Arremesso de Ben Simmons, retorno de Nurkic e a loucura dos Nuggets: as novidades mais interessantes da NBA em Orlando

Amistosos antes do retorno da NBA deram sinais de um mundo diferente da liga

(Imagem: Getty Images. Arte: André Martins)

Os amistosos preparatórios chegaram para saciar um pouco da saudade que os torcedores tinham dos principais times e jogadores da NBA, mas já está na hora da temporada retornar de verdade. Assistir aos confrontos com defesas mais fracas, atletas menos dedicados, estrelas fora do último quarto apenas aumenta o desejo de que tudo recomece de verdade. 

O retorno provocou algumas mudanças muito interessantes na NBA. Ben Simmons começou a chutar de 3 e vários jogadores lesionados retornaram. Mas ainda não temos todas as respostas para inovações que surgiam depois da trade deadline, como, por exemplo, o extremo small ball do Houston Rockets.

O Intervalo em 5 separou algumas das novidades mais interessantes para se acompanhar com a volta da NBA:

Ben Simmons e a vontade rejuvenescida de chutar de três

Era evidente para todos o grande problema dos 76ers: Ben Simmons se recusava a chutar de três – ou até mesmo de média distância. Não é que ele era ineficiente ou possuía números horripilantes nos arremessos do perímetro, e sim que o jogador se recusava a olhar para a cesta quando estava nesta região da quadra. Nos 54 jogos da temporada antes da parada, foram apenas três chutes do perímetro.

Tal fator gerava uma série de problemas: Embiid tinha que se colocar mais vezes atrás da linha de três e o adversário dava um espaço estratosférico quando Simmons tinha a bola no perímetro – o que facilitava muito a marcação adversária e impedia que um quinteto contendo Embiid, Simmons e Al Horford fosse eficiente. Isso já podia ser percebido nos últimos playoffs, quando a equipe foi eliminada pelos Raptors na semifinal da Conferência Leste. No meio da série, o técnico Brett Brown decidiu tirar a função de armador de Ben Simmons, dando a bola para Jimmy Butler. 

O medo era que isso acontecesse de novo, mas os torcedores de Philadelphia podem sonhar. Vídeos circularam nas redes sociais mostrando a nova e bela mecânica de arremesso de Ben Simmons. Na última sexta (24), em um amistoso contra o Memphis, foi a vez de Simmons comprovar as teorias, acertando um dos dois arremessos que tentou. Ele não voltou a chutar de três nos outros dois amistosos, mas a expectativa é que isso ocorra no retorno da NBA. Contra os Grizzlies ele pelo menos demonstrou confiança:  

Logo antes da pausa, os Sixers vinham mostrando uma gigantesca evolução no aproveitamento de três. Matisse Thybulle parecia mais confortável como um chutador. Shake Milton acertou 45% dos arremessos de três na temporada, sendo que nos últimos 10 jogos antes da pausa a marca subiu para 59,2%. Furkan Korkmaz também assumia com primor a função, sendo um atleta mais agressivo criando o próprio arremesso.

Brett Brown deixou claro a sua intenção de melhorar o aproveitamento nos arremessos de três, lotando o time de chutadores e colocando Al Horford como sexto homem. Ainda afirmou que Ben Simmons se transformará em ala-pivô algumas vezes, dividindo a armação com Richardson e Tobias Harris. Todas as mudanças são importantes e veremos o impacto dela nos últimos oito jogos da temporada. Mas a mudança que realmente impacta o time é também aquele que permite ao torcedor de Philadelphia sonhar: Ben Simmons parece confortável chutando de três.

O gigantesco experimento acontecendo nos Rockets

Existe um grande experimento acontecendo na NBA: o small ball do Houston Rockets. O elenco construído por meio de análises avançadas das estatísticas (uma espécie louca de Moneyball da NBA) pode comprovar que o basquete de isolações, com excelente chutadores e extrema velocidade é o novo caminho do esporte. A evolução do time é algo que precisamos acompanhar com muita atenção na bolha de Orlando. 

A aquisição de Robert Covington no trade deadline revelou o plano de Mike D’Antoni, com o recém-adquirido ala se juntando a P.J Tucker na marcação dos pivôs adversários. A inovação parece dar sinais de eficiência ofensiva. Nos amistosos, já conseguimos ver algumas jogadas surpreendentes e que se tornaram recorrentes antes da pausa. Abaixo temos um exemplo: sem Clint Capela, Harden começa a apostar em Westbrook como seu novo parceiro de ponte aérea. Vamos combinar que é impossível não se divertir com este tipo de jogada:

Outra verdade que D’Antoni usa muito bem a seu favor: não existe maneira de parar James Harden no um contra um. A facilidade que ele possui em se separar para chutes de três, a capacidade de atacar a cesta e sofrer faltas é impressionante. Ao mesmo tempo, ele consegue servir lindas assistências aos arremessadores dispostos na linha de três. Esta nova forma de jogar também tirou o melhor de Russell Westbrook, algo que aprofundei em outro texto

Apesar de todos os sinais que vemos, Houston ainda precisa comprovar que a eficiência ofensiva compensa a dificuldade gerada pela ausência de pivôs. Está na hora de analisar os jogos dos Rockets e descobrir se a NBA está vivendo o seu Moneyball, ou se este momento ficará registrado na história apenas como mais uma loucura do basquete moderno.

Big Ball dos Nuggets: é possível?

odemos estar vivendo uma batalha de crenças na NBA, como o filme da série Star Wars, O Império Contra-ataca: o small ball contra o renascimento dos pivôs. Isto será representado em uma possível série entre Rockets e Denver Nuggets. Mike Malone deixou evidente que prepara a sua tropa para um possível confronto com Houston nos Playoffs – atualmente Denver ocupa a 3ª posição, enquanto os Rockets são o 6º colocado.  

No primeiro amistoso contra os Wizards, no dia 22, Malone começou a partida com cinco pivôs: Jokic, Grant, Bol Bol, Millsap e Plumlee. Além disso, manteve na maior parte do tempo ao menos quatro pivôs em quadra – algo extremamente inusitado. O técnico voltou a repetir o conceito nos outros dois jogos, contra New Orleans e Orlando, dando a impressão de que planeja usar a ideia em todas as partidas – não somente em uma possível série contra os Rockets.

Grant, Millsap e Michael Porter Jr. oferecerão capacidade de chutar de três, além de atacar o garrafão – onde terão vantagem física. O novato Bol Bol apareceu nos amistosos como uma peça chave, já que é impossível marcar um jogador de 2,18 metros, com um ótimo aproveitamento de três e capacidade de driblar armadores.

Jokic seria responsável na armação junto com o único “baixinho” que restaria no time. Esta função que poderia ser exercida por: Jamal Murray (com uma gama de armas ofensivas), Will Barton (uma mescla de eficiência ofensiva e defensiva) ou Torrey Craig (um especialista na defesa, que seria responsável por parar James Harden – ideia que foi levada a cabo contra o Magic, com Craig começando a partida ao lado dos pivôs). Se Houston quer forçar aumentando a velocidade do jogo, os Nuggets atacarão com altura e força física, mas sempre mantendo a ideia que rege o basquete atual: o bom aproveitamento na linha de três. 

A ideia não é tão insana assim. Estou cada vez mais propenso a acreditar nela, e o estilo de jogo pode forçar os Clippers ou Lakers a uma adaptação durante os jogos. Enquanto vivemos no plano teórico, o desejo é que o confronto entre Rockets e Denver aconteça.

Retorno de Nurkic e o renascimento de Portland

Jusuf Nurkic tinha uma temporada impressionante em 2018-19, mas acabou quebrando a perna no dia 25 de março de 2019 – lesão que o tirou do restante do ano. Até aquele momento ele era um dos seis atletas a ter médias acima de 15 pontos, 10 rebotes, três assistências e uma bola roubada – se juntando a Joel Embiid, Giannis Antetokounmpo, Anthony Davis, Karl-Anthony Towns e Nikola Vucevic. 

O bósnio vai agregar muito para o Portland Trail Blazers, que precisa fugir da ineficiência gerada pelas estatísticas vazias de Hassan Whiteside – vamos combinar que os números gerais dele não mostram as suas falhas defensivas. Nurkic oferece qualidade de passe, força defensiva e qualidade nos arremessos que Whiteside não tem.O retorno de Zach Collins reforça ainda mais o garrafão e torna os Blazers um dos favoritos pela última vaga dos playoffs.

Nurkic e Collins se juntarão a Damian Lillard, Carmelo Anthony e C.J McCollum para formar o melhor quinteto titular entre os times que brigam pela oitava vaga dos playoffs na Conferência Oeste. Zion pode carregar os Pelicans, Ja Maront pode decidir para os Grizzlies e Nurkic entra como a peça que faltava para os Blazers.

J.R Smith e Dion Waiters com LeBron James

Muitos torcedores não esquecem o que J.R Smith fez no primeiro jogo das Finais de 2018. Desatento, o ala-armador pegou o rebote no lance livre e acreditou que os Cavs venciam a final da NBA, mas o jogo estava empatado. O lance custou a vitórias de Cleveland e fez com que uma atuação de 51 pontos de LeBron James não fosse premiada. Desde aquele momento, ele perdeu importância na liga, sendo cortado e ficando sem ofertas. 

J.R chega para garantir profundidade na armação, já que o time não conta Rajon Rondo (lesionado) e Avery Bradley (que não viajou para Orlando). O mesmo acontecerá com Dion Waiters, cuja trajetória de polêmicas dentro e fora da quadra fizeram com que ele perdesse o contrato com o Miami Heat.

No último amistoso contra os Wizards, J.R acertou seis dos sete arremessos de três que tentou, contribuindo com 20 pontos na partida. Além do ótimo aproveitamento no perímetro, J.R é uma peça interessante na defesa e consegue criar jogadas com seus dribles – ainda que muitas vezes force lances bisonhos que os fãs nunca esquecem. Bom, vamos ao que importa: esta ponte aérea para o Dwight Howard.

Dion Waiters também oferece muito na criação de jogadas. Isto será importante para os Lakers, já que a função está nas costas de LeBron James e Anthony Davis. Mas, assim como J.R, Waiters é conhecido por ser “8 ou 80”: ou acumulará erros ou fará jogadas maravilhosas, como no exemplo abaixo. 

Extra: Andre Roberson jogará pelo Thunder

O ala do Thunder não participa de um jogo da NBA desde o dia 27 de janeiro de 2018, quando sofreu uma lesão horripilante (rompeu o tendão patelar) contra o Detroit Pistons. Só para entendermos melhor o que acontecia na NBA naquela época: LeBron estava nos Cavs, os Warriors possuíam um time assustador com Durant e Oklahoma estava no primeiro ano do experimento Russell Westbrook e Paul George.

Andre Roberson já participou de amistosos com o Thunder na bolha de Orlando, mostrando estar saudável e em ritmo para atuar na NBA. Atualmente na 5ª posição da Conferência Oeste e já classificado para os playoffs, o treinador Billy Donovan conta com o reforço de um dos melhores defensores de toda a liga. 

No amistoso contra Philadelphia do último domingo (26), Roberson acertou dois arremessos de três no último minuto do jogo, garantindo a vitória do Thunder. É muito difícil que ele tenha um desempenho tão impressionante como em 2018, mas ajudará em muito o jovem time de Oklahoma, garantindo mais experiência e eficiência defensiva.

Autor: Bruno Nossig

Sou aluno da ECA-USP, graduando em jornalismo. Joguei basquete quando menino e agora escrevo neste site. Meu twitter é @brunonossig.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s