Transferência da semana: Thiago Alcântara pode ser o mestre de obras do Liverpool

Meio-campista da seleção espanhola se despede do Bayern para levar qualidade técnica à eletricidade de Jürgen Klopp

Na biografia escrita por Raphael Honigstein, o Gegenpressing de Jürgen Klopp é descrito como “frenético”, com o objetivo de criar problemas ao adversário o tempo todo. Este sistema é um dos responsáveis pelas glórias recentes do Liverpool e pela aclamação do seu simpático mestre alemão. Agora, com Thiago Alcântara, vem um tão sonhado tempero de elegância à frenesia.

Arte: André Martins

Aos 29 anos, Thiago chega aos Reds por € 30 milhões (+ € 5 milhões em bônus) e com muita história para contar. No Bayern de Munique, o espanhol conquistou sete vezes o Campeonato Alemão, quatro vezes a Copa da Alemanha e encerrou sua passagem de muito sucesso com os bávaros com o título da Liga dos Campeões – com direito a atuação de gala na final, contra o Paris Saint-Germain. Mesmo sendo um meio-campista mais defensivo, anotou 31 gols e 37 assistências em 235 jogos. Deixará muitas saudades nas bandas da Allianz Arena.

Thiago é um jogador criativo, faz a bola correr como poucos. Na Bundesliga de 2019/20, foi o meio-campista com mais passes longos bem-sucedidos por jogo, com média de 6,2 (e apenas 1,8 incompletos), e teve ainda uma média de 82,6 passes completos por 90 minutos, com 90,5% de precisão. Defensivamente, usa a inteligência tática a seu favor e também obtém bons números: ele completou, em média, 2,3 desarmes e 2,3 interceptações por 90 minutos na temporada.

Outro ponto de destaque no seu repertório é a capacidade de se livrar da pressão e manter o controle de bola, algo muito importante para um playmaker recuado como Thiago, que costuma buscar jogo entre os zagueiros. Ele teve uma média de 3,6 dribles a cada 90 minutos na liga alemã em 2019/20, um dos líderes no quesito, com taxa de sucesso de 85,7%. O número é muito superior ao de qualquer jogador do meio-campo do Liverpool – Keita teve a maior média de dribles/90min (2,3), com 82,1% de sucesso.

Apesar de nunca ter números inflados de criação no ataque, o atleta de 29 anos sempre foi muito versátil. Thiago iniciou sua trajetória no Bayern como 2º homem de meio-campo em um 4-3-3 de Pep Guardiola. Em 2016/17, Carlo Ancelotti fez o espanhol atuar mais avançado, à frente de Xabi Alonso e Arturo Vidal, e ele registrou sua temporada com maior número de gols (9) e assistências (9). Mais recentemente, revezou entre as funções de “camisa 6” e “camisa 8” na equipe vertical e sufocante de Hans-Dieter Flick, que joga em um 4-2-3-1 com Müller centralizado na linha de três.

Klopp sempre teve à disposição no Liverpool um meio-campo operário e polivalente. Os titulares Fabinho, Jordan Henderson e Georginio Wijnaldum são intensos, competentes, fazem o trabalho sujo e mantém as estruturas da equipe sólidas. No entanto, o brilhantismo é pura responsabilidade do trio ofensivo, e as jogadas de ataque, bastante diretas, costumam partir dos lados do campo. Apenas 26% do ataque do Liverpool se concentra pelo meio, segundo a Sky Sports.

Thiago adiciona a possibilidade de uma nova dinâmica, de configurar um meio-campo mais inventivo. Se o atleta não tiver problemas para se adaptar à intensidade da Premier League, o engenheiro Jürgen Klopp não pensará duas vezes antes de torná-lo seu mestre de obras, para edificar os próximos sucessos do lado vermelho do rio Mersey.

Gareth Bale (Tottenham): o bom filho à casa torna para reviver a carreira

Após sete temporadas, Gareth Bale volta para casa por empréstimo de um ano concedido pelo Real Madrid. Formado nas categorias de base do Southampton, o galês de 31 anos despontou no futebol inglês em 2007, ainda como lateral-esquerdo, vestindo a camisa do Tottenham. Na temporada de 2012/13, a última em White Hart Lane, anotou 26 gols e 15 assistências. Depois, virou o jogador mais caro do planeta ao se transferir para o clube merengue por € 101 milhões.

Arte: André Martins

É difícil saber qual Gareth Bale aterrissará em Londres. Certamente, é um jogador de menos entrega física em relação àquele que deixou o Tottenham, destacando-se como um meia pela esquerda. Também não tem o primor técnico da era “BBC”, quando se consagrou como ponta-direita ao lado de Benzema e Cristiano Ronaldo e rendeu quatro taças europeias ao Real Madrid. Foram 62 partidas, 17 gols, nove assistências, algumas vaias e mais outras lesões desde o lindo gol de bicicleta contra o Liverpool na final da Liga dos Campeões de 2017/18.

Por aqui, preferimos acreditar que Bale ainda pode causar um belo estrago na Premier League. É uma opção muito interessante para José Mourinho, que tem dificuldades para definir o trio da 2ª linha de meio-campo dos Spurs desde a sua chegada, em novembro. Como o sul-coreano Son é mais efetivo pelo lado esquerdo, o galês deve seguir pela direita como um ponta-invertido. É a chance de ouro para reviver o futebol que encantou o mundo.

Sergio Reguilón (Tottenham): peça importante com cláusula perigosa para os Spurs

Ainda no elenco de José Mourinho, as laterais eram as principais deficiências. Após resolver o problema na direita com Matt Doherty, ex-Wolves, o Tottenham foi atrás de Sergio Reguilón para melhorar o nível do lado esquerdo. O espanhol de 23 anos, que também interessava ao Manchester United, foi adquirido junto ao Real Madrid por € 30 milhões. O grande problema é que há uma cláusula de recompra por € 40 milhões, válida para as próximas duas temporadas.

Arte: André Martins

Emprestado ao Sevilla, Reguilón marcou 2 gols e deu 4 assistências em 29 partidas na La Liga de 2019/20, além de ser um dos destaques da equipe no título da Liga Europa. O lateral-esquerdo se destacou pela capacidade de contribuir no ataque, com dribles e criação de chances, além de se mostrar seguro na defesa, principalmente pelo chão.

Em relação a Ben Davies, titular dos Spurs, o espanhol teve mais passes decisivos (1,5 x 0,6) e dribles bem-sucedidos por 90 minutos (1,6 com 71% de sucesso x 0,6 com 50% de sucesso). Chega para assumir a posição.

Edin Dzeko (Juventus) e Arkadiusz Milik (Roma): toma lá, dá cá nos ataques italianos

Arte: André Martins

Se alguém ainda sonhava em ver Cristiano Ronaldo e Luis Suárez juntos, a chegada do bósnio Edin Dzeko à Juve por € 15 milhões praticamente frustra qualquer possibilidade de isso acontecer. O centroavante de 34 anos foi tratado como prioridade na janela, e seus 106 gols e 50 assistências em cinco anos na Roma justificam o interesse. 

Andrea Pirlo testou um 4-4-2 que varia para 3-5-2 no ataque no único amistoso da pré-temporada da Velha Senhora. As possibilidades de encaixe são interessantes, tanto ao lado de Cristiano Ronaldo ou para substituí-lo em certas ocasiões. Se a opção for por um trio de ataque, CR7 pode voltar à ponta-esquerda e atuar como segundo-atacante, enquanto Paulo Dybala joga pela direita.

Arte: André Martins

Com a enorme lacuna deixada pela saída de Dzeko, a equipe da capital foi atrás de Arkadiusz Milik, do Napoli. A transferência deverá ser confirmada nos próximos dias por valor próximo a € 25 milhões.

No sul da Itália, o centroavante polônes de 26 anos não correspondeu às expectativas e custou a repetir o sucesso estrondoso dos anos de Ajax. O melhor momento foi na temporada 2018/19, quando foi titular absoluto com Carlo Ancelotti e colocou 17 bolas nas redes. No entanto, voltou a cair de rendimento após a parada da pandemia e fez o Napoli ir atrás de Victor Osimhen. Milik será o único centroavante de origem no elenco de Paulo Fonseca, que arma a Roma em um 3-4-2-1.

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