Quais os caminhos para os brasileiros conquistarem a Libertadores em 2020?

Flamengo reforçado, Grêmio apostando em veteranos e paulistas com trabalhos novos. Há favorito para conquistar a América?

Será que o Brasil vai conquistar a América do Sul novamente? (Arte: André Martins)

Sete brasileiros iniciam, nesta semana, a disputa pela taça mais cobiçada das Américas. Enquanto o Flamengo procura transformar sua superioridade em dinastia, Palmeiras e Grêmio surgem como principais desafiantes ao trono, jogando com a obsessão e a pressão das arquibancadas. São Paulo, Santos, Internacional e Athletico-PR também podem chegar longe, mas precisam acertar pontos fundamentais para provar sua capacidade de conquistar a Libertadores. Confira nosso guia da fase de grupos:

Flamengo (Grupo A): renovar com Jesus e sustentar o “ôto patamar”

Time-base: Diego Alves; Rafinha, Rodrigo Caio, Gustavo Henrique (Léo Pereira), Filipe Luís; Willian Arão (Thiago Maia); Éverton Ribeiro (Michael), Gérson (Diego), De Arrascaeta; Bruno Henrique e Gabigol (Pedro).
Estreia: Junior (COL) x Flamengo – Quarta (04/03) – 21h30

É difícil apontar qualquer defeito no Flamengo neste início de temporada. Já são três taças conquistadas em dois meses e não há qualquer sinal de queda em relação ao futebol avassalador que se sagrou campeão da Libertadores e do Brasileirão em 2019. Mais que manter sua base multicampeã, o Flamengo investiu muito em alternativas ofensivas de peso para aumentar seu arsenal de armadilhas. Agora, deve mostrar mais uma vez por que está no topo da hierarquia sul-americana.

O 4-1-3-2 de Jorge Jesus segue firme e forte, defendendo em linha alta e atacando com intensidade e com muitas variações de movimentação. Michael, por exemplo, já foi testado aberto pela direita no lugar de Éverton Ribeiro, trazendo mais velocidade e jogadas pela linha de fundo. Gabigol continua uma máquina no ataque, com nove gols em sete jogos no ano, e vê Pedro à espreita lutando por uma vaga no time. A grande incógnita para 2020, motivo de pesadelo de todos os flamenguistas, é a renovação do Mister, que tem contrato somente até o meio deste ano e pode receber propostas da Europa na janela de julho. 

Os adversários do grupo A também não são fracos. O Flamengo já conhece o Independiente Del Valle (EQU), que deu trabalho em sua casa na decisão da Recopa Sul-Americana, mas sucumbiu no Maracanã. O Barcelona de Guayaquil (EQU) confia no atacante Fidel Martínez, autor de 16 gols na Liga Equatoriana de 2019, e no trabalho do treinador Fabián Bustos, campeão nacional com o Delfín. O Junior (COL) corre por fora, mas não se pode subestimar a dupla Téo Gutierrez e Miguel Borja, ex-Palmeiras, no ataque dos colombianos. 

Palmeiras (Grupo B): se impor em jogos grandes

Time-base: Weverton; Marcos Rocha, Gustavo Gómez, Felipe Melo, Matías Viña; Zé Rafael, Bruno Henrique, Dudu, Lucas Lima (Rony), Willian; Luiz Adriano.
Estreia: Tigre (ARG) x Palmeiras – Quarta (04/03) – 19h15

O Palmeiras também foi outro que começou 2020 com técnico novo e mentalidade nova. Vanderlei Luxemburgo vem aproveitando mais a base e teve dois reforços pontuais: o lateral-esquerdo uruguaio Matias Viña, que rapidamente virou titular, e o ponta Rony, que deve ganhar vaga no ataque do Verdão em breve. Elenco, o Palmeiras tem.

Palmeiras
Palmeiras foi eliminado em casa pelo Boca Juniors em 2018 (Foto: Marcos Ribolli)

No Campeonato Paulista, é atualmente o 2º colocado geral, atrás apenas do eficiente Santo André. A equipe tem o melhor ataque e a melhor defesa e sabe se impor contra adversários menores. O problema é que, nos três jogos contra equipe da série A, o Palmeiras não venceu: empatou em 0 a 0 com São Paulo e Santos e perdeu de 2 a 1 para o Bragantino.

Essa tendência tem se repetido na Libertadores. Nas duas últimas edições, o Verdão não teve problema com adversários menores e teoricamente mais fáceis, mas não teve o mesmo desempenho contra Boca Juniors e Grêmio. Neste ano, o grupo com Tigre, Bolívar e Guaraní não deve ser problema. A questão é se o Palmeiras conseguirá jogar seu melhor contra os adversários mais difíceis para tornar a obsessão em realidade.

Athletico-PR (Grupo C): manter os pés no chão

Time-base: Jandrei (Santos); Jonathan, Thiago Heleno, Róbson Bambu, Márcio Azevedo (Adriano); Wellington, Erick (Lucho González), Léo Cittadini; Nikão, Carlos Eduardo (Marquinhos Gabriel) e Bissoli.
Estreia: Athletico-PR x Peñarol (URU) – Terça (03/03) – 21h30

Só com a premiação da CBF e as vendas de Bruno Guimarães e Renan Lodi, o Athletico arrecadou mais de R$200 milhões nos últimos meses. Mesmo assim, o clube entende que não é momento para loucuras e altos investimentos; tudo indica que 2020 será um ano de manutenção da competitividade e de valorização da base. A tarefa é difícil, considerando que o Furacão também perdeu Rony, Léo Pereira e Marco Rubén e ainda não trouxe peças de reposição à altura, principalmente para a camisa 9. Dorival, não à toa, comparou o time ao Big Brother Brasil: “toda semana sai um”.

A opção por Dorival Júnior como substituto de Tiago Nunes, que rumou para o Corinthians, ainda gera dúvidas. No entanto, o treinador se destaca pelo estilo ofensivo e pelo olhar diferenciado para achar jovens talentos. Tem tudo para ser o nome certo para dar seguimento ao projeto técnico de futebol do Athletico, que valoriza conceitos de pressão constante e muita mobilidade no ataque. O esquema não mudou muito em relação a 2019, seguindo no 4-1-4-1 com muitas jogadas pelas laterais do campo. Há sinais de evolução após a derrota acachapante para o Flamengo na Supercopa do Brasil, por 3 a 0. 

O caminho é relativamente simples, mas há de se tomar cuidado com a perigosa altitude do Jorge Wilstermann (BOL) e a tradição dos cascudos Colo-Colo (CHI) e Peñarol (URU). A equipe uruguaia, com cinco títulos da Libertadores, não chega a um mata-mata da competição desde 2011, mas conta com um nome de peso no banco para mudar este cenário: Diego Forlán. Dentro de campo, é o meia Facundo Pellistri, de apenas 18 anos, quem pode desequilibrar e criar as principais jogadas ofensivas atuando pelo lado direito. Atenção especial para a promessa!

São Paulo (Grupo D): ajeitar a defesa e evoluir com Diniz

Time-base: Tiago Volpi; Juanfran (I. Vinícius), Arboleda, Bruno Alves, Reinaldo; Tchê Tchê (Luan), Igor Gomes (Hernanes), Dani Alves; Alexandre Pato (Antony), Vitor Bueno (Everton) e Pablo.
Estreia: Binacional (PER) x São Paulo – Quinta (05/03) – 21h

O Tricolor volta à fase de grupos de Libertadores depois de uma bela campanha com final melancólico em 2016. No Morumbi, uma coisa é clara: não há futuro para o São Paulo senão a continuidade do trabalho de Fernando Diniz. No Paulistão, a equipe prova a cada rodada que está assimilando as ideias do treinador, ao movimentar a bola com objetividade, aprimorar a superioridade numérica no ataque e ser mais efetiva na frente do gol. 

Alguns pontos positivos no início de ano injetam confiança no torcedor. Pato parece estar finalmente voltando à boa fase e Daniel Alves começa a controlar o meio-campo tricolor com maestria, mostrando por que foi deslocado para a faixa central. Há urgência, no entanto, para acertar o posicionamento defensivo, um ponto preocupante que está sendo camuflado por boas atuações de Arboleda, Bruno Alves e Tiago Volpi.

O grupo do Tricolor não poderia ser mais difícil. Assim como em 2016, o grande adversário é o River Plate – atual vice-campeão –, que manteve a base de 2019, acertou a permanência de Marcelo Gallardo e chega para a fase de grupos com Borré em grande fase, sendo o artilheiro da Superliga Argentina com 12 gols. Outro adversário perigoso é a LDU de Quito (EQU), liderada pelo veterano Antonio Valencia e reforçada pelo ex-corinthiano Junior Sornoza. O Binacional (PER) também não deixa de ser uma pedra no sapato, principalmente pelos 3.825m de altitude, e quem perder pontos para o estreante peruano corre sérios riscos na classificação. 

Grêmio (Grupo E): combinar experiência e juventude

Time-base: Vanderlei; Victor Ferraz, Pedro Geromel, David Braz, Caio Henrique (Bruno Cortez); Maicon, Matheus Henrique, Lucas Silva; Everton, Alisson e Diego Souza.
Estreia: América de Cali (COL) x Grêmio – Terça (03/03) – 21h30

O Grêmio tem o técnico com mais tempo de casa entre os clubes brasileiros. Renato Gaúcho levou o time a três semifinais de Libertadores seguidas e um título em 2017. Everton, um dos principais destaques daquela equipe comandada por Luan, hoje no Corinthians, segue no time. 

Depois do fracasso de Vizeu e André Balada, o Grêmio apostou em veteranos para suas principais carências nesta temporada: Diego Souza e Thiago Neves são novas opções para o ataque e Vanderlei chega no lugar do criticado Paulo Victor. Depois de serem praticamente “despejados” por seus clubes, foram acolhidos por Renato, notadamente conhecido por conseguir tirar o melhor de seus atletas.

Grêmio
Thiago Neves recebeu a camisa 10 ao chegar ao Grêmio (Foto: Lucas Bubols/globoesporte.com)

O principal desafio do técnico será conseguir transformar a experiência desses atletas com os promissores Everton, Matheuzinho e Pepê em um time técnico mas também veloz. Nesta edição da Libertadores, o caminho do Grêmio será mais árduo: logo na fase de grupos pega o principal rival, o Internacional, o campeão chileno, Universidad Católica e o atual campeão colombiano, América de Cali. Mas quem sonha com o tetracampeonato não pode escolher adversário.

Internacional (Grupo E): achar a formação ideal com Coudet

Time-base: Marcelo Lomba; R. Saravia (Rodinei), V. Cuesta, Rodrigo Moledo (Bruno Fuchs), Moisés (Uendel); Musto (R. Dourado); M. Guilherme, Edenílson (R. Lindoso), Boschilia; D’Alessandro (T. Galhardo) e Guerrero.
Estreia: Internacional x Universidad Católica (CHI) – Terça (03/03) – 19h30

Para 2020, o Inter resolveu apostar no trabalho bem-sucedido do argentino Eduardo Coudet, ex-Racing, para resgatar um futebol com DNA ofensivo. A equipe trouxe reforços para quase todas as posições e mudou seu esquema, atuando no 4-1-3-2, com D’Alessandro na função de falso 9 e Guerrero participando mais como pivô no ataque. É notável também como o Colorado imprime pressão na saída de bola dos adversários.

A equipe gaúcha passou sem sustos pela fase preliminar da Libertadores, com vitórias sobre a Universidad de Chile e o Tolima (COL). A falta de entrosamento, porém, é um problema que pode crescer se os resultados não vierem rapidamente. A escolha por Coudet é certeira e promete sucesso a médio e longo prazo, mas é preciso ter paciência e entender a dificuldade da situação na Libertadores.

De todos os brasileiros, o Inter é o que tem o caminho mais apertado para chegar às fases finais. O América de Cali (COL) não tem um elenco tão forte, mas conta com o apoio da torcida para dar trabalho em casa. Enquanto isso, a Universidad Católica (CHI) aposta em um excelente trabalho do argentino Ariel Holan, campeão da Copa Sul-Americana com o Independiente (ARG) em 2017, que tem cinco vitórias e um empate sob o comando da equipe na Liga Chilena. É claro, porém, que o maior desafio será superar o rival Grêmio, que tem um retrospecto recente de 5 vitórias, 4 empates e 2 derrotas contra o Colorado, e mostrou o porquê da sua alcunha de ‘time copeiro’ nas últimas edições do torneio.

Santos (Grupo G): encontrar o seu ‘Mister’

Time-base: Everson; Pará, Luan Peres, Lucas Veríssimo, Felipe Jonatan; Soteldo, Diego Pituca, Alisson e Carlos Sánchez; Eduardo Sasha e Yuri Alberto (Raniel).
Estreia: Defensa y Justicia (ARG) x Santos – Terça (03/03) – 19h30

Se for falar de caminho, o Santos por enquanto tem o mais tranquilo. O grupo com Olimpia (PAR), Delfín (EQU) e Defensa y Justicia (ARG) não deveria assustar o Peixe. O problema é que, até aqui, o time da baixada santista vem mesclando boas e más atuações. Os resultados também têm seguido no mesmo caminho.

As ideias de Jesualdo já deram certo em vários outros clubes, principalmente no Porto. O Santos se posiciona ofensivamente buscando formar triângulos e criar linhas de passe entre os laterais. Mas as jogadas muitas vezes acabam em cruzamentos com pouco perigo (o Santos lidera o Paulistão em cruzamentos errados, com 22 por partida).

Mesmo após o vice-campeonato brasileiro, o Peixe não está entre os favoritos da Libertadores. Se quiser ser campeão, o Santos tem duas opções: ou as ideias de Jesualdo encaixam e o time melhora seu futebol, ou o clube toma um caminho bem mais arriscado e vai atrás de alguém que faça um milagre em pouco tempo, como Jesus fez com o Flamengo. O caminho mais seguro e lógico é continuar apostando no campeão português de 2009.

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