Tua Tagovailoa é o QB perfeito. Mas por que ele virou a grande dúvida do Draft?

O quarterback mais eficiente da história do College Football pode ficar fora do Top 10 do Draft de 2020

A trajetória de Tua Tagovailoa é única. Ele chega ao Draft da NFL como um dos quarterbacks mais eficientes da história do College Football, sendo difícil achar alguma falha em seu jogo. O problema é que, ao mesmo tempo em que mirou a perfeição durante sua passagem por Alabama, o atleta se tornou um dos maiores pontos de interrogação de toda a classe de 2020.

O Draft acontecerá entre os dias 23 e 25 de fevereiro e o Intervalo em 5 se aprofundou no que torna Tua Tagovailoa o prospecto mais talentoso de 2020 e de que forma as lesões diminuíram seu valor e podem tirá-lo do top 10. 

O primeiro ato

A história de Tua em Alabama começou da forma perfeita. Apesar de passar a  temporada inteira de 2017 na reserva de Jalen Hurts, Tagovailoa apareceu no momento que mais importava: a final do College.

Após ver Hurts passar para apenas 21 jardas no primeiro tempo, Nick Saban decidiu trocar de quarterback, na tentativa de diminuir a vantagem de 13 a 0. Tua entrou e, logo de cara, mostrou porque era especial. 

O atleta passou para 166 jardas, 3 touchdowns e acabou interceptado uma vez. Na prorrogação, precisando chegar à end zone, ele acertou um passe perfeito para Devonte Smith. Algo surpreendente para um primeiranista, que mostrou toda a sua força mental sobre pressão.

A jogada entraria para a história e serviria para construir a narrativa de um dos maiores jogadores do College Football. De longe o quarterback mais eficiente que o esporte universitário já viu. 

Beirando a perfeição

Tua seria escolhido na primeira escolha geral de 2020 caso não tivesse se machucado. É difícil argumentar o contrário. A facilidade com que ele se movimenta no pocket, os passes extremamente precisos, a capacidade de estender as jogadas com as pernas e lançar em movimento tornam ele extremamente atrativo para o mundo da NFL. 

A sua performance no College faz com que ele seja considerado um dos maiores quarterbacks que o mundo universitário presenciou. O canhoto foi extremamente aterrorizante para as defesas adversárias e seguiu evoluindo ano a ano, atingindo números cada vez mais surpreendentes. 

Após assumir a titularidade em 2018, o quarterback quase venceu o Heisman, perdendo por pouco para Kyler Murray. Ao todo, conquistou 3,966 jardas aéreas, acertando 69% dos seus passes, marcando 43 TDs e sofrendo apenas 6 interceptações. Os números dariam para ele o maior quarterback rating da história (199,5) – recorde que seria batido por ele em 2019. 

Na última temporada ele seguiu voando. Foram 9 jogos até a triste lesão no quadril contra Mississippi State. Ao todo, Tua registrou 2,840 jardas, 33 TDs, 3 interceptações, além de acertar 71,4 % dos passes tentados. Desta vez, o passer rating seria 206,9, mostrando a clara evolução do jogador ao longo da sua carreira universitária. 

Muitos dirão que ele é um quarterback de sistema, e esses rumores surgiram no Draft, o que pode diminuir o seu valor. Lógico que ele tinha uma linha ofensiva muito boa – Jonah Williams foi o primeiro tackle escolhido no Draft de 2019 e Jedrick Wills Jr. pode ser o primeiro em 2020. 

O corpo de recebedores era de fato um absurdo. Jerry Jeudy e Henry Ruggs III serão escolhas de primeira rodada em 2020, enquanto DeVonta Smtih e Jaylen Waddle farão o mesmo em 2021. No jogo terrestre Tua ainda contava Josh Jacobs – escolhido pelos Raiders na primeira rodada de 2019, e Najee Harris, que deve ser o primeiro RB escolhido em 2021.

Mesmo com todo este talento, o time estava morto no primeiro tempo do título nacional de 2017. Georgia se divertia destroçando o ataque comandado por Jalen Hurts. Em 2019, após a lesão de Tua, Alabama venceu 2 jogos e perdeu 1 com Mac Jones. O jogo contra Auburn, uma derrota de 48 a 45, dificilmente aconteceria com Tagovailoa em campo, sendo muito mais provável que a Universidade destruísse a rival e registrasse mais uma lavada.

Apontar ele como um jogador de sistema, portanto, é díficil. O jogador tem o maior passer rating na história, com uma média de 199,4 nas três temporadas em Alabama. Ele também registra a maior porcentagem de TDs da história, com 12,72%, sendo seguido por David Johnson com (10,37%) e Seth Russel (9,90%). Kyler Murray, que ganhou o Heisman em 2018, tem a marca de 9,63%.

A precisão ainda é um fator. Dentro todos os quarterbacks da classe de 2020, Tua é o que menos errou passes de 5 a 18 jardas quando o recebedor esteve livre da marcação – 4,3%. Jalen Hurts ficou em segundo errando 5%, seguido de Joe Burrow (5,1%), Jordan Love (14,1%) e Justin Herbert (18,1%). 

A maior crítica que recai sobre Tagovailoa é que ele toma algumas decisões ruins em campo, o que é extremamente injusto para um QB que registrou um rating de interceptação de 1,6%, produzindo 87 TDs (maior marca na história de Alabama) e 11 interceptações. Ainda mais considerando que ele teve a famosa sequência de 205 passes sem sofrer uma pick – é difícil, pode perguntar para o Jameis Winston. 

Ele não tem o braço surpreendente de Patrick Mahomes, ou a velocidade eletrizante de Lamar Jackson. Mas ele traz a precisão de Drew Brees, aquilo que faz defensores entrarem em pânico, enquanto tentam de tudo para impedir que ele acerte mais um passe. Um simples vacilo e ele sairá com as mãos levantadas para cima, comemorando mais um touchdown. 

Mas, mesmo que todo o seu talento seja inegável, é difícil para uma franquia da NFL apostar o seu futuro em um jogador que tem problemas de lesão e se recupera de uma cirurgia no quadril, que muitos acreditaram ser o “final de uma carreira profissional, que não havia começado”.

O mundo das lesões

A lesão sofrida contra Mississippi State, no dia 11 de novembro de 2019, foi assustadora. A cena do jogador sendo levado pela maca, chorando de dor pelo seu quadril era forte e fez com que muitos acreditassem que sua carreira estava encerrada. 

Aquela não foi a primeira lesão do jogador, que teve problemas sérios no joelho e tornozelo. O medo de que Tagovailoa seja propenso a lesões faz com que muitas franquias vejam ele como um prospecto abaixo de Justin Herbert e Jordan Love.

Mas, ao mesmo tempo em que sofre com lesões, o atleta parece ter um dom magnífico para se curar rápido delas. Médicos estão otimistas em relação a recuperação no quadril, dizendo que está “o mais positivo possível”. 

Em 2019, o jogador se recuperou de uma torção no tornozelo, que precisou de cirurgia. Em apenas duas semanas, Tua estava em campo enfrentando LSU. Na partida, mesmo sem estar 100% fisicamente, o atleta atingiu 418 jardas e marcou 4 touchdowns na derrota por 46 a 41.

Aquela partida é ainda mais impressionante levando em conta que LSU seria campeã, e que o jogo mais difícil da temporada foi contra Alabama, na qual o time venceu com a menor vantagem e sofreu a maior quantidade de pontos (41). 

O grande problema para Tua é que a lesão no quadril não permitiu que ele pudesse executar os testes do Combine. Além disso, a pandemia do coronavírus impediu que o Pro Day acontecesse – o dia em que os scouts podem acompanhar de perto um treino com o jogador. Desta forma, os times terão que se apoiar exclusivamente em vídeos enviados por Tua, mostrando que está saudável.  

É difícil apostar em algo tão incerto, principalmente quando ele tenta se recuperar de uma lesão no quadril e sofreu diversos problemas ao longo da carreira. Mas, também é difícil não se apaixonar por ele em campo. E Tua Tagovailoa só precisa disso. De um time apaixonado.

Autor: Bruno Nossig

Sou aluno da ECA-USP, graduando em jornalismo. Joguei basquete quando menino e agora escrevo neste site. Meu twitter é @brunonossig.

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