NBA: Cinco coisas para ficar de olho até o final da temporada regular

Como vai funcionar a rotação dos Nuggets? Os Sixers vão explodir ofensivamente? Quem garantirá a última vaga dos Playoffs? E, óbvio, Zion Williamson

(Arte: André Martins. Foto: Getty Images/Sports Illustrated)

Faltando apenas um mês e meio para o final da temporada regular da NBA, os times começam a entrar em ritmo de Playoffs – assim como os fãs (vamos concordar que ninguém aguenta mais ver uma atuação de 50 pontos do Bradley Beal terminar em derrota dos Wizards).

  Mesmo que os minutos do garbage time aumentem e que franquias sempre coloquem jogadores que ninguém conhece para jogar (alô Warriors e Knicks!), a temporada da NBA ainda promete muitas narrativas. Com isso em mente, o Intervalo em 5 listou cinco coisas para ficar de olho antes do início dos Playoffs.

1. Michael Porter Jr. e os alas dos Nuggets

Mais uma vez os Nuggets fazem uma temporada maravilhosa, ficando na segunda colocação da Conferência Oeste com 40 vitórias e 18 derrotas. Mas os Playoffs sempre pintam como um grande desafio para a franquia, que ano passado acabou eliminada na semifinal de Conferência pelo Portland Trail Blazers.

Will Barton, Paul Millsap e Jeremi Grant são opções confiáveis para a pós temporada e devem dialogar perfeitamente com o brilho da dupla Jamal Murray-Nikola Jokic. Mas as alas levantam diversos questionamentos, principalmente se considerarmos um provável duelo direto com franquias de Los Angeles: Quem vai marcar LeBron James, Kawhi Leonard e Paul George?

Torrey Craig parece ser o candidato perfeito para receber mais minutos nos Playoffs. Incapaz de ser constante nos arremessos de três ao longo da temporada (31,9%), o jogador é de longe o melhor defensor do elenco – sendo que ano passado recebeu o dever de marcar Damian Lillard na série contra os Blazers. 

O grande sonho de Denver poderia ser a melhora no desempenho de Gary Harris. O titular contribui com 10,2 pontos por partida e um aproveitamento de 39,9% dos arremessos, sendo que, de três, o jogador acertou apenas 30,7% dos chutes. Seus números recentes são ainda mais preocupantes: nos últimos oito jogos, foram 7,8 pontos em 31 minutos, com marcas horrorosas – acertou apenas 31,2% dos arremessos e 28% de três. 

Além disso, o amadurecimento de Michael Porter Jr. poderia ser o melhor presente ao torcedor de Denver. Em quadra, ele produz jogadas impressionantes, mesclando os 2,08 metros com alto teor de agilidade, produzindo infiltrações dinâmicas e bandejas plásticas. O corte fora da bola é só mais uma arma do jogador, que facilmente se torna um mismatch em quadra, utilizando também o bom aproveitamento de três (42,2%).

É difícil acreditar que o técnico Michael Malone confie em Porter nos jogos difíceis. Isso porque, apesar do potencial ofensivo e da capacidade de fazer jogadas defensivas com os 2,13 metros de envergadura, o jogador é extremamente cru, errando em diversas coberturas defensivas. Bom, nada impede o torcedor de Denver de sonhar.

2. O encaixe ofensivo dos Sixers

Quase todo mundo já desistiu de acreditar no encaixe ofensivo dos Sixers. Ben Simmons se recusa a olhar para cesta da linha de três e da média distância, enquanto o encaixe de Embiid-Horford não rendeu o imaginado. 

O aproveitamento dos arremessos de três (35,2%), colocam o time em 18º na categoria, enquanto a magia do jogo no garrafão não rende o esperado. Assim, Philadelphia possui o segundo pior ataque de todos os times que estariam classificados aos Playoffs, ficando a frente apenas do Orlando Magic (pois é, os 76ers produzem apenas 108,7 pontos por partida). 

A terceira melhor defesa da NBA ainda pode dar frutos nos Playoffs e ganhar alguns jogos. Mas sem uma melhora ofensiva no resto da temporada, fica difícil acreditar que Philly consiga eliminar os Bucks, ou mesmo competir com Toronto, Miami e Boston. 

Os 76ers precisam de sucesso agora, e dificilmente vão obter isso. É altamente provável que fracassem mais uma vez nos Playoffs, e com isso, acreditar no famoso “processo” (mantra que carrega a franquia) será extremamente difícil. As cenas dos próximos capítulos dos 76ers são imperdíveis – o sucesso daria uma das histórias mais interessantes da NBA, enquanto o fracasso poderia fazer com a franquia decida se desfazer de Embiid ou Simmons. 

De qualquer jeito, a novela é interessante, então prepare a pipoca!

3. A ineficiente mágica de Trae Young

Trae Young não defende. Neste ponto da temporada todo mundo já entendeu isso. A comparação com Steph Curry morreu, simplesmente porque, diferentemente de Curry, Trae é incapaz de marcar outra posição. Muitas vezes, ele nem mesmo marca o armador rival.

Young possui a pior marca da NBA no Real Plus-Minus defensivo (estatística que mede o impacto do jogador na atuação defensiva da equipe), registrando um tenebroso – 4,66 (só para base de comparação, Isaiah Thomas, penúltimo na estatística da ESPN, possui uma marca de – 4,27). 

Young é um fenômeno no ataque, sendo o melhor no Real-Plus Minus ofensivo, com a marca impressionante de 6,5 (muito acima do segundo colocado, Damian Lillard, que registra 5,44). Os 29,9 pontos por partida e 9,2 assistências são impressionantes, mas só servem para te levar ao All-Star Game. Para ir a pós-temporada, ele precisa melhorar muito na defesa. Muito. 

Não é apenas uma questão de tamanho (1,85) e peso (81 quilos). Young muitas vezes não demonstra interesse em defender.  Se quiser presentear os Hawks com uma passagem aos Playoffs em 2020-21, o armador precisa evoluir, porque, se isso não ocorrer, será mais um ano em que a mágica de Trae Young se mostra ineficiente.

4. O calendário impossível dos Grizzlies

Memphis foi um dos times mais interessantes de acompanhar durante a temporada regular. As jogadas impressionantes de Ja Morant aliadas ao brilho de Jaren Jackson Jr., geraram muitos “ooohs” dos fãs, enquanto o desempenho em quadra constatou um rápido processo de reconstrução do elenco. Mas, mesmo na oitava posição do Oeste, com 28 vitórias e 30 derrotas, é altamente provável que não veremos os Grizzlies nos Playoffs. Principalmente se levarmos em conta os últimos jogos da equipe – um atropelo dos Clippers (124 a 97) e outro dos Rockets (140 a 112).

O calendário do time é de longe o mais difícil da NBA. Dos 24 jogos restantes, 15 são contra times que estão se classificando para a pós-temporada. Nas outras nove partidas, a equipe ainda tem cinco duelos diretos, enfrentando duas vezes os Blazers, duas vezes os Pelicans e uma os Spurs. 

Portland se aproximou do rival, com uma marca de 26-33, enquanto New Orleans acompanha a disputa de perto, com 25 vitórias e 33 derrotas. Se quiser cravar uma vaga nos Playoffs, os Grizzlies precisam da mágica de Ja Morant, e, mesmo assim, podem acabar do lado de fora.

5. A eficiência de Zion Williamson

Todos os próximos 24 jogos dos Pelicans são imperdíveis e o motivo é Zion Williamson. Com 19 anos, o jogador parece estar jogando contra crianças – só vermos o vídeo dele arrancando a bola na força da mão de Damion Lee, ala dos Warriors:

Ou ele ganhando o rebote de Dwight Howard!

São 23,3 pontos e 7,1 rebotes por partida, aproveitando absurdos 57,3% dos arremessos e, ainda, registrando inesperados de 41,7% dos chutes de três. Nos últimos nove jogos, ele produziu mais de 20 pontos em todos – se tornando o jogador mais novo a atingir tal marca. 

Com 19 anos, Zion já produz a jogada mais eficiente da NBA. O post up (vídeo abaixo) do jogador produz em média 1,37 pontos por tentativa, ficando a frente da isolação de James Harden (1,30), de Luka Doncic (1,25) e LeBron James (1,24). 

Ele é simplesmente um pesadelo para defesas. Pivôs maiores são muito lentos para marcá-lo, enquanto os mais leves não são páreos para a sua força. Marcá-lo com alas é inapropriado, enquanto armadores só conseguem torcer para a cesta não sair.

Os Pelicans são absurdamente melhores quando o ala está em quadra. Nos 13 jogos, foram 8 vitórias e seis derrotas, dando ao time um recorde de 25-33 e permitindo sonhar com uma vaga nos Playoffs.

Aconteça o que acontecer, os próximos 24 jogos são imperdíveis!

Autor: Bruno Nossig

Sou aluno da ECA-USP, graduando em jornalismo. Joguei basquete quando menino e agora escrevo neste site. Meu twitter é @brunonossig.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s