Classe de wide receivers será destaque no Draft da NFL 2020

Franquias terão prato cheio para aprimorar o corpo de recebedores logo nas primeiras rodadas do evento

Batalha por Jerry Jeudy, CeeDee Lamb e Henry Ruggs III deve movimentar a 1ª rodada do Draft (Arte: André Martins)

Estamos a poucas horas do Draft da NFL – que acontece nesta quinta-feira, 23, às 21h –  e a expectativa é grande para que os wide receivers roubem a cena na 1ª rodada. A classe de 2020 traz uma rara profundidade de talentos na posição, recheada de atletas com ótimos atributos técnicos e físicos e produção de alto nível no College. Ou seja, mesmo quem não preencher essa lacuna logo de cara não terá dificuldade em encontrar prospectos de alto potencial nos 2º e 3º dias do evento.

O grupo atual é bastante comparado ao de 2014, que levou Sammy Watkins, Mike Evans, Odell Beckham Jr., Brandin Cooks e Kelvin Benjamin à liga com 5 das 32 escolhas iniciais; além de Davante Adams, recebedor de elite e 3x Pro Bowler do Green Bay Packers, selecionado na 2ª rodada. A evolução dos WRs também diz muito sobre a transformação do esporte na NFL, que intensifica esquemas de air raid – favoráveis ao jogo de passe – com a injeção de uma nova geração de treinadores ofensivos. Não à toa, sete dos oito jogadores com maior média de jardas recebidas por jogo na história estão ativos hoje.

No Mock Draft do Intervalo em 5, seis WRs foram escolhidos na 1ª rodada. Muitos analistas também preveem algo entre 5 e 7 recebedores selecionados no dia 23, tendo em vista as prioridades das franquias e o status da classe. E alguns atletas simplesmente não podem sair do radar.

Jogadores para ficar de olho

CeeDee Lamb (Oklahoma) e Jerry Jeudy (Alabama) são consensualmente os dois recebedores mais dominantes deste Draft, e a expectativa é que não estejam disponíveis até, no máximo, a 15ª escolha. Ambos são excelentes corredores de rotas e grandes especialistas em conquistar jardas após a recepção, usando e abusando de aceleração, agilidade e força física para romper a defesa. 

Lamb teve um 2019 de puro protagonismo pelos Sooners, com 62 recepções para 1327 jardas, 14 touchdowns e uma incrível média de 21,4 jds por recepção – a 3ª melhor de todo o College. Jeudy também teve bastante destaque, somando 77 recepções para 1163 jardas, 10 TDs e 15,4 jds por recepção em Crimson Tide. Não devem demorar muito a ocupar papel de destaque na NFL.

Henry Ruggs III (Alabama) é outro jogador bastante explosivo da classe, um exímio produtor de big-time plays – de 98 passes recebidos em três anos de College, 24 foram para touchdown. Na última temporada, recebeu 46 passes para 741 jds e 11 TDs, sendo ofuscado por Jeudy e Devonta Smith no superpoderoso ataque de Crimson Tide. Apesar de sua velocidade acima do normal – ele correu 40 jardas em 4.27s no Combine –, Ruggs pode ter “mascarado” alguns defeitos em seu jogo com um papel reduzido em campo. O maior receio é quanto à técnica de corrida de rotas.

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Parceiros no College, Jeudy e Ruggs são figurinhas carimbadas na 1ª rodada do Draft (Reprodução: Nelson Chenault/USA Today)

Ainda na 1ª rodada, é importante ficar de olho em nomes como Justin Jefferson (LSU), que liderou o College em 2019 em recepções – foram 111, para 1540 jardas e 18 TDs – e se mostrou uma poderosíssima arma na posição de slot receiver. Outros que podem sair do board até a 32ª escolha são Denzel Mims (Baylor), Tee Higgins (Clemson). Laviska Shenault Jr (Colorado), Brandon Aiyuk (Arizona State) e Jalen Reagor (TCU). 

Para a 2ª e 3ª rodadas, é bom prestar atenção em Michael Pittman Jr (USC) e Chase Claypool (Notre Dame). Pittman é um recebedor alto, com mãos muito confiáveis e grande nível de produção. Ele estourou na temporada passada com 101 recepções para 1275 jardas e 11 TDs, e dropou apenas 5 de 176 passes em sua direção na carreira. Claypool, por sua vez, impressiona pelo porte físico: com 1,93m e 107 kg, o atleta correu o tiro de 40 jardas em 4.42s. É cotado até para assumir função de tight end na NFL.

Quem precisa de wide receiver?

Franquias como Jacksonville Jaguars, Denver Broncos e New York Jets simplesmente precisam construir um melhor ambiente para o desenvolvimento dos seus quarterbacks do futuro. Todos possuem um corpo de recebedores muito escasso, tanto em profundidade quanto em talento – à exceção de DJ Chark, nos Jaguars –, e devem assimilar que WR é prioridade no Draft.

Outro grande exemplo de time que se beneficiaria de um talento de 1ª rodada é o Green Bay Packers. Na temporada passada, mesmo perdendo quatro partidas por lesão, Davante Adams teve mais que o dobro de recepções (83 – 997 jardas) de qualquer outro WR do elenco. Allen Lazard mostrou potencial para ter mais responsabilidades em 2020, mas Marquez Valdes-Scantling teve um 2019 frustrante, com alguns drops miseráveis e apenas cinco recepções para 36 jds nos últimos nove jogos. Vale lembrar que a última vez que a equipe de Wisconsin draftou uma skill position (QB, WR, RB e TE) na 1ª rodada foi em 2005, com… Aaron Rodgers.

O San Francisco 49ers também precisa de uma arma de peso, após perder Emmanuel Sanders para o New Orleans Saints na offseason. A equipe foi uma antes de Sanders e outra muito melhor depois de sua chegada, que alavancou os números do QB Jimmy Garoppolo e ajudou bastante no desenvolvimento do rookie WR Deebo Samuel, vice-líder de jardas da franquia californiana em 2019. Usar a 13ª escolha – contrapartida da troca que enviou o defensive tackle DeForest Buckner para o Indianapolis Colts – em um wide receiver de ponta pode ser uma decisão inteligente.

Recebedor também é prioridade para o Philadelphia Eagles e o Las Vegas Raiders, que têm muitas lacunas no setor. Os Raiders fariam muito bem em pegar um WR com a 12ª escolha e diminuir a carga sobre Darren Waller e Tyrell Williams. Os Eagles, por sua vez, não tiveram DeSean Jackson saudável durante quase toda a temporada passada, viram a escolha de 2ª rodada de 2019 JJ Arcega-Whiteside decepcionar e não devem contar com Alshon Jeffery para 2020. O excelente QB Carson Wentz não pode carregar o ataque nas suas costas novamente e ficaria feliz em ter mais que recebedores anônimos à frente.

Escolher wide receivers é uma ciência com muitas variáveis. São muitos os exemplos recentes de busts, como Kevin White (7ª escolha – 2015) ou Josh Doctson (22ª escolha – 2016), que sequer receberam um passe na NFL em 2019. Da mesma forma, a chance é grande de um jogador draftado em rodadas mais profundas vingar muito mais que as estrelas do 1º dia – Michael Thomas e Chris Godwin, por exemplo, são escolhas de 2ª e 3ª rodadas, respectivamente.

No entanto, não há dúvidas de que a classe é muito boa e terá um grande impacto na liga nos próximos anos.

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