O melhor técnico do mundo estará na Premier League

Marcelo Bielsa leva o Leeds ao título da Championship e será uma atração à parte na próxima temporada

Imagens: Getty Images. Arte: André Martins

Não se assuste com o título: não sou eu dizendo isso. Essa fala foi de um tal de Pep Guardiola, que, assim como Pochettino, Simeone e Marcelo Gallardo, tem em El Loco Bielsa uma de suas grandes inspirações. Depois de breves períodos na Lazio e no Lille, Bielsa aceitou o desafio de devolver o Leeds United à Premier League, e em sua segunda temporada ele conseguiu o feito.

O argentino, que, tal como craques como Messi e Icardi,vem da cidade de Rosário, é provavelmente o sul-americano mais influente na história do futebol. Bielsa ganhou seu apelido não apenas pelo temperamento forte, mas pelas inovações que trouxe ao esporte, tanto dentro como fora das quatro linhas.

Para além dos gramados, o técnico trouxe uma dedicação de 24h por dia ao futebol. Foi um dos pioneiros do estudo metódico e minucioso de seus adversários, com grandes dossiês dos rivais, e já admitiu até que a espionagem faz parte de seus métodos de trabalho. Nos treinos, promove atividades extremamente intensas, simulando a realidade dos jogos e fazendo o time reserva atuar como as equipes que os enfrentarão.

Outro ponto interessante é a paixão com que o argentino vê o futebol, e espera que seus comandados tenham forte comprometimento com o clube. Ao chegar ao Leeds, Bielsa fez os jogadores pegaram lixo da rua da cidade, tentando mostrar o privilégio que é ser um jogador de futebol.

Dentro do campo, os times de Bielsa costumam atacar com uma formação muito diferente: o 3-3-1-3, apesar de no papel ser um 4-1-4-1. O volante recua para fazer a saída entre os zagueiros, enquanto os laterais sobem. Os pontas abertos criam espaço no meio do campo para que os meio-campistas possam circular e articular jogadas com passes e tabelas rápidas. Dessa forma, criam-se vários losangos no campo, desde a defesa até o ataque, e os jogadores sempre têm pelo menos três opções de passe.

A ideia é sempre ter paciência para atacar com velocidade na hora certa, com rotações de posição no ataque para confundir os adversários, algo inspirado no carrossel holandês. No esquema, o “1” no meio é o tradicional enganche, responsável por ligar ataque e defesa, distribuindo a bola ao trio de ataque. No caso do Leeds, essa função é feita majoritariamente por Pablo Hernández. Já os pontas são responsáveis por recuar e abrir espaço para infiltrações do atacante e dos meio campistas.

Quando o adversário está mais recuado, a ideia é alargar a linha de defesa oposta e sufocar a outra equipe com o máximo de jogadores possíveis. Os pontas cortam para dentro e abrem espaço para a descida dos laterais. Os contra-ataques também foram armas mortais do Leeds nesta temporada, com uma transição veloz e muito eficiente que gerou vários gols.

Na defesa, o Leeds corre. Não é à toa que o técnico argentino aplica uma linha tão dura de treinamentos visando o melhor condicionamento de seus jogadores. Suas equipes tentam recuperar a bola o mais rápido possível, em um esquema de pressão que mistura marcação individual para eliminar as possibilidades de passe do adversário. Foi desta maneira que a equipe inglesa conseguiu ter a menor média de passes por ação defensiva (5.86) da Championship.

Pep Guardiola, Jürgen Klopp, José Mourinho, Chris Wilder, Nuno Espírito Santo e agora Marcelo Bielsa: a Premier League está recheada de técnicos inovadores e autorais. E é melhor eles se prepararem, porque o argentino com certeza já deve estar estudando seus próximos adversários.

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