Super Bowl LIV é decisivo para o legado de Andy Reid

Sexto treinador com mais vitórias na história da NFL (212), Reid precisa ser campeão se quiser garantir seu espaço no Hall da Fama

(Arte: André Martins. Foto: Rich Schultz/Getty Images)

Vencer o Super Bowl é de extrema importância para todos do San Francisco 49ers e do Kansas City Chiefs, mas a partida tem um peso a mais para Andy Reid. A grande final, que  será disputada às 20h30 deste domingo (02/02), pode ser definitiva para o futuro de Reid no Hall da Fama da NFL; E se ele quiser chegar lá, precisa vencer.

Reid costuma construir máquinas ofensivas, verdadeiros rolos compressores que pegam a liga de surpresa e se tornam impossíveis de defender. Das 21 temporadas como técnico da NFL, seus times ranquearam no top-10 em pontos conquistados em 13 delas, sendo que em 2018, o Kansas City Chiefs foi o melhor ataque da liga, registrando 34,8 pontos por partida. O sonho daquele ataque acabou na final da AFC, quando perdeu para o New England Patriots na prorrogação por 37 a 31.  

Na atual temporada, Patrick Mahomes e companhia foram o quinto melhor ataque da liga, com médias de 28,2 – um pouco abaixo do segundo colocado e rival deste domingo, o San Francisco 49ers, que registrou 29,9. A qualidade do jogo aéreo estabelecido (5º com mais jardas em 2019), conseguiu mitigar a pouca influência do jogo terrestre – 23º da NFL, com apenas 98,1 jardas por partida. 

Durante a coletiva que antecede o Super Bowl, o técnico dos Chiefs fugiu constantemente das perguntas sobre como uma derrota afetaria o seu legado na NFL e deu muito mais importância a seus jogadores, uma tentativa de eliminar a discussão.

“A vida é maior do que isso [Super Bowl]. Isso não te diz que eu não quero ganhar. Estamos na América. Estou aqui para vencer. É o que fazemos”, afirmou o técnico de 61 anos. 

“Mas eu também entendo a perspectiva da vida. Talvez seja por conta da minha idade. Isso não significa que eu não vou treinar forte e trabalhar duro e fazer de tudo no máximo das minhas habilidades. Mas eu não vou te dizer que não existe outras coisas na vida. Eu entendo isso também. Penso mais nos jogadores do que em mim mesmo”, concluiu.

Mesmo sem ter conquistado um Super Bowl, a carreira de Reid é impressionante. Nas 21 temporadas como técnico da NFL,  ele conquistou 10 títulos de divisão e chegou aos Playoffs 15 vezes. As 212 vitórias conquistadas durante a carreira, o colocam como o sexto treinador que mais venceu na história da liga. Só que o currículo parece não estar no mesmo patamar dos outros cinco treinadores a sua frente, exatamente porque falta algo para Reid: um Super Bowl.

A marca de 61,8% de vitórias durante a temporada regular cai significativamente para 50% nos Playoffs – o que pode se tornar o seu grande empecilho no Hall da Fama, principalmente se ele não vencer neste domingo. Durante todos os seus 21 anos na NFL, fez apenas uma viagem para a final, sendo derrotado pelo New England Patriots por 24 a 21 no Super Bowl XXIX.

Tem quem argumente de que Reid, independente do resultado, já merece um lugar na mais alta memória do futebol americano. O problema é que somente um técnico foi nomeado para o Hall da Fama sem ter sido campeão da NFL – Marv Levy, que teve a impressionante marca de 61,5% de vitórias no Buffalo Bills e carregou a franquia a quatro Super Bowls seguidos (1990-1993). 

Mas, verdade é que mesmo que vença neste domingo, o lugar de Reid no Hall da Fama ainda não é garantido. Tom Coughlin, Tom Flores, George Seifert e Mike Shanahan (o pai de Kyle Shanahan – técnico dos 49ers e rival de Andy Reid neste domingo), todos ganharam dois SBs e ainda não foram nomeados para o Hall da Fama. 

Em defesa de Reid, nenhum dos técnicos listados teve o mesmo sucesso na temporada regular que o atual técnico dos Chiefs. Dentre todos, Mike Shanahan e Tom Coughlin tem o maior número de vitórias, com 170, número que passa bem abaixo das 212 que Andy Reid acumulou em sua carreira. O aproveitamento de ambos é ainda pior, sendo que Shanahan venceu 55,2% de suas partidas e Coughlin apenas 53,1%. 

Já Seifert talvez seja a grande ausência no Hall da Fama. A sua passagem no San Francisco 49ers foi avassaladora. Além de dois títulos, ele acumulou 98 vitórias e 30 derrotas, um aproveitamento absurdo de 76,6%. A marca também é impressionante nos Playoffs, já que o treinador venceu dois terços das partidas, um recorde de 10-5. O negativo para Seifert foi sua passagem no Carolina Panthers, com apenas 16 vitórias em três temporadas, sendo que a última, em 2001, foi um desastre: um recorde de 1-15 que lhe custou o cargo. 

A ausência destes nomes serve como um argumento contra a presença de Reid no Hall da Fama, ainda mais se o treinador perder este Super Bowl e cair para 0-2 nas finais. Se superar a final perdida no dia 6 de fevereiro de 2005, Reid estará dando passos largos em direção ao grande livro de memórias da NFL. 

A qualidade de seus plano ofensivo, a eficiência dos seus ataques e seu aproveitamento em temporada regular serão sempre lembrados pela NFL. Mas seu lugar no Hall da Fama está em jogo e o seu legado será posto à prova na final deste domingo.

Autor: Bruno Nossig

Sou aluno da ECA-USP, graduando em jornalismo. Joguei basquete quando menino e agora escrevo neste site. Meu twitter é @brunonossig.

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