Domínio paraolímpico, melhor jogador do mundo e pouco reconhecimento: Futebol de 5 buscará quinto ouro no Japão

Seleção Brasileira busca a invencibilidade nos Jogos Paraolímpicos de Tóquio de 2021

(Arte: André Martins)

NENHUM TIME ENTRA nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2021 tão vitorioso quanto a Seleção Brasileira de Futebol de 5 – esporte praticado por deficientes visuais. O pentacampeonato mundial conquistado em 2018 e o quarto título do Parapan-Americano de 2019 aumentam o favoritismo para os próximos Jogos, mas também criam um ambiente de muita pressão. Com o fortalecimento da Argentina, China e Irã na modalidade, o Brasil será desafiado na disputa pela quinta medalha de ouro paralímpica no Japão.

“Nenhuma outra seleção teve o prazer de colocar uma medalha de ouro no peito. E é por isso que nossa responsabilidade aumenta a cada ciclo”, afirma Cássio, fixo brasileiro.

A ausência de treinos coletivos durante o primeiro semestre de 2020 por conta da crise sanitária do novo coronavírus colaboram para deixar todos os envolvidos ansiosos. Mas enquanto tentam controlar o nervosismo que antecede os Jogos Paralímpicos, adiado para agosto de 2021, os jogadores recordam de forma especial a última edição disputada no Rio de Janeiro, quando subiram ao topo do pódio pela quarta vez seguida.

As arquibancadas cheias respeitaram completamente a modalidade, que requer silêncio da torcida para que os atletas consigam ouvir o som da bola durante os dois tempos de 20 minutos. A cobertura jornalística, a recepção calorosa e a pressão de vencer em casa formaram um clima ao qual os jogadores não estavam acostumados, mesmo fazendo parte de uma das equipes mais vitoriosas da história. “Foi bem mais especial que outras (edições)”, revela Ricardinho, capitão da seleção e autor do único gol na final contra o Irã.

“Ganhar Rio 2016 para mim foi uma sensação inenarrável”, confessa Cássio. “Foi a maior competição que participei e acredito que nenhuma irá superar a atmosfera que envolveu o Rio.”

Além de vencer as quatro paralímpiadas disputadas, o futebol de 5 brasileiro soma seis Copas Américas das nove que participou, tornou-se pentacampeão mundial em sete participações e ainda conquistou a medalha de ouro nas quatro edições do Parapan-Americano. Mesmo assim, os atletas nunca tinham presenciado uma atmosfera semelhante à do Rio de Janeiro em 2016.

“O Brasil tem uma seleção vitoriosa como essa e não sabe que cego joga futebol”, diz o técnico do Brasil Fábio Vasconcellos. “Ainda tem gente que vê ceguinho como coitadinho e não como atleta. Está um pouco melhor, mas deveria melhorar ainda mais.”

O sonho de uma maior visibilidade é de um time que busca manter o domínio e ter mais uma medalha paralímpica para guardar na sala de troféus. Assim como a dor sentida com a ausência de reconhecimento vem de uma equipe que ficou onze anos sem perder um único título. 

A derrota na final da Copa América de 2017 para a Argentina foi duramente sentida por jogadores que esqueceram a sensação de sair das competições sem a taça. O último revés em finais até então tinha acontecido em 2006, quando os hermanos bateram o Brasil na final da Copa do Mundo disputada em Buenos Aires.

Contando com os maiores jogadores do mundo como Cássio, Jefinho, Gledson e Nonato, o Brasil também tem em seu capitão um dos pilares de uma geração vitoriosa. A trajetória de Ricardinho, jogador que com 16 anos já vestia a camisa verde e amarela, caminha paralelamente à história da seleção que dominou o esporte de forma invicta de 2006 a 2017.


ARGENTINA E CHINA não possuem as melhores memórias de Ricardinho, sendo constantes vítimas de boas atuações do capitão da Seleção Brasileira. Na final da Copa América de 2009, o ala-ofensivo marcou dois gols contra os hermanos, sendo um deles uma pintura de cavadinha. 

O jogo entraria para a história como uma das 26 vitórias de uma rivalidade de domínio verde-amarelo – nos 52 jogos contra a Argentina, o Brasil perdeu apenas cinco vezes e empatou outras 21. A diferença no saldo de gol é ainda mais estratosférica: são 55 tentos marcados e 17 sofridos. 

Fábio recorda muito bem um dos duelos de Ricardinho contra a outra rival China. Na semifinal do Mundial de 2014, a seleção voltou para o intervalo perdendo de 1 a 0. “Se perdêssemos, eu provavelmente estaria fora”, revela o treinador. 

Após dar a sua preleção no vestiário, o técnico percebeu algo incomum. O capitão, que costuma a sair primeiro e liderar o time de volta para o campo, decidiu esperar, ficar por último e entrar ao lado do treinador: “Fábio, não se preocupa que a gente vai ganhar”. O ala cumpriu sua promessa. Com um gol de falta e outro com a bola rolando, o camisa 10 liderou a seleção na virada por 2 a 1, garantindo a classificação para mais uma final – e também o emprego do técnico. 

No entanto, antes mesmo de liderar o Brasil e se tornar conhecido como Ricardinho, Ricardo Steinmetz Alves sonhava em se tornar um jogador de futebol de campo, assim como o seu ídolo, Ronaldinho Gaúcho. Mas um problema no olho interviu. 

O menino nascido na cidade de Osório, no Rio Grande do Sul, começou a apresentar problemas de visão por conta de um deslocamento de retina. Após cinco cirurgias mal sucedidas, o jovem ficou cego. “O que me entristeceu foi pensar que eu nunca mais poderia jogar bola”, contou o atleta. 

Com dificuldades de acompanhar as aulas, ele se mudou com o pai para a capital Porto Alegre e se inscreveu no Instituto Santa Luzia, escola focada para o aprendizado de deficientes visuais. A mudança permitiria que Ricardo voltasse a sonhar em representar a Seleção Brasileira, sendo apresentado a diversas modalidades paralímpicas, como goalball, natação, atletismo e o futebol. 

“Eu me deparei com muitos alunos da minha idade que praticavam o futebol de 5. Se eu ficasse no município do interior onde nasci, talvez não acontecesse, já que por ser um esporte coletivo fica difícil praticar. É um problema que acontece muito. Os alunos deficientes estão espalhados por vários municípios e fica difícil desenvolver o esporte coletivo”, contou o atleta.

Com a oportunidade de praticar o esporte, Ricardinho se destacou. O alto desempenho fez o ala assinar seu primeiro contrato como profissional aos 15 anos de idade. Era muito comum ele ouvir de seus companheiros que tinha a chance de chegar à Seleção Brasileira com 19 ou 20 anos, e que se tivesse o planejamento correto poderia conquistar seu sonho em quatro ou cinco anos. Mas a ascensão do atleta foi mais rápida. 

Um ano depois, em 2005, Ricardinho foi chamado para defender o Brasil em um amistoso contra a França, só que passou a maior parte do tempo no banco. Olhando para trás, o jogador revela que ficou surpreso com o que se desenrolou. “Foi muito rápido!”, conta Ricardo sobre os eventos que se sucederam. “Eu sonhava em ser jogador profissional e já estava muito realizado. Mas eu não cogitava negócio de melhor do mundo. Não tinha dado tempo para eu pensar isso. Era só um adolescente”. 

A ascensão meteórica aconteceu na Copa América IBSA 2006, uma competição que não teve a participação da Argentina. Enfrentando a Bolívia, o Brasil aplicou uma goleada de 13 a 0, que contou com seis gols do jovem ala brasileiro. Mais tarde, durante a Copa do Mundo de 2006 disputada em Buenos Aires, Ricardinho deixou mais uma vez a sua marca. O atleta foi responsável pelos três gols do Brasil na semifinal contra a Espanha. Apesar de perder a final para a Argentina, o menino de 17 anos terminou o ano como o melhor jogador do mundo.

Ricardinho foi eleito duas vezes o melhor jogador do mundo (Arte: André Martins)

Além de ser o atual técnico do Brasil, Fábio Vasconcellos foi goleiro da seleção entre 2003 e 2012 e esteve presente durante a ascensão de Ricardinho. Para ele, o atleta evoluiu muito desde da primeira vez que foi eleito o melhor do esporte. 

“Ele ia todas para cima do adversário quando era mais novo. Quando fazia gols estava tudo muito bom. Mas, às vezes, se a bola não entrava ele cansava e chegava desgastado no final do jogo. De todos os jogos que acompanhei dele, eu nunca vi Ricardinho jogando mal. Mas, agora ele sabe a hora de decidir”, conta o treinador.

Com 31 anos, o experiente camisa 10 se destaca pela simplicidade fora das quadras. Luan, atual goleiro da seleção que também atua ao lado de Ricardinho no clube gaúcho Agafuc, se tornou extremamente próximo do camisa 10, dividindo quarto com o atleta na concentração brasileira. “Dentro de quadra ele é o monstro que todos vêem, mas o que chama mais atenção nele é o ‘extra quadra’. O ser humano incrível que ele é. Tenho ele como um amigo, que vou levar para a vida”, conta. 

“Ele é bastante extrovertido”, descreve o fixo Cássio. “Adora estar no meio do grupo e bater papo com os caras novos. É um cara que dá bastante atenção para as pessoas que se aproximam dele.” 

A amizade cultivada com Luan e Cássio não é uma exclusividade, mas um padrão de um atleta que separa o momento do jogador e do ‘Ricardo’ que sobra do lado de fora das quatro linhas. Enquanto cultiva uma conversa sobre os seus cachorros com os companheiros de time ou fala sobre música e sua banda CartAberta, o capitão se destaca pela simplicidade no dia-a-dia. 

“Não dou bola para coisa material, quanto menos coisa melhor”, confessa Ricardinho. “Cada vez mais reflito sobre isso porque conheço os dois lados da moeda. Conheço o que é ser praticamente ninguém aos olhos da sociedade e o que é ser badalado, porque depois de ganhar a medalha e arrebentar jogando bola, todo mundo vem dar tapinha nas costas.”


COM O RELÓGIO MARCANDO 22 minutos e 19 segundos do segundo tempo, o Brasil tinha uma falta contra a Argentina na final da Copa do Mundo de 2018. Enquanto ouve o som da trave que o ajuda a reconhecer onde está o gol, Ricardinho espera a liberação para o retorno do jogo. 

Após a bola rolar, o capitão da Seleção Brasileira de Futebol de 5 aguarda pacientemente a chegada de três marcadores argentinos que o rodeiam. Escutando o som da bola, Ricardinho aplica um drible rápido e arremata um chute veloz que delicadamente toca na trave antes de atingir o fundo das redes. O lance fez até o narrador argentino esquecer a eterna rivalidade que separa os dois países e se submeter à grandeza do jogador: “Golaço!” 

Com outro belo gol de Nonato, o Brasil conquistou a sua quinta Copa do Mundo de Futebol de 5 — com um gostinho a mais, já que a vitória veio sobre a rival Argentina. Mas a partida também seria mais um exemplo da trajetória vitoriosa do capitão da seleção, que foi eleito o melhor jogador da competição e saiu como artilheiro com 10 gols marcados. 

Ricardinho entrou em campo com uma máscara, que tinha como objetivo proteger seu nariz fraturado. A lesão aconteceu na vitória sobre a China por 1 a 0, na semifinal do Mundial, devido a uma cotovelada que levou do adversário. Após o jogo, o clima no vestiário não era de um time que havia acabado de chegar na final do Mundial e buscava o pentacampeonato. O clima era de velório.

“Eu lembro que eu cheguei no vestiário, o médico me examinou de uma forma preliminar e disse: ‘Tu fraturou! Só precisa saber como foi e ir ao hospital fazer o raio-X’”, relembra Ricardinho. “Todo mundo achou que eu não ia jogar. Eu tive um estalo e falei: ‘Fiquem tranquilos que eu vou estar na final com vocês, mesmo com o nariz quebrado’”.

O espírito competitivo do atleta não permite que ele se ausente de um jogo decisivo. Para se preservar e evitar dores maiores, o jogador ficou três dias de molho até a decisão.  Chegando a hora, o ala-ofensivo sofreu, já que não conseguia respirar direito, e sabia que um simples esbarrão poderia causar sangramento no nariz. Mas o momento de superação rendeu glórias à seleção, que contou com jogadores ainda mais motivados para a conquista. 

“Vale a pena ser ‘raçudo’”, diz Ricardinho. “Eu sou o capitão da equipe desde 2012 e são nesses atos que precisamos passar firmeza aos outros. Imagina a motivação ao ver seu colega com nariz quebrado entrando em uma final contra a Argentina. Os outros precisam pensar: ‘Eu estou aqui 100%! Vou dar o sangue pelo time, meu colega com nariz quebrado está dando o exemplo.’”

“Não é a toa que é meu capitão”, conta Fábio Vasconcellos. “Um líder no meio do jogo. Acima de tudo é um fenômeno realmente iluminado. Ainda bem que nasceu no Brasil.”

Uma leve pausa e Fábio fala a frase que permite que alguém que nunca acompanhou uma partida de futebol de 5 entenda a real dimensão de quem é Ricardinho: “O Ricardo é o Pelé. Ele é o Pelé.” 


DEPOIS DA COPA DO MUNDO, o Brasil voltou a bater a Argentina em duas finais, contando com o protagonismo de outros atletas. Em 2019, com a Copa América sendo disputada em São Paulo, a seleção aplicou outro 2 a 0, desta vez com Nonato marcando os dois gols do confronto. Na final do Parapan-Americano de Lima, o placar se repetiu, desta vez com gols de Jefinho e Cássio. 

O fixo da seleção lembra da importância do gol marcado no Parapan. “Tínhamos 1 a 0 a favor e faltando cinco minutos eles vinham para cima. O segundo gol deu uma tranquilidade fantástica. Pudemos jogar o final do jogo esperando o tempo passar. Tentando quem sabe um terceiro gol, mas nos cuidando, sem aquela necessidade extrema de atacar e correr riscos”, analisou Cássio. 

O atleta se destaca atualmente por ser um dos líderes do grupo. Mas, assim como Ricardo, Cássio só veio a sonhar com a Seleção Brasileira de Futebol de 5 quando era um adolescente. 

Nascido na cidade de Ituberá, na Bahia, ele sempre apresentou problemas de visão, e fez uma cirurgia para remover uma catarata quando tinha apenas dois anos de idade. Mais tarde, ele perdeu 100% do funcionamento do olho esquerdo por conta de um acidente, no qual se chocou com a quina de uma mesa. Quando ficou mais velho, começou a demonstrar maior dificuldade para enxergar, sendo obrigado a se aproximar muito dos objetos para identificá-los. Um dos sinais para a família foi a forma como o menino aproximava cada vez mais a cadeira para assistir televisão. 

Apesar de observar as dificuldades que Cássio tinha no dia-a-dia e na sala de aula, a família não tinha auxílio necessário na cidade e só conseguiu ir ao médico em Salvador após cinco anos dos primeiros sinais. Chegando na capital, foi constatado um deslocamento de retina que não podia ser mais tratado e que o deixou totalmente cego aos 14 anos.

A mudança definitiva para Salvador aconteceu em 2003, quando o menino ingressou no Instituto de Cegos da Bahia (ICB) e teve o primeiro contato com o paradesporto. Três anos depois, ele começou a atuar como fixo no time profissional do ICB. O ano de 2008 marcou sua primeira convocação para a seleção, mas é 2011 que o atleta guarda na memória com mais carinho. 

Titular na conquista do Parapan-Americano de Guadalajara, no México, Cássio se estabeleceu de forma absoluta na zaga e conquistou a confiança de seus companheiros de time. O título veio de novo em um jogo contra a Argentina. O Brasil não conseguiu marcar durante o tempo regulamentar e só foi tirar o zero do placar no segundo tempo da prorrogação.

“Eu me sinto muito honrado de participar deste grupo. Como um todo é homogêneo e bem treinado. Isso para mim é mais importante do que ter um ou outro atleta de destaque”, confessa Cássio. A experiência da seleção se mostrou extremamente importante durante os jogos, mas o principal segredo para o sucesso é a constante renovação do grupo. 

Ricardinho, que foi eleito melhor jogador do mundo em três oportunidades (2006, 2014 e 2018), ingressou na seleção em 2005. Jefinho, que ganhou o prêmio de melhor do mundo em 2010, chegou ao time em 2006. Gledson vestiu a camisa da equipe pela primeira vez em 2007, Cássio fez sua estreia em 2008 e Nonato entrou no time em 2011.

A nova geração composta por Dumbo, Jardiel e Maicon vem sendo levemente colocada à prova junto de uma revolução tática desenvolvida pelo treinador Fábio Vasconcellos. O ex-goleiro aplicou alguns conceitos tradicionais do futsal: “A gente joga muito em bloco. Na minha equipe eu tenho um conceito de defesa e ataque onde todos participam. Não tem essa coisa de Ricardinho e Jefinho só atacarem ou só marcarem”, contou. 

A revolução dentro da quadra não é a única. Por ter sido jogador, Fábio entende os problemas estruturais que os jogadores enfrentam e, por isso, luta para fornecer condições melhores aos seus atletas. A comissão era composta apenas por três pessoas, com um treinador e dois auxiliares técnico. Desde que entrou na seleção, o comandante conseguiu adicionar um preparador e um fisiologista na equipe, além de constantemente brigar por aumento na premiação.  

“O esporte paralímpico já evoluiu muito, por incrível que pareça”, conta Ricardinho. “A gente sempre que está longe do que deveria ser, mas tínhamos um amadorismo muito grande no esporte paralímpico quando eu comecei. E agora nós temos, por exemplo, uma estrutura melhor e grandes profissionais – principalmente nas seleções. Hoje os atletas podem também se dar ao luxo de viver do esporte, principalmente os da seleção.”


O ANTAGONISMO ENTRE Japão e Brasil não podia ser mais escancarado do que nos Jogos Paralímpicos de Tóquio em 2021. Sem contar com o resultado similar ao dos brasileiros no futebol de 5, o Japão dá uma aula na estrutura que fornece aos deficientes visuais. Quando foram disputar a Copa do Mundo de 2014 no outro lado do planeta, os jogadores da Seleção Brasileira apareceram em uma matéria no Globoesporte sentindo e aproveitando a estrutura de acessibilidade do país asiático. 

“O Japão é o exemplo. É disparado o que está à frente”, afirma Ricardinho. “Na estação de trem, as lixeiras têm braille. Óbvio que eu não entendi nada porque estava em japonês, mas as pessoas lá sabem onde é o lixo seco e o orgânico. Aqui temos ferros para os carros não subirem na calçada, mas lá no Japão os ferros são revestidos de borracha, para quando um deficiente visual bater não se machucar.”

Para a sua pós-carreira, Cássio já começou a desenvolver um projeto no qual pretende lutar pela melhor estrutura disponível para os deficientes visuais. O fixo da seleção prepara a sua candidatura para a Câmara de Vereadores de Ituberá, onde tentará dividir a vida pública com a sua de atleta.  

Enquanto batalham também por uma melhora no investimento do esporte paraolímpico, os jogadores e a comissão da seleção sabem que entrarão em 2021 como favoritos e com a torcida já esperando a quinta medalha de ouro. Ainda assim, Fábio está confortável sabendo que a seleção está movida pelo lema: “futebol é jogado dentro de campo”.

“A Seleção Brasileira, em decorrência de tantos títulos que tem conquistado, sempre entra nas competições sendo bastante pressionada, mas a gente sabe lidar bem com isso”, revela Ricardinho. “Muitas pessoas dão a medalha de ouro como certa, mas sabemos que não é assim. O lado emocional da equipe vai estar bem tranquilo.”

“Trabalhamos muito, nos dedicamos bastante e todos sabem o real papel que precisam desempenhar dentro dos Jogos”, garante Cássio. “É claro que tem a tensão, a ansiedade, mas a gente tá bem preparado.”

A pandemia da Covid-19 paralisou as competições e fez cada jogador continuar os treinamentos dentro de casa, tendo o acompanhamento da comissão técnica. Mas, enquanto se mantêm isolados e na preparação para os Jogos de Tóquio, cada atleta aproveita para revisitar as medalhas que conquistou e garante: “Nenhuma outra seleção teve o prazer de colocar uma medalha de ouro paraolímpica no peito.”

*Colaboraram: André Martins e Henrique Votto.

Autor: Bruno Nossig

Sou aluno da ECA-USP, graduando em jornalismo. Joguei basquete quando menino e agora escrevo neste site. Meu twitter é @brunonossig.

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