Principais vencedores e perdedores da Free Agency de 2020

Chargers montando um monstro defensivo, Baker Mayfield feliz e Bill O’Brien testando a paciência do torcedor dos Texans

(Arte André Martins. Imagens: Getty Images)

As franquias da NFL fizeram suas principais mudanças durante o período da Free Agency da NFL, tomando as últimas decisões antes do Draft. E, como sempre, o período de contratações foi extremamente movimentado. 

Tom Brady foi parar nos Bucs, Cam Newton foi mandado embora, assim comoTodd Gurley. Os Texans enlouqueceram e trocaram DeAndre Hopkins e, ainda, tem gente tentando adivinhar o destino de Jadeveon Clowney ou quem sobrou no New England Patriots.

Em meio a tudo isso, o Intervalo em 5 escolheu os principais vencedores e perdedores do período de Free Agency da NFL.

VENCEDORES:
Los Angeles Chargers

Mesmo sem suprir a principal necessidade – a posição de quarterback – os Chargers foram um dos principais vencedores desta Free Agency. Agora, antes do Draft e do início da temporada, a equipe de Los Angeles silenciosamente se estabeleceu como uma ameaça ao Kansas City Chiefs na AFC Oeste.

As novas contratações podem facilmente colocar os Chargers como uma das melhores defesas de 2020. A franquia adicionou excelentes veteranos que dialogam perfeitamente com uma das melhores duplas de EDGEs da NFL, em Joey Bosa e Melvin Ingram, além de contar com o retorno de Derwin James. 

O cornerback Chris Harris Jr., que jogou pelos Broncos na última temporada, formará uma excelente secundária com Casey Hayward e Desmond King, enquanto Linval Joseph será mais um destruidor na linha defensiva, tendo grande impacto contra o jogo corrido. 

No ataque, os Chargers focaram na principal necessidade: a linha ofensiva. Após obter o guard Trai Turner em troca com os Panthers, a equipe contratou o tackle Bryan Bulaga, que foi extremamente efetivo em 2019, participando de 83% dos snaps de uma das melhores linhas ofensivas da NFL em 2019 – os Packers.

Ainda assim, a franquia de Los Angeles segue com grandes questionamentos. Com um excelente grupo ao seu redor, Tyrod Taylor é capaz de levar uma franquia para os Playoffs (algo que o vimos fazer em 2017 pelo Buffalo Bills), mas é muito difícil que consiga avançar além disso. Ainda assim, o jogador era uma opção mais confiável que Philip Rivers, que sofreu 20 interceptações em 2019. 

Com tudo isso, a sexta escolha neste Draft se tornou uma incógnita. Os Chargers podem optar por escolher o seu futuro quarterback ou adicionar um atleta capaz de torná-los ainda mais competitivos. 

Cleveland Browns

Baker Mayfield não pode mais reclamar e, para sua felicidade (ou tristeza), a responsabilidade caiu completamente sobre os seus ombros. Após anunciar a manutenção de Kareem Hunt, Cleveland contrataram o TE Austin Hooper e o OT Jack Conklin. 

Os dois jogadores serão extremamente importantes para o novo técnico Kevin Stefanski. Tornar Hooper o tight end mais bem pago da NFL é problemático, já que ele não é o melhor da posição, mas é essencial para o novo esquema dos Browns.. 

O ex-Falcons permite que o treinador aplique o seu plano de jogo, que muitas vezes utiliza dois tight ends em campo – algo evidente na temporada de 2019, quando Stefanski era coordenador ofensivo dos Vikings. A dupla Hooper e Njoku pode ser uma das melhores da posição, além de colocar os Browns como um dos times mais talentosos, com: Odell Beckham Jr., Jarvis Landry, Nick Chubb e Kareem Hunt (todos já atingiram 1,000 jardas aéreas ou terrestres em um temporada). 

Jack Conklin supre a grande necessidade da franquia. Na temporada de 2019, as fracas atuações de Mayfield foram “perdoadas” pelo torcedor dos Browns por conta de uma atuação patética da linha ofensiva. Com a chegada do antigo jogador do Tennessee Titans, o torcedor não tem o que reclamar. Além de significar uma evolução super importante na posição, Conklin é uma adição de extrema importância para Stefansky, que contará com uma melhor proteção de passe para executar a sua mescla de play-action e jogo terrestre. 

A grande expectativa é que a 10ª escolha dos Browns seja um tackle, e, se isso acontecer, os Browns poderiam pular de uma linha ofensiva “medíocre” para uma “acima da média”. E, só por isso já seriam considerados um dos grandes vencedores da Free Agency. 

PERDEDORES: 
Houston Texans

Bill O’Brien enlouqueceu e Deshaun Watson terá que pagar o preço. Sem necessidade nenhuma, o treinador e general manager dos Texans decidiu trocar a estrela DeAndre Hopkins por um pacote que não ajuda em nada e, na verdade, atrapalha ainda mais o futuro da franquia. 

Os Texans  receberam David Johnson, uma escolha de segunda rodada e uma de quarta, e enviou, discutivelmente, o melhor recebedor da liga e uma escolha de quarta rodada. 

A decisão é ainda mais absurda se analisarmos a produtividade dos jogadores. David Johnson não conseguiu ultrapassar a marca de 1,000 jardas terrestres nas últimas três temporadas e, ainda, teve dificuldade de se manter saudável no período. Já Hopkins perdeu apenas dois dos últimos 48 jogos, sendo que ultrapassou a marca de 1,000 jardas recebidas em cinco das suas sete temporadas na NFL. 

O problema é que Hopkins queria receber 18 milhões de dólares por ano, o que complicaria o futuro dos Texans e comprometeria muito o CAP Space da franquia. E, de fato, diante da desvalorização de WR e RB, poucas franquias gostaria de gastar tudo isso em um atleta.

Mas, se a decisão de Bill O’Brien é trocar o jogador, ele não precisava atuar de forma tão desesperada e despreparada. A decisão foi tão apressada que, no mesmo dia, os Bills enviaram um pacote muito maior aos Vikings pelo WR Stefon Diggs, e não existe nenhum ser humano vivo que irá acreditar que Hopkins é pior que Diggs. 

Nas últimas três temporadas, Hopkins recebeu 315 passes para 4,115 jardas, produzindo 31 touchdowns, além de recepcionar 64,6% dos passes em sua direção. Se levarmos em conta apenas 2018 e 2019 (anos em que Watson esteve saudável), o número sobe para 69,9%. Enquanto isso, Stefon Diggs também foi impressionante, mas se manteve em outra prateleira. Nas últimas três temporadas, ele somou 3,000 jardas aéreas e 229 recepções. Ao todo, foram 24 TDs e um aproveitamento de recepção de 67,7%. 

Talvez a contratação de Randall Cobb no slot ajude Deshaun Watson, que ainda terá um bom grupo de recebedores em Will Fuller e Kenny Stills. O problema é que Houston vendeu uma Lamborghini no preço de Fiat Uno. O teto salarial segue comprometido e a franquia arranjou mais um problema, que dessa vez tem nome: David Johnson.

New England Patriots

O grande problema não foi só perder Tom Brady. Perder uma lenda sempre pesa, principalmente quando ele é um dos maiores da história, se não o maior. Mas, o quarterback de 42 anos já não vinha em seus melhores anos e, para ser sincero, a temporada de 2019 foi extremamente decepcionante. 

A verdade é que a saída de Tom Brady foi o último soco na cara do torcedor dos Patriots, o último antes do nocaute. A Free Agency foi para o torcedor: uma luta de sete rounds contra Mike Tyson, levando socos da direita e da esquerda, até acordar e olhar para o seu celular e ver uma montagem de Tom Brady com a camisa dos Bucs. Não sou torcedor, mas acredito que doeu. 

(Arte: André Martins)

A franquia manteve Joe Thuney, e o guard ajudará muito o quarterback Brian Hoyer na temporada que vem e, de fato, a contratação do free safety Adrian Phillips ajudará bastante a secundária. Mas a verdade é que os Patriots perderam muito e não adicionaram nada. 

O front seven se desmoronou. Kyle Van Nooy e John Collins saíram, tornando a posição de linebacker uma urgente necessidade da franquia. Além disso, a equipe também perdeu Danny Shelton, que fazia um excelente trabalho nas trincheiras – terminando a última temporada com 61 tackles. 

O ataque está extremamente debilitado. Apesar de ter uma linha ofensiva confiável, os Patriots possuem um fraco grupo de recebedores e ainda não definiram o futuro na posição de tight end. Os running backs foram extremamente inconstantes em 2019, e os QBs são Brian Hoyer e Jarrett Stidham (??).

O pior é que os rivais da AFC Leste se reforçaram. Miami teve uma Free Agency extremamente interessante, melhorando todos os setores da defesa e investindo na linha ofensiva. Os Bills adicionar Steffon Diggs e se consolidaram como os favoritos na divisão. 

Ainda assim, Bill Belichick é capaz de tirar água de pedra. Nessa temporada, ele vai precisar espremer a pedra como nunca.

Los Angeles Rams

Os Rams sofreram o efeito de dar um mega contrato a um quarterback mediano. Com boa parte do teto salarial comprometido em Jared Goff, Aaron Donald, Brandin Cooks, Jalen Ramsey e outros craques, a franquia se tornou refém de sua própria má gestão na Free Agency de 2020. 

As perdas foram enormes, sendo que a franquia não conseguiu adicionar nenhuma grande peça no período. Cory Littleton se mudou para os Raiders, Dante Fowler Jr. foi parar em Atlanta, enquanto um dos melhores kickers da NFL, Greg Zuerlein, foi para Dallas. E, ainda, dispensou um dos grandes veteranos da última temporada – Clay Matthews.  

Após manter Andrew Whitworth e Michael Brockers, os Rams contrataram Leonard Floyd e A’Shawn Robinson para reforçar o front seven, e se viram forçados a dispensar Todd Gurley III, que continuará causando um impacto de 7,5 milhões de dólares no Cap Space. O ataque de Sean McVay perdeu o seu principal elo, a cola que dava sentido ao mar de play-action e às movimentações pré-snaps. 

O time ainda é muito estrelado e, sinceramente, pode ser uma das grandes equipes de 2020. Só que, após a Free Agency de 2020, o plano dos Rams parece uma folha em branco. A defesa, que em 2019 levou 55 pontos do Tampa Bay de Jameis Winston, ficou mais fraca. O ataque, com um Jarred Goff extremamente dependente de um jogo terrestre eficiente, acaba de perder Todd Gurley. 

Sem um presente confiável, o torcedor dos Rams não pode torcer para um futuro melhor, já que a franquia não possui nenhuma escolha de primeira rodada do Draft pelas próximas duas temporadas. Qual o plano dos Rams? 

Ninguém sabe. Muito menos o time de marketing que desenhou o novo logo do time. Vamos combinar, né…

Autor: Bruno Nossig

Sou aluno da ECA-USP, graduando em jornalismo. Joguei basquete quando menino e agora escrevo neste site. Meu twitter é @brunonossig.

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