Dérbi da Andaluzia marca volta da La Liga

Campeonato Espanhol volta com o duelo entre Sevilla e Bétis, o principal clássico regional do país

Depois do Campeonato Alemão e do Português, é a vez de La Liga retomar suas atividades, e o torneio recomeça logo com o principal clássico regional do país: o Dérbi da Andaluzia, entre Sevilla e Bétis. O Intervalo em 5 traz a história deste grande clássico e o que esperar da partida que ocorre nesta quinta-feira.

Arte: André Martins

Dos rojiblancos nascem os verdiblancos

Ainda que não tenha o tamanho e a atenção global de um El Clássico, o Dérbi da Andaluzia é uma das maiores rivalidades regionais da Espanha, com muitos colocando o embate entre Sevilla e Bétis a frente de Real e Atleti. 

Mais do que apenas um duelo pela supremacia na cidade, a rivalidade entre os clubes está extremamente ligadas a conflitos de diferentes classes sociais: o Sevilla é o time dos ricos enquanto o Bétis foi fundado pela classe operária, mesma situação de outros grandes clássicos pelo mundo, como Boca e River.

O clube rojiblanco foi fundado em 1890, e de uma dissidência de membros em 1909 surgiu seu maior rival, o Bétis, que ainda passaria por uma fusão em 1914 com outro clube da cidade para, enfim, se tornar o Real Betis Balompié. Os clubes são próximos na história e na localização: seus estádios ficam a menos de cinco quilômetros de distância.

Até a criação do Campeonato Espanhol em 1929, as equipes disputavam principalmente torneios regionais da Andaluzia, o que floresceu ainda mais a rivalidade. O sucesso inicial dos dois clubes nas competições nacionais também contribuiu: o Bétis foi campeão espanhol em 1935, mesmo ano em que o Sevilla levou sua primeira Copa do Rei. 

Mas aí veio a Guerra Civil Espanhola, que afetou profundamente os verdiblancos, que só foram retomar seu protagonismo nacional no final do século, com contratações bombásticas como o brasileiro Denílson. A chegada de outros brasileiros, principalmente o volante Edu e o atacante Ricardo Oliveira, ajudaram a equipe a levantar sua segunda Copa do Rei em 2005, após uma conquista em 1977.

Mais recentemente, o Sevilla voltou a dominar, com uma sequência impressionante de conquistas. Foram cinco Ligas Europa (2006, 2007, 2014, 2015 e 2016) e uma Copa do Rei (2007), com direito a participações importantes de brasileiros como Luis Fabiano, quinto maior artilheiro do clube, Daniel Alves e Adriano.

O Betis chegou a se destacar recentemente, principalmente sob o comando de Quique Setién, atual técnico do Barcelona, apresentando um futebol extremamente agradável mas inconstante e que não gerou nenhum troféu.

Ainda que o duelo não tenha um histórico de violência, algumas cenas lamentáveis merecem ser destacadas. Em 2002, um torcedor invadiu o campo e agrediu o goleiro Prats, do Bétis. Cinco anos depois, o Dérbi da Andaluzia teve que ser interrompido após Juande Ramos, técnico do Sevilla, ter sido atingido por uma garrafa atirada pela torcida e desmaiado.

A volta de La Liga

Todos os olhos na Espanha estarão voltados para o estádio Ramon Sanchez Pizjuan, que estará vazio por conta da pandemia. Os clubes, inclusive, pediram para seus torcedores ficarem em casa durante a partida a fim de evitar aglomerações. Os comandados de Julen Lopetegui estão atualmente na terceira posição, e chegam para o Dérbi pensando em vaga na próxima Liga dos Campeões.

No papel, o Sevilla é favorito. A equipe tem variado bastante suas formações, mas joga essencialmente num 4-3-3 que pode virar um 4-1-4-1. Recentemente, Lopetegui surpreendeu o Getafe ao recuar o volante Gudelj entre os zagueiros e subir os seus ofensivos laterais Jesus Navas e Reguillón num 3-4-3. Porém, o técnico não terá Gudelj a disposição: o jogador está suspenso após levar o quinto cartão amarelo e deve ser sustituído por Juan Jordán.

Se Navas é bem famoso por aqui, outro nome da defesa dos rojiblancos que é importante ressaltar é o do zagueiro brasileiro Diego Carlos. Com passagem pela base do São Paulo, o jogador só foi ter espaço em Portugal, onde se destacou no Estoril e foi para o Nantes. Foi contratado pelo Sevilla nesta temporada, e, devido ao bom desempenho, já está sendo especulado em grandes times da Inglaterra, como o Arsenal e o Liverpool.

No meio campo, quem dita as jogadas é o veterano argentino Éver Banega, com participação na última Copa do Mundo e medalhista de ouro nas Olimpíadas de 2008. Outro argentino de destaque da equipe é o ponta Lucas Ocampos, que marcou gol em suas últimas cinco partidas pelo campeonato espanhol e contribuiu para manter a sequência de 19 jogos marcando gols da equipe. Contudo, ele é dúvida para o jogo por conta de uma lesão em um treino.

A equipe de Lopetegui utiliza muito bem a velocidade de seus pontas e laterais, mas isso não significa que seja uma equipe de ataque vertical. O time fica atrás apenas de Real Madrid e Barcelona em passes curtos, e valoriza bastante a posse de bola. Os pontas, principalmente Suso, costumam buscar espaços no meio, abrindo corredores para os laterais e dificultando a marcação adversária. 

Não fossem os questionamentos de como as equipes irão voltar após a pandemia, o Sevilla seria franco favorito para conquistar sua 58ª vitória no Dérbi.

Dérbi da Andaluzia disputado no Ramón Sánchez Pizjuán (Foto: Kiko Hurtado)

Provável escalação: Vaclik; Navas, Kounde, Carlos, Reguilon; Jordan, Fernando, Banega; Suso, De Jong, Ocampos

Para tentar surpreender seu rival, o Betis precisará superar seus desempenhos inconstantes. A equipe vem de uma vitória sobre o Real Madrid, mas antes disso havia ficado seis jogos sem vencer. Rubi, jovem técnico da equipe, ainda não conseguiu encontrar a melhor forma de jogar para um elenco um tanto quanto recheado se comparado aos últimos anos.

O principal nome da equipe é o meia francês Nabil Fekir, uma grande barganha da última janela de transferências. Atuando principalmente pelo lado direito, ele tem sete gols e três assistências na temporada, e forma uma dupla interessante com o lateral brasileiro Emerson, emprestado pelo Barcelona. Emerson tem se mostrado muito eficiente tanto no ataque quanto na defesa, com 3 gols e 5 assistências (maior número da equipe).

Sergio Canales é o principal responsável pela construção dos ataques junto com Fekir, enquanto Loren ganhou a vaga no ataque de Borja Iglesias e é o artilheiro com 9 gols na temporada, sempre aparecendo na área para completar cruzamentos. Joaquín é outro dos destaques da equipe na temporada, com boas atuações jogando na meia esquerda.

Mas o problema tem sido na mudança de estilo de jogo da equipe. Enquanto Setién prezava por um ataque que valorizava a posse para achar a melhor oportunidade, Rubi quer um ataque mais vertical e que consiga trazer mais perigo para o adversário em menos passes. Essa mudança de filosofia demora para ser implementada e o time por enquanto é muito dependente de cruzamentos e erros dos adversários.

Outro problema tem sido a transição defensiva. O Bétis tenta pressionar seus adversários após perder a bola, mas tem tido dificuldades para se recompor. Em partidas como a derrota por 5 a 2 contra o Barcelona, fica evidente a dificuldade da equipe para marcar em bloco.

Com 8 pontos de distância para a zona do rebaixamento e 12 para a zona de classificação para competições europeias, o Real Bétis não tem nada a perder neste clássico.

Torcida do Bétis faz um grande mosaico antes do clássico contra o Sevilla (Imagem: Twitter / ESPN)

Provável escalação: Robles; Emerson, Mandi, Bartra e Moreno; Guido Rodriguez; Fekir, Canales, Guardado e Joaquín; Loren Moron

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