Aposentadoria de Eli Manning, um gigante de Nova Iorque

O quarterback tem a sétima maior marca de jardas aéreas (57.023) e touchdowns passados (366)

Arte: André Martins. Foto: Chris O’Meara/Associated Press

Eli Manning anunciou oficialmente nesta sexta-feira, 24 de janeiro, a sua aposentadoria da NFL. Quarterback dos Giants por 16 anos, Eli foi marcado por uma carreira de altos e baixos – sendo altamente decisivo e, ao mesmo tempo, um jogador que falhou em conduzir constantemente o seu time a bons resultados. 

A saída dos Giants já estava anunciada no Draft de 2019, quando a franquia de Nova York escolheu Daniel Jones na sexta escolha geral. Ali ficou evidente que a passagem de Manning estava chegando ao fim. 

A oficial passagem do bastão aconteceu na semana três da temporada 2019-20, quando Jones se tornou titular e liderou os Giants na vitória sobre o Tampa Bay Buccaneers – uma estreia que contrastou completamente com a produtividade que Eli vinha tendo nos anos recentes (em 2017 e 2018, foram apenas oito vitórias em 32 jogos). 

De 2012 a 2018, os Giants fizeram apenas uma visita a pós-temporada, em 2016, quando foram eliminados na rodada de Wild Card. O recorde na carreira, de 117 vitórias e 117 derrotas, serve como argumento para quem acredita que o jogador não merece um lugar no Hall da Fama da NFL. 

O fato de ele nunca ter acertado mais de 65% dos passes na carreira e nunca ter sido cogitado para o prêmio de MVP da temporada regular alimentam ainda mais a narrativa de que Eli não merece estar na memória mais importante do esporte. 

Mas é difícil imaginar que os torcedores dos Giants não sejam gratos às suas 57.023 jardas passadas, sétimo na história da NFL, e aos seus 336 passes para touchdown, sétima marca na lista de todos os tempos. A sequência de 210 jogos seguidos como titular, terceira maior da NFL, mostram quão simbólico ele foi em Nova York.

No discurso desta sexta-feira o jogador não escondeu o quão difícil foi dar adeus ao futebol americano e ao New York Giants. “Na maior parte da minha vida, pessoas me chamaram de fácil. Acreditem em mim, não há nada fácil sobre o dia de hoje. Wellington Mara sempre dizia: “Uma vez um Giant, sempre um Giant”. Para mim, é “somente um Giant”, concluiu Eli Manning

Os gigantes números totais e os 35 recordes totais dentro dos Giants cravam o nome de Eli em documentos da NFL, mas foram os seus momentos decisivos que o deixaram na memória da liga.

No Super Bowl XLII, o jogador chocou a liga quando venceu o New England Patriots, um dos melhores da história da NFL, que terminou a temporada regular invicto. Durante a partida, Eli produziu uma das jogadas mais emblemáticas da história dos Giants, que ficou conhecida como Tyree Helmet Catch

Com dois minutos restando e perdendo por 14 a 10 para os Patriots, Eli viu o pocket colapsar em sua frente. Agarrado pela camisa, ele conseguiu escapar de três jogadores adversários e lançar um passe de 32 jardas para David Tyree, que conseguiu a recepção junto ao seu capacete. A jogada impulsionou o drive decisivo, que terminou com a conexão Eli-Buress, para um TD de 5 jardas. O quarterback recebeu o seu primeiro Lombardi Trophy e o prêmio de MVP da partida.

A sequência veio no Super Bowl XLVI contra o mesmo adversário, o New England Patriots. Precisando novamente de um touchdown nos momentos finais da partida, Eli deu o passe perfeito para Mario Manningham, com o wide receiver sofrendo uma dupla marcação. A jogada gerou um avanço de 38 jardas e permitiu o posterior TD corrido de Ahmad Bradshaw. 21 a 17, mais um Super Bowl e prêmio de melhor da partida. 

A carreira de Eli não foi marcada por dominância ou por liderança, diferente do que Peyton Manning, seu irmão, representou na NFL. O jogador não será lembrado como um dos melhores da história e dificilmente será nomeado um dos três maiores jogadores que já vestiram a camisa do New York Giants. 

No entanto, com sua aposentadoria, a NFL diz adeus a um dos jogadores mais decisivos da história do futebol americano e que deve ter o seu lugar no Hall da Fama do esporte. Seja como for, mesmo tendo o futuro encaminhado com Daniel Jones, a franquia sentirá falta da presença de Eli, que apesar de suas falhas, se tornou por muito tempo o Rei de Nova York

Publicado em NFL

Autor: Bruno Nossig

Sou aluno da ECA-USP, graduando em jornalismo. Joguei basquete quando menino e agora escrevo neste site. Meu twitter é @brunonossig.

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