Muitas narrativas circulavam a NBA antes da parada. Onde estávamos?

A NBA retornará com muitos questionamentos após mais de 4 meses de ausência

(Foto: Getty Images/ Arte: André Martins)

A NBA retornará no dia 30 de julho, uma alegria para qualquer torcedor de basquete que estava abandonado desde o dia 11 de março. Desde que Rudy Gobert testou positivo para Covid-19 no Utah Jazz x Oklahoma City Thunder, a liga estava paralizada por completo. 

O tempo impede que tenhamos total compreensão do que vinha acontecendo na NBA, já que estamos a 4 meses sem grandes atuações dos atletas. Em meio a tudo isso, e tendo em vista que só 22 times viajaram para a bolha instaurada no ESPN Wide World of Sports Complex (complexo onde a liga foi instalada, na Disney), o Intervalo em 5 recapitulou as principais narrativas que aconteciam na NBA antes da paralisação:

Los Angeles Lakers começava a voar

Apesar de ter perdido o último jogo na NBA, uma derrota por 104 a 102 aos Nets, o Lakers tinham atingido a sua melhor forma até então. A equipe tinha acumulado 4 vitórias contra times complicadíssimos – Los Angeles Clippers (112 a 103), Milwaukee Bucks (113 a 103), Philadelphia 76ers (120 a 107) e New Orleans Pelicans (122 a 114). Nos últimos 15 jogos, o time havia perdido apenas três confrontos, chegando a 49 vitórias.

O relacionamento dentro de quadra entre LeBron James e Anthony Davis estava em um nível absurdo, com os dois sendo capazes de dialogar em diversas formas. Jogadas perfeitas de corta-luz, fosse com Davis abrindo para o chute de três ou rodando em direção a cesta, ponte áreas maravilhosas, além do respeito mútuo quando qualquer um dos dois atacava no post-up. A estatística comprova isso. Ao todo, LeBron deu 170 assistências para Davis – a maior quantidade que conseguiu dar para um único companheiro de time em toda a carreira. A marca foi atingida em apenas 60 jogos. 

Mas os Lakers voltam com grandes questionamentos, já que muita coisa aconteceu nesse meio tempo. Avery Bradley optou por não ir para a bolha de Orlando para proteger o filho que sofre com problemas respiratórios, e Rajon Rondo lesionou a mão, ficando de fora do restante da temporada. 

Com isso, Kentavious Caldwell-Pope terá importância redobrada, podendo assumir a titularidade. Alex Caruso, que acalenta o coração de muitos fãs, deve ser cada vez mais utilizado pelo técnico Frank Vogel. Os turbulentos Dion Waiter (contratado um pouco antes da parada) e J.R Smith (que chegou para a bolha de Orlando) devem acumular minutos enquanto acertarem os arremessos de três. De fato, são questionamentos importantes, mas se tem um jogador que consegue resolvê-los, seu nome é LeBron James.

Zion Williamson se agiganta e Pelicans cresce na briga pelos Playoffs

Zion impressionou o mundo do NBA após a sua estreia. Ao todo, o jogador registrou 23,6 pontos e 6,8 rebotes em apenas 29,6 minutos por jogo. O mais absurdo era a eficiência nos arremessos, acertando 58,9% dos chutes e 46,2% de três. A qualidade trazida pelo jogador nos 19 jogos que esteve em quadra fez com que os Pelicans vencessem 10 jogos e atingissem a sua melhor forma na última sequência do calendário – que também seria a mais fácil. 

A paralisação deu boas e más notícias para o time de New Orleans. Zion está totalmente saudável e não deve enfrentar restrições de minutos em seu retorno. O atleta parecia em perfeita forma, sendo que vídeos de suas jogadas impressionantes nos treinos já voltavam a viralizar. 

Mas, por conta de uma urgência familiar Zion deixou a bolha de Orlando, ficando 10 dias longes dos treinamentos, retornando na sexta-feira (28). Por ter feito teste diários para Covid-19, dando todos negativos, Zion voltará nesta quarta-feira para os treinos, ficando liberado para a estreia nesta quinta (30).

Na luta pelos playoffs, a equipe precisa assumir a 9ª posição da Conferência Oeste e ficar no mínimo a uma distância de 4 jogos para o oitavo colocado (que hoje é o Memphis Grizzlies), forçando assim um mata-mata. Com grandes nomes como Brandon Ingram, Lonzo Ball, Jrue Holiday e J.J Redick, o time pode acumular vitórias, mas dificilmente conseguirá uma vaga nos Playoffs. Se quiser chegar a pós-temporada, os Pelicans precisam de Zion em sua melhor forma.

A experiência pós-trade deadline do Heat

Miami havia acabado de adquirir Jae Crowder e Iguodala para o restante da temporada, uma das melhores contratações do último dia de trocas da NBA – algo que escrevi em outro texto. Mas, por conta da paralisação, os dois reforços foram vistos poucas vezes juntos em quadra. 

Além da experiência que os dois alas têm, os reforços permitiam que o técnico Erik Spoelstra colocasse uma formação muito forte defensivamente – com Butler, Iggy, Robinson, Crowder e Adebayo, sendo Iggy ou Butler encarregados da armação, função que o próprio Adebayo também poderia exercer. 

Os reforços garantem uma profundidade gigantesca ao elenco. Spoelstra pode optar a jogar com um time alto, tendo Adebayo e outro pivô (Leonard ou Olynyk) em quadra. O treinador pode escolher um quinteto mais baixo enchendo de alas (caso citado acima) ou lotando de armadores, já que tem Tyler Herro, Kendrick Nunn e Goran Dragic à disposição. 

Clippers conseguirão tirar o máximo de Kawhi e George?

Kawhi Leonard e Paul George não conseguiram igualar a grande expectativa gerada na Free Agency de 2019. Os dois atletas têm sofrido com restrições de partidas e minutos – com Kawhi e George tendo, respectivamente, 51 e 42 jogos em 2019/20. 

O grande problema é que a dupla não clicou quando jogaram juntos. Ao todo, foram apenas 24 partidas antes da paralisação, com 17 vitórias e 7 derrotas, um aproveitamento de 70,8%. Mesmo se as duas estrelas tivessem atuado juntos em todos os jogos, os Clippers não ficariam na frente dos Lakers, que venceu 77,8% dos jogos. 

 Ainda assim, George tem sofrido mais que o companheiro – grande problema tem sido a sua falta de durabilidade. Ao todo, foram apenas 29,1 minutos em quadra, pior marca recente da carreira, que dificulta que ele entre em ritmo e dialogue de forma perfeita com Kawhi. 

Mas a pausa foi extremamente benéfica aos Clippers por conseguirem descansar os dois principais jogadores, que estavam sofrendo com lesões ao longo da temporada. A dupla entra descansada e voltam a jogar no elenco mais recheado da NBA, que recentemente adicionou o armador Reggie Jackson e o pivô Joakim Noah. Mas, apesar de todo o talento que os Clippers possuem, a franquia precisa que Kawhi e Paul George se entendam.

A arma secreta dos Bucks: Giannis Antetokounmpo de pivô

Milwaukee vivia a sua pior fase na NBA antes da parada. Após acumular seis vitórias seguidas, a franquia havia perdido quatro dos últimos cinco jogos, sendo que todas as derrotas foram para alguns dos 22 times que estão em Orlando – Miami Heat, Los Angeles Lakers, Phoenix Suns e Denver Nuggets. Mesmo com as constantes derrotas, a força de Raptors, a juventude dos Celtics e as trocas interessantes do Heat, os Bucks ainda eram considerados os grandes favoritos da Conferência Leste. 

Isso aumentou após assinarem com Marvin Williams no meio de fevereiro. Apesar de ter médias de só 4 pontos em 11 minutos com os Bucks, o ala-pivô acerta 41% dos arremessos de três e permite ao técnico Mike Budenholzer utilizar mais vezes um time sem pivôs – no caso de Milwaukee, um time sem nenhum dos irmãos Lopez. 

Após impressionar nos arremessos de três na temporada passada, Brook Lopez acertou apenas 29,6% dos arremessos neste ano, ficando atrás até do irmão, Robin Lopez (34,4%). A marca ruim não é um problema na temporada regular, mas pode se transformar em um problema gigantesco nos Playoffs, quando os adversários costumam a apostar mais na defesa, ou seja, podem permitir que os irmãos Lopez chutem livre e forçar os Bucks  a viverem com a pequena porcentagem de acerto dos dois. 

Caso ela não melhore durante a bolha de Orlando, Mike Budenholzer pode optar por jogar com Antetokounmpo de pivô – colocando Khris Middleton (comumente usado) e o recém-adquirido Marvin Williams como número 4. Essa alternativa é para lá de interessante, já que Giannis jogou 260 minutos como pivô, sendo que os Bucks registraram 140 pontos a mais que os rivais neste intervalo. 

Com grandes estrelas e elencos equilibrados, Raptors, Celtics e Heat crescem como ameaça ao time de Milwaukee. Mas Mike Budenholzer tem muitas armas para superar os rivais.

Autor: Bruno Nossig

Sou aluno da ECA-USP, graduando em jornalismo. Joguei basquete quando menino e agora escrevo neste site. Meu twitter é @brunonossig.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s