Uma estátua para Jürgen

Técnico alemão é o grande responsável pelo renascimento do Liverpool

Imagens: Getty Images e Divulgação Twitter/James Milner. Arte: André Martins

O futebol é uma gangorra. Essa dicotomia de altos e baixos é que move o esporte. Nos piores momentos que nos lembramos de quando estávamos no topo. E é quando atingimos o pico que recordamos tudo aquilo que passou. Seja pela pessoa do outro lado ou pela gravidade, a gangorra sempre vai descer. No futebol, o mesmo vale: é impossível se manter no topo para sempre, uma hora a queda vem. E voltar a subir não é algo fácil. No caso do Liverpool, demorou 30 anos para que a equipe finalmente voltasse a vencer a Premier League.

E o responsável pelo impulso que finalmente elevou os Reds tem nome e sobrenome: Jürgen Klopp. Claro que existem outros fatores, desde a mudança de donos em 2010 até os jogadores responsáveis pela impressionante campanha de 28 vitórias em 31 jogos. Mas a cara do Liverpool hoje é a do alemão, com seu grande e contagiante sorriso.

Se dentro de campo Klopp construiu um time absolutamente dominante, baseado no Gengenpressing, pressão constante e coordenada sobre o adversário, também temos que valorizar o trabalho do técnico fora do campo.

Desde que chegou ao clube, em 2015, o técnico já trazia um carisma próprio dos tempos de Mainz e Dortmund, se anunciando como o Normal One (“O Cara Normal”). Essa figura simpática cai muito bem com qualquer elenco, ainda mais com o tratamento que o técnico tem com os jogadores: sempre procurando entender o extra-campo e o lado pessoal dos atletas. Adicione a qualidade dos discursos de Klopp e você tem um treinador que é o melhor do mundo no quesito mental, psicológico e motivador.

Quando boas intenções fora do campo se transformam em evolução e resultados, os jogadores passam a comprar as ideias do técnico quase imediatamente. E a torcida vai no mesmo embalo, algo que desde o início era o desejo do alemão: reacender a chama de Anfield. Klopp devolveu a esperança aos torcedores e trouxe um grande projeto para a alta cúpula do clube.

A gangorra pouco a pouco voltou a subir. O primeiro passo foi a Liga Europa de 2015-16, com a incrível virada sobre o Borussia Dortmund em Anfield, mas que acabou com um vice campeonato melancólico. Depois, o vice na Champions League de 2017-18, que culminou em um pacote de contratações para finalmente recolocar o clube onde deveria estar. No ano seguinte, o título escapou por um ponto, mas veio a conquista da Champions como consolação, se é que é possível dizer algo do tipo.

A campanha desse ano parecia algo inevitável. O Liverpool estava pronto, em todos os aspectos, para ser campeão inglês. Dessa vez não haveria escorregão que parasse os Reds. E não há dúvidas de que, sem Klopp, mais alguns anos se passariam sem o título nacional.

Inevitável também é que esse time irá decair. Que Jürgen Klopp encontrará outros rumos em sua carreira. Quando isso vai acontecer, o tempo dirá. Por ora, o momento é de celebrar a volta ao topo, e pensar em um momento para imortalizar o sorriso do alemão que reviveu um gigante inglês.

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