Mike D’Antoni criou um novo Russell Westbrook, e ficou assustador

Experiência do small ball gera espaços ao armador, que atingiu novos níveis de eficiência ao lado de James Harden

A nova versão de Russell Westbrook tem transformado o Houston Rockets em uma máquina ofensiva, e as defesas não sabem como marcá-lo. A forma com que ele registrava um triplo-duplo atrás do outro no Oklahoma City Thunder lhe rendeu um prêmio de MVP e serviu para consolidá-lo como um dos melhores jogadores da NBA. Mas, agora, os objetivos do atleta de 31 anos são outros: ganhar um título. Para isso, Houston precisa deste novo Westbrook. 

A troca de Clint Capela para o Atlanta Hawks pareceu insana no primeiro momento – os Rockets saltavam para as águas desconhecidas do small ball extremo, em que Robert Covington e P. J. Tucker seriam encarregados de marcar o pivô. Mas a ausência do suíço de 2,08m permitiu um crescimento avassalador de Westbrook no ataque. Antes, parecia que o jogador não conseguiria influenciar uma série de Playoffs à favor de Houston, mas, com o novo sistema, ele é peça fundamental para o sucesso na pós-temporada. 

Westbrook tem aparecido cada vez mais na linha do lance livre para receber a bola, usando a sua explosividade e energia para saltar em direção ao aro. A jogada é um desastre para os rivais, principalmente porque a defesa está inteiramente focada em James Harden. 

Se o marcador tentar espremer Westbrook, o armador aproveita toda sua velocidade e explosão para chegar a uma bandeja fácil (ou no caso da jogada contra os Knicks, a uma enterrada brutal). Se outro defensor vier ajudar, ele liga um passe para um dos chutadores abertos, restando apenas uma ação para a defesa: torcer para que o arremesso não seja convertido. 

A função que ele exercia no começo da temporada levaria os Rockets ao fracasso.  Mike D’Antoni adquiriu Westbrook e solicitou que ele jogasse igual a Chris Paul. O problema era que, para dar certo, o sistema requisitava um arremesso decente de três, algo que Russell nunca teve – marca de 30,1% do perímetro, e um aproveitamento bisonho de 25,3% em 2019-20 .

O salto de produtividade do armador é impressionante. Desde que Clint Capela saiu, o Houston ganhou sete de dez partidas; Westbrook participou de oito jogos, dos quais seis terminaram em vitória. O mais interessante é que, nos 295 minutos em que esteve em quadra, os Rockets fizeram 66 pontos a mais que os adversários. 

Neste intervalo, o atleta registrou 33,6 pontos por partida, uma grande evolução em relação a sua média de 27,3. O salto parte de uma utilização mais inteligente dos arremessos. Nos oito jogos, o armador acertou 56,3% dos seus chutes, um crescimento relevante em relação à produção na temporada, de 47,3% de aproveitamento. 

Com o small ball instaurado, o Utah Jazz se viu forçado a colocar o pivô Rudy Gobert (que venceu o prêmio de defensor do ano da NBA em 2018/19) para marcar Westbrook, acreditando que o armador ia cometer o erro de arriscar diversos chutes do perímetro. Não deu certo. Nas duas partidas, ele acertou 32 dos 59 arremessos (54%) e registrou 73 pontos. 

“Não sei se funcionou”, respondeu um sorridente Russell Westbrook, após a vitória sobre o Utah Jazz no dia 22 de fevereiro. “Eu consigo fazer o que eu quero. Consigo fazer qualquer coisa que eu quiser. Chegar à cesta, infiltrar e passar a bola. Não dá para se preparar para aceleração e velocidade. Você consegue se preparar para alguns movimentos. Mas não para velocidade”, concluiu.

Não é somente o uso do small ball que tem otimizado o desempenho do jogador, mas ele também tem se adaptado à sua função como o segundo foco do ataque de Houston. Desde o dia 1 de janeiro, o jogador está em terceiro em True Shooting (estatística avançada que calcula a eficiência dos arremessos de um jogador) na NBA (57,3%), atrás apenas de Harden (58,3%) e LeBron James (58%). Do começo da temporada até o final de 2019, a marca era expressivamente menor (50,6%), sendo comparada a Kevin Knox (50,7%) e Darius Garland (50,1%) – companhias que não caem bem para um All-Star.

A jogada mais eficiente dos Rockets ainda é a isolação de James Harden, que rende 1,30 ponto por posse de bola, ficando em segundo em toda a NBA – atrás apenas do post-up de Zion Williamson (1,37 por posse). Westbrook não vai superar isso e, no plano de jogo de Mike D’Antoni, não precisa. Quando Houston adquiriu o jogador, era necessário que ele se tornasse um dos jogadores mais eficientes da NBA. Assustadoramente, ele tem conseguido.

O problema é que isso pode não ser o suficiente. Muitos questionamentos ainda existem sobre o small ball extremo que está sendo instaurado por Mike D’Antoni. Covington e P. J. Tucker têm feito um excelente trabalho contra pivôs adversários, mas será extremamente difícil conter LeBron James e Anthony Davis em uma série de sete jogos. No outro lado de Los Angeles, os Clippers moldaram um elenco fortíssimo ao redor de Paul George e Kawhi Leonard.

A defesa pode não ser o suficiente, e por isso Westbrook se tornou tão fundamental perto dos Playoffs. A ideia no meio de 2019 era de que Chris Paul e James Harden não funcionavam mais juntos, e, para resolver o problema, Houston bateu na porta de Oklahoma com a intenção de promover um dos ataques mais eficientes da NBA. Bom, finalmente podemos constatar antes dos Playoffs: os Rockets estão preparados.

Autor: Bruno Nossig

Sou aluno da ECA-USP, graduando em jornalismo. Joguei basquete quando menino e agora escrevo neste site. Meu twitter é @brunonossig.

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