Transferência da semana: Grêmio e São Paulo ganham com troca de Éverton e Luciano

Tricolor gaúcho encontra reposição de Everton Cebolinha, enquanto clube paulista busca referência no ataque

(Arte: André Martins)

Trocas de jogadores não são muito comuns no mercado de transferências, mas a crise econômica gerada nos clubes de futebol obrigou uma certa adaptação. Pensando em menos gastos, Grêmio e São Paulo tiveram soluções criativas para dar mais opções a Renato Portaluppi e Fernando Diniz, respectivamente. A troca dos atacantes Éverton e Luciano é  interessante para os dois clubes que buscam solucionar problemas do atual elenco, mas tanto o tricolor gaúcho quanto o paulista seguem com questionamentos importantes.  

No caso do Grêmio, a análise é mais fácil. Após a saída de Everton Cebolinha para o Benfica, o clube precisava reforçar o ataque, já que apenas Alisson e Pepê sobraram como opções de velocidade pelo lado do campo. De fato, Éverton chega em má fase – já que foram apenas 8 jogos e um gol em 2020, e 31 partidas e 2 tentos no ano anterior. Mas o treinador Renato Portaluppi costuma a tirar proveito deste tipo de jogador. O Grêmio reviveu a carreira de Cortez, Maicon e, mais recentemente, a de Diego Souza – curiosamente, todos também tiveram passagens decepcionantes no São Paulo. Por outro lado, não conseguiu manter o nível de Luciano, que vinha de boa fase no Fluminense, mas acabou marcando apenas 8 gols em 36 partidas na equipe gaúcha.

O Grêmio aposta em uma possível salto de produtividade de Pepê, o que ficou evidente quando o clube renovou o contrato do jogador nesta semana e deu um salário muito maior ao atacante de 23 anos. Mas Éverton pode ser o próximo atleta a ressurgir no Tricolor gaúcho. Não podemos esquecer que o atacante de 31 anos teve bons momentos no Flamengo antes de chegar ao São Paulo, e viveu uma ótima fase sob o comando de Diego Aguirre no Tricolor paulista. 

Ainda assim, a troca também cria problemas dentro do plantel do Grêmio, já que o clube precisa buscar opções para o banco de Diego Souza. No empate de 1 a 1 contra o Flamengo nesta quarta-feira, sem contar com Luciano e com a lesão de Diego Souza, o meio-campista Isaque foi improvisado como atacante. 

A troca também é positiva para o São Paulo, pois Pablo não sustentou as expectativas no ataque e, como vimos na última quarta-feira (19), Pato rescindiu seu contrato com o clube. Luciano chega como a primeira contratação da “Era Diniz”, mas também entra no momento que o treinador tem sua pior fase no time e começa a sofrer com grande pressão da torcida. 

O atacante viveu seu melhor momento sob o comando de Fernando Diniz quando ainda estava no Fluminense. Foram 31 partidas sob o comando do treinador e 15 gols marcados. O ano de 2019 também foi o melhor de sua carreira, com 20 gols em 51 partidas, mas 2020 não começou como o esperado e, como dito acima, a produtividade não o acompanhou no Grêmio.

Luciano pode tentar virar a página no São Paulo e, de fato, começou com o pé direito, ao marcar em sua estreia e garantir o empate de 1 a 1 com o Bahia nesta quinta (20). A boa fase com Diniz parece continuar, já que gol também foi visto como uma forma de “salvar a pele” do treinador, que tem seu trabalho questionado pela torcida e por muitos conselheiros do clube.

O problema é que a saída de Éverton também causa um buraco no elenco do São Paulo. As únicas opções de velocidade dentro do clube são os jovens Helinho e Paulinho Boia, que ainda não conseguiram deslanchar no time profissional. Por outro lado, o clube possui muitas opções no ataque, como Pablo e Gonzalo Carneiro. Antes da troca acontecer, Diniz afirmava que Luciano podia jogar aberto, o que não seria a melhor opção, pois tiraria o jogador da posição de referência, onde viveu sua melhor fase no Fluminense. 

Com a troca, o São Paulo perde uma peça que não tinha sucesso com Diniz e pode ganhar outra mais eficiente. Mas ela também reforça outra necessidade do atual elenco do tricolor: a falta de velocidade e drible pelo lado do campo. Outro reforço ainda é necessário. Luciano é uma boa opção para o ataque tricolor, mas não resolve o grande problema do time, a falta de velocidade e drible no último terço do campo.

A experiência espanhola 

Após uma ótima temporada, a Real Sociedad já anunciou o principal reforço para 2020/21 sem precisar gastar um centavo: David Silva. O experiente meia espanhol deixou o Manchester City após 10 anos no clube inglês, onde disputou 436 jogos oficiais, marcando 77 gols e conquistando 13 títulos. A contratação é de extrema importância para o clube espanhol, que não contará mais com Martin Ødegaard, que retornou do empréstimo junto ao Real Madrid. 

Silva, vitorioso jogador de 34 anos, parece caminhar para o último ciclo da carreira, mas o casamento com a Real Sociedad ainda pode gerar muita alegria ao torcedor basco, que segue na esperança de melhores resultados no Campeonato Espanhol ou de título inédito da Liga Europa.

Aposta e experiência para a joia brasileira

O talento de Renier ficou perceptível quando o atacante marcou seis gols em 14 jogos pelo Flamengo no Campeonato Brasileiro de 2019. Tanto que rendeu ao brasileiro a transferência para a Espanha. Mas é muito mais difícil encontrar espaço no Real Madrid, conhecido por suas grandes estrelas (entre elas Rodrygo e Vinicius Jr.). Ainda assim, o jovem de apenas 18 anos terá essa chance, após ser emprestado esta semana para o Borussia Dortmund, onde passará as próximas duas temporadas. A estratégia já deu certo para o Real no passado, com o lateral Achraf Hakimi sendo emprestado ao clube alemão e tendo performances impressionantes que o valorizaram muito no mercado. 

Para o Dortmund, Renier se torna uma opção interessante no elenco e um jogador que pode crescer muito ao longo da temporada. Jadon Sancho ainda pode deixar o clube em meio aos constantes ataques do Manchester United e contar com uma reposição “barata” é sempre valioso. Mas, mesmo que Sancho fique, Renier representa uma opção diferente do inglês: um velocista – característica que o Borussia não possui nos pontas e meias ofensivos do atual plantel.

Achando uma reposição para o goleiro da temporada

Dean Henderson, fundamental para que o Sheffield United terminasse na 9ª colocação da Premier League, voltou para o Manchester United, onde deve lutar pela titularidade com David de Gea. O retorno fez com que o Sheffield tivesse que buscar alguém no mercado. Nesta semana, o clube anunciou a repatriação de Aaron Ramsdale por 18,5 milhões de libras (R$ 135,5 milhões). O inglês de 22 anos fez 37 partidas pelo Bournemouth no Campeonato Inglês e foi um dos destaques do time, apesar do rebaixamento para a Championship. 

O mais interessante é que esta será a segunda passagem de Ramsdale pelo Sheffield. O goleiro foi formado nos Blades, onde assinou o seu primeiro contrato como profissional e fez parte do elenco de Chris Wilder na temporada 2016/17, quando o clube estava na League One, a terceira divisão inglesa. Naquele mesmo ano, o jogador acabou sendo vendido ao Bournemouth por 940 mil euros (equivalente, na época, a R$ 3,1 milhões). Agora, como já diria o ditado popular: “o bom filho, à casa torna”. Se adaptarmos a gíria para o futebol atual: o filho até volta para casa, mas custando muito mais dinheiro…

Autor: Bruno Nossig

Sou aluno da ECA-USP, graduando em jornalismo. Joguei basquete quando menino e agora escrevo neste site. Meu twitter é @brunonossig.

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