O Kobe que me fez sonhar…

(Arte: André Martins. Foto: Jayne Kamin-Oncea / USA Today Sports )

Vai demorar ainda mais para a ficha cair…

Não é fácil perder uma lenda do esporte, principalmente quando é ele um dos motivos para você amar o esporte. Quando é ele que faz os seus ídolos, atuais atletas da NBA, amarem o basquete.

Kobe é o atleta mais influente para a atual leva de amantes do basquete. Seja uma criança que ele inspirou a jogar o esporte, um fã dos Lakers que chorou de emoção nos cinco títulos conquistados, ou mesmo um fã dos Celtics, que por muito tempo odiou aquele jogador que sempre foi uma pedra no caminho. 

Para Kobe, basquete era uma paixão obsessiva, algo evidenciado por seu jeito de jogar e pela sua abordagem diária de treinamento, que se tornou uma filosofia – o Mamba Mentality. Os cinco títulos da NBA, as duas medalhas olímpicas, o prêmio de MVP e as 16 nomeações ao All-Star Game o colocam na discussão como um dos maiores da história da NBA e o maior Laker da história – de acordo com Magic Johnson. 

É difícil dizer adeus a um homem que, durante a sua aposentadoria, parecia ter encontrado um propósito ainda maior. Além de pai de quatro meninas, Kobe partia para um mundo de lutas sociais, entre elas a sua tentativa de engrandecer o esporte feminino – no dia seguinte ao acidente, várias atletas da WNBA tinham um treinamento marcado com o ex-jogador. 

A sua missão era inspirar as gerações futuras a criar suas próprias histórias, e para isso, partia para um mundo de contar história, de escrever – e de acordo com Ramona Shelburne, tinha se tornado sua nova obsessão. 

Para mim, era um ídolo. Um dos jogadores que me fez começar a jogar basquete, e que por muito tempo me fez sonhar em ser um jogador. Na minha primeira experiência “real” com o esporte(sem contar aulas de educação física do fundamental), Kobe Bryant estava lá. 

Meu pai tinha me dado o NBA Live 2005. Na época, com sete anos, não sabia nada de NBA. Conhecia somente o Los Angeles Lakers e o Cleveland Cavaliers. 

A partida era essa: eu com o Cavs de Lebron James, meu pai com o Lakers, de Kobe. Acabei perdendo o jogo, ficando irritado e com um certo ódio daquele ala-armador com um overall 94 que tinha ajudado o meu pai a vencer.

Depois, meu amor com basquete cresceu, ver e acompanhar a NBA se tornou algo diário. De certa forma, acompanhar Kobe se tornou automático. Olhar como ele jogava, como se posicionava, a forma como treinava, o jeito de jogar. Por muito tempo tentei aprender o seu arremesso. A forma com que se posicionava no garrafão (mesmo que fosse impossível imitar o seu jeito com meu 1,6 metros). 

Tentei imitar sua liderança, a sua vontade em quadra, o seu jeito de ser, em uma tentativa bizarra de desvendar o que era aquela tal de Mamba Mentality. Isso se tornou, por muito tempo a minha obsessão. 

Lembro da primeira e única camisa que ganhei de Kobe, um dia antes de sua aposentadoria da NBA. Eu simplesmente não conseguia acreditar que tinha ela em mãos. No dia seguinte, mesmo com 17 anos, virei uma criança de cinco anos de novo. 

Marquei o horário certinho em que ele ia se despedir. Passei as aulas olhando o relógio, fazendo contas de quantas horas faltava. Chegou a hora, coloquei a camisa e fiquei incrédulo quando ele marcou os 60 pontos no Utah Jazz – que para mim será sempre mais impressionante que os 81 no Toronto Raptors.

Ainda é difícil acreditar. Vai demorar para a ficha cair.

Acredito que fiquei tanto tempo perdido na grandeza de Kobe, que achava que ele de fato era imortal. Que eu nunca viveria em um mundo em que ele não estivesse presente. Talvez esse seja o principal choque de quem o idolatra, mas não posso falar com tanto certeza.

A verdade é que nesse momento gostaria de ser aquele menino de quatorze anos, um sonhador.

Voltar no tempo só por um instante. Para fechar os olhos por um segundo. 

Imaginar… três segundos no relógio..113 a 112. 

Bola de papel na mão…3……2….1…

Autor: Bruno Nossig

Sou aluno da ECA-USP, graduando em jornalismo. Joguei basquete quando menino e agora escrevo neste site. Meu twitter é @brunonossig.

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