marseille, por 12 milhões de euros (R$ 78 mi).

Arte: André Martins

Para o Fogão, a perda é inestimável. Financeiramente, ficará com apenas 60% da transferência, mas ainda assim será a venda mais cara da história do clube. Esportivamente, o time de Paulo Autuori, que aposta bastante no contra-ataque, perde a sua única opção de velocidade pelos lados. No Olympique, Luís Henrique terá uma transição gradual à equipe principal, que atua em um 4-3-3 com Dimitri Payet e Florian Thauvin abertos pelas pontas.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s