Joe Burrow e seu rumo ao estrelato

Do quase anonimato em Ohio State à temporada impecável por LSU, a ascensão da primeira escolha geral do Draft de 2020 é extraordinária

Quarterback de LSU, vencedor do troféu Heisman e líder dos Tigers na conquista do College Football em 2019. E, ao que tudo indica, consolidado como a primeira escolha geral do Draft de 2020 da NFL.

Você já deve ter ouvido falar de Joe Burrow.

O jogador que virou a sensação da última temporada do futebol americano universitário com sua fenomenal ascensão está para dar o maior salto da carreira. Mas até atingir o marco de 5,761 jardas aéreas e quebrar o recorde da NCAA com 60 touchdowns passados em uma edição, Burrow enfrentou situações desafiadoras em sua jornada.

O Intervalo em Cinco relembrou a trajetória de uns dos prospectos mais badalados deste Draft. E que trajetória…

O menino Joey

Em 10 de dezembro de 1996, Joseph Burrow nasceu. E a relação com a bola oval veio de família: os dois irmãos mais velhos jogaram futebol americano universitário e o pai, Jimmy, era treinador. Seguindo a tradição familiar, ele começou cedo no esporte, aos seis anos de idade.

Diferente de seus familiares, que jogaram na defesa, o pequeno Joey foi para o comando do ataque. O motivo? Sua primeira equipe infantil não tinha ninguém para a posição de quarterback, e lá foi ele assumir a posição. 

Já no High School, Joe deu início às suas atuações impressionantes. Atuando de 2011 a 2014 pela escola da cidade de Athens, no estado de Ohio, o promissor quarterback passou para 11,416 jardas, correu 2,067 jardas e anotou 184 TDs totais (157 aéreos e 27 corridos). Ele comandou a equipe da escola a três Playoffs consecutivos e recebeu o prêmio Mr. Football do estado de Ohio.

A Athens High School renomeou, em dezembro de 2019, seu estádio como Joe Burrow Stadium em homenagem ao seu antigo quarterback. Imagem: Reprodução.

No final desse ciclo, Joe Burrow era considerado um recruta quatro estrelas. Recebeu uma proposta da Universidade de Ohio State e decidiu continuar sua carreira no mesmo estado. Mas a tentativa de se tornar o Mr. Ohio no College não acabou como ele esperava.

Dias de luta

Apesar do ótimo rendimento no High School, sua passagem pelos Buckeyes foi decepcionante. Após passar o ano de 2015 como “redshirt”, Joe amargurou dois anos na reserva de Ohio State, não conseguindo proeminência no elenco. Em 2016, ele era o backup quarterback de J.T Barrett. E no ano seguinte, viu Dwayne Haskins, atual quarterback do Washington Redskins, entrar na disputa pela posição de reserva imediato.

O que talvez tenha sido o momento mais decisivo de Joe Burrow em Ohio State aconteceu em campo, só que durante um treinamento. Poucas semanas antes da temporada de 2017 começar, Joe foi atingido por um linebacker em uma blitz e fraturou a mão. Ele perdeu as primeiras semanas da competição e, mesmo depois de recuperado, não conseguiu retomar a posição de reserva.

Assim, ele viu Haskins assumir a vaga de quarterback durante a temporada quando o titular Barrett se lesionou. E para o ano de 2018, o comando do ataque seria dele… Não, não de Joe, e sim de Haskins. Foi então que Burrow decidiu tentar a sorte e se transferir de Ohio State.

“Você não tem velocidade suficiente, Joe… você é um quarterback de Divisão III”, falava o então treinador de Ohio State, Urban Meyer, para Burrow.

Ao todo, foram apenas 10 aparições, nenhuma como starter, e apenas 39 tentativas de passes em sua passagem pelos Buckeyes. Como ele tinha se graduado em Columbus durante os três anos, poderia mudar de instituição e jogar imediatamente por outra Universidade. 

A próxima parada do quarterback seria a cerca de 1.000 milhas de distância, na Louisiana, onde uma nova história seria surpreendentemente escrita.

Dias de glória

A escolha pode ter sido recebida por muitos com estranheza. Afinal, o ataque de LSU era, historicamente, terrestre. Segundo revelou Jimmy Burrow, alguns treinadores alertaram ele de que “iria para lá ficar parado no pocket e entregar a bola para o corredor 60 vezes por jogo”. Além disso, a Universidade tinha tido seis quarterbacks diferentes de 2011 a 2016. Não era exatamente a projeção desejada por um signal caller.

”Você pode aceitar o fato de falarem que outros caras são melhores do que você, ou você pode simplesmente continuar trabalhando. E foi isso que eu fiz, eu sabia que estaria nesse ponto”. Imagem: Reprodução

No entanto, o cenário em LSU seria outro. “Tivemos que pesquisar a situação de quarterback e sermos convencidos que as coisas seriam diferentes com o ataque”, contou o pai de Joe Burrow,  Jim. Os Tigers iniciariam o processo de implementação de um sistema ofensivo moderno. A hegemonia terrestre daria lugar à filosofia do ataque spread, com formações com três a cinco recebedores, rotas verticais, abertas, cruzadas, e muitas ações RPO (run-pass-option).

Junto de Burrow, viria um novo playbook ofensivo e o começo da mudança. E logo em sua primeira temporada, Joe começou jogando. Atuou como starter nos 13 jogos dos Tigers, terminando 2018 com 2,894 jardas aéreas e 23 touchdowns totais.

Ao longo daquele ano, ele foi conquistando o vestiário de LSU com sua personalidade e talento. Mas mesmo tendo se firmado como titular e dado vislumbres de que poderia vir a ser, o quarterback sofria com atuações apagadas e oscilações — acertara apenas 57,6% dos passes. Estava longe de ser o Burrow que conhecemos em 2019 e precisava trabalhar ainda mais no seu desenvolvimento completo como atleta. 

Para a temporada seguinte, LSU foi atrás do ex-assistente ofensivo do New Orleans Saints, Joe Brady, para ser o coordenador de passe da equipe. E Brady foi, junto do treinador Ed Orgeron e do coordenador ofensivo Steve Ensminger, um dos responsáveis pela completa reformulação da filosofia de ataque, que se tornou a máquina avassaladora de pontos que estremeceu a NCAA no último ano.

Em 2019, Joe demonstrou todo o seu profissionalismo e inteligência em campo. Aprimorou suas habilidades e provou ainda conseguir contornar seus pontos fracos, como a força mediana de seu braço. O resultado foi uma temporada de performances espetaculares, quebras de inúmeros recordes e um ano inesquecível. Vitorioso, como ele. 

Após a temporada, Joe Burrow se consolidou como um possível franchise quarterback, com muita precisão, mobilidade e plena capacidade de leitura e criação de jogadas. E, indiscutivelmente, está pronto para a sua transição para a Liga profissional. 

Destino, Cincinatti

Praticamente unânime na primeira escolha geral do Draft deste ano, Joe Burrow muito provavelmente será o próximo franchise quarterback dos Bengals. No entanto, este não era o cenário projetado por muitos analistas antes do começo da temporada passada, que não consideravam Joe como escolha de primeira rodada. De tão grandioso que foi seu 2019 por LSU, Joe se deu ao luxo de sequer participar do Combine.

A cidade de Cincinnati, o próximo destino do quarterback, não vê sua franquia ganhar um jogo de Playoffs desde 1990, quando Joe nem tinha nascido. Além do histórico desfavorável, os Bengals vêm de 4 temporadas negativas em sequência. Nesse contexto, surgiram ruídos de que ele não vestiria o uniforme laranja e preto, mas Burrow negou os rumores em fevereiro: “Eu sou um ‘ballplayer’. Qualquer franquia que me escolher, eu vou aparecer.”

A próxima, e a mais importante, etapa da carreira de Joe Burrow começará no Draft de 2020, que acontecerá virtualmente entre 23 e 25 de abril devido à pandemia da Covid-19.

Imagem: Reprodução Getty. Arte: André MArtins

Como ele se adaptará nos Bengals e na NFL, só o tempo para revelar. Mas se tem um jogador que pode ser o ponto de inflexão da história recente da franquia, é Joe Burrow:

“Eu venci em todos os lugares em que estive e sinto que se ninguém consegue fazer, eu consigo”

Joe Burrow.

Autor: André Martins

Estudante 3º ano de Jornalismo ECA/USP

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