Estreia de Zion Williamson na NBA e a esperança de Playoffs do New Orleans Pelicans

Franquia de Nova Orleans ocupa a 12ª colocação da Conferência Oeste, com 17 vitórias e 27 derrotas

Arte: André Martins. Foto: Joe Murphy/Getty Images

Após a lesionar o joelho na pré-temporada, finalmente veremos Zion Williamson estrear na NBA. Às 23h30 desta quarta-feira, 22 de janeiro, o jogador vestirá a camisa do New Orleans Pelicans no jogo contra o San Antonio Spurs, em uma das estreias mais aguardadas desde que LeBron James pisou na quadra pelo Cleveland Cavaliers em 2003.

Nunca existiu nada igual a Zion: um atleta de 2,03 metros, que também é o mais pesado em quadra com 129 kg (na NBA fica atrás apenas Boban Marjanovic, que mede 2,24 metros), o mais veloz e com um salto vertical impressionante – 45 polegadas, cerca de 1,14 metros, registrados nos seus treinos por Duke.

A ideia de que o jogador poderia ser especial na NBA vinha na época de High School e nos circuitos de AAU, quando suas jogadas viralizaram nas redes sociais. Enterradas plásticas, com ele colocando a bola entre a perna ou saltando um adversário se tornaram comuns no Twitter, Facebook, Instagram e Youtube. A passagem na universidade de Duke apenas serviu para consolidá-lo como a primeira escolha do Draft. 

A sua atuação na pré-temporada animou os torcedores. Durante as quatro partidas, Zion registrou médias de 22,3 pontos em 27,3 minutos, com um aproveitamento absurdo de 71% nos arremessos. O novato dava os seus primeiros passos para a carreira na NBA, mas a lesão no joelho e a cirurgia serviram como um absoluto anticlímax. 

O jogo parece fluir naturalmente para Zion e não são só suas enterradas e tocos que fazem o ginásio suspirar. 

A explosão em direção a cesta e sua força física, torna muito difícil para que os pivôs consigam contestar o seu arremesso. A facilidade com que ele infiltra a defesa, driblando o adversário mais lento, é impressionante. O controle de bola é muito melhor do que o esperado, sendo que ele usa mais a habilidade do que o domínio físico para passar pela marcação.

Descobrir como marcá-lo será um grande desafio, já que Zion é mismatch em quadra – um jogador mais baixo ou mais fraco terá dificuldade de competir fisicamente contra o jogador, enquanto os pivôs sofrerão na velocidade. 

Tentar forçá-lo a arremessar do perímetro parece uma opção, já que ele converteu apenas 25% dos arremessos durante a pré-temporada e também não era um exímio chutador em Duke, quando acertou apenas 33% dos seus chutes de três. Mas a sua eficiência no garrafão não parece que será apagada facilmente. O grande exemplo foi o desempenho de 26 pontos sobre o Utah Jazz do pivô Rudy Gobert, um dos melhores protetores de garrafão de toda a NBA.

O grande questionamento é a saúde de Zion. Jalen Rose, antigo ala-armador da NBA e atual comentarista da NBA, chegou a afirmar que a primeira escolha do Draft nunca jogaria 82 jogos em uma temporada.

A cirurgia no joelho reviveu dúvidas sobre o corpo de Zion, e se a força das suas pernas será capaz de aguentar o seu peso. Quando ainda estava no colegial, um grupo de estudos do esporte, P3 Applied Sports Science, registrou a força gerada pelos saltos do ala e obteve a maior marca registrada até então, sendo que a base de dados incluía atletas profissionais.

 No dia 20 de fevereiro de 2019, o jogador chocou o mundo quando ainda estava em Duke, despedaçando o seu tênis pela metade e sofrendo uma lesão que o tirou de quadra por um mês.

Cautela marca como os Pelicans tratam a sua estreia na NBA. A franquia faz treinamentos diferenciados, buscando fortalecer a força na parte inferior do seu corpo para diminuir o impacto sobre os joelhos do atleta. O próprio Jalen Rose afirmou que se fosse o General Manager (GM) da franquia de Nova Orleans seria ainda mais cauteloso e colocaria Zion para jogar somente na temporada 2020-21.

Mas fato é que a chegada de Zion pode mudar o rumo dos Pelicans na temporada. Na 12ª posição da Conferência Oeste, o time está a uma estrela de disputar uma vaga nos Playoffs. A marca de 17 vitórias e 27 derrotas parece distante do oitavo colocado, Memphis Grizzlies, que possui um recorde de 20-23. 

Depois de uma sequência arrasadora de treze derrotas no começo da temporada, os Pelicans evoluíram muito. Lonzo Ball se tornou um armador consistente, sendo que nos últimos 10 jogos produziu 15,2 pontos, 8,8 assistências e 7,5 assistências, acertando 40% dos arremessos. 

Brandon Ingram se provou uma estrela em ascenção, liderando o time em pontos e rebotes, e decidindo algumas partidas apertadas – o exemplo mais recente foram os 49 pontos contra o Utah Jazz, no dia 16 de janeiro. Juntando os dois a qualidade de Jrue Holiday e o aproveitamento de três de J.J Redick, temos um forte quarteto ao lado de Zion. 

Antes da temporada, o GM dos Pelicans, David Griffin, pediu para a imprensa parar de tratar Zion como o salvador da franquia. Mas, por mais que seja duro admitir, o novato terá a oportunidade de mudar os rumos dos Pelicans na temporada e liderar o time aos Playoffs. 

É difícil garantir que o jogador conseguirá levar a franquia para a pós-temporada, mas fato é que a vida em Nova Orleans e na NBA será muito mais divertida com um atleta de 2,03 e 129 quilos disposto a decolar.

Autor: Bruno Nossig

Sou aluno da ECA-USP, graduando em jornalismo. Joguei basquete quando menino e agora escrevo neste site. Meu twitter é @brunonossig.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s